As coxinhas de Léo Burguês

Não tem jeito: o PSDB, seja de qual estado for, gosta mesmo de resolver seus problemas na base do cala-a-boca, da censura e da paulada. Como bem alertado por meu querido amigo (e produtor fodaço) Guilherme Fiúza Zenha, o vereador Léo Burguês, que recentemente defendeu aumento absurdo do próprio salário, gastou 62 mil reais de sua verba indenizatória (dinheiro público) comprando lanches na empresa da própria madrastra, como comprova matéria de Aline Labbate.

Este, porém, é só o começo da história: depois de ler a reportagem, o compositor belo-horizontino Flávio Henrique resolveu comentar os fatos relatados pela jornalista em uma bem-humorada marchinha de carnaval, que pode ser ouvida aqui.

E aí é que a coisa fica ainda mais patética: se você pode de fato “ouvir aqui” a marchinha, isto certamente não se deve a Léo Burguês, que num espírito imensamente anti-democrático mandou seu advogado entrar em contato com o compositor para afirmar que o vereador “não estava nada satisfeito com a sátira” e que esta causava “dano moral” ao político – uma alusão nada sutil a um possível processo judicial.

Os políticos brasileiros parecem acreditar que estão acima do direito de expressão, de críticas e da manifestação política individual (e digo isso por experiência própria, já que estou sendo processado pelo ex-governador e deputado federal Newton Cardoso): Léo Burguês de fato usou 62 mil reais de verba indenizatória (dinheiro dos cofres públicos destinados a gastos do gabinete) para comprar lanches na empresa da madrasta. Isto é fato. Questionar a ética desta escolha (que não envolveu licitação ou qualquer coisa do gênero) é um direito democrático que todos temos, bem como a opção de fazê-lo através de uma sátira, do humor. Tentar reprimir este tipo de manifestação popular é um indício claro desta mentalidade anti-democrática que marca tantas ações políticas no país.

Absurdo. E parabéns à revista Encontro, publicada em BH, que elegeu Burguês como um dos “mineiros de 2011”. Que escolha feliz.

postado em by Pablo Villaça em Política

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