Mostra de São Paulo – Caos e Desorganização

A 35a. edição da Mostra de São Paulo tem sido marcada pelo caos absoluto. Para antigos frequentadores como eu, não é novidade ser surpreendido por algumas mudanças de programação ocasionais ou mesmo pela saída de algum filme da grade, mas o que vem ocorrendo este ano é inédito, já que estas mudanças e quedas tem sido anunciadas muitas vezes no dia das sessões, o que jamais ocorria antes. Assim, tem sido comum ver pessoas chegando aos cinemas apenas para descobrir que o filme para o qual haviam comprado ingresso não irá mais ser exibido (aconteceu hoje com Attenberg), que seu horário foi alterado sem qualquer explicação (como A Caverna dos Sonhos Esquecidos, que mudou de 22h para 17h50) ou que simplesmente suas demais sessões não irão mais ocorrer (O Garoto da Bicicleta, dos Dardenne, que foi reduzido para uma única sessão). Aliás, basta ver esta foto que tirei hoje na bilheteria do Arteplex Frei Caneca para comprovar o que estou dizendo – e prestem particular atenção na anotação feita a caneta: “Talvez não tenha”. (E o que dizer deste outro aviso, escrito a mão, que transforma Habemus Papam em Habemos PaPUM?)

Dito isso, o que ocorreu esta noite na sessão do filme de Nanni Moretti, Habemus Papam, bateu todos os recordes: depois de ter todos os seus horários modificados, o filme finalmente teve uma sessão marcada de última hora para hoje, às 22h30. No entanto, ao começar a projeção, algumas surpresas: a janela estava incorreta e as cores estavam completamente alteradas, transformando o vermelho num pálido laranja, por exemplo. Ah, sim: e não havia som. Depois de três minutos, o áudio foi finalmente ligado, mas o projecionista não se preocupou em reiniciar o filme.

Até que, claro, os primeiros diálogos em italiano foram ouvidos e as legendas em português ou inglês não apareceram. Vaias. Gritos de protesto. Os problemas acumulavam-se. Perdido, o projecionista mudou a janela e as cores, acertando-as, mas em seguida retornou tudo ao formato aleijado que havíamos visto anteriormente. E reiniciou a projeção.

E mais uma vez… nada de legendas.

O público enlouqueceu. 

Eis que, então, o gerente da sala (ao menos, não estava usando a camisa da Mostra) entra para explicações e já solta um “Desculpa, gente!” com um tom mais agressivo do que penitente. Várias pessoas na platéia começam a protestar com relação aos problemas e, neste momento, inacreditavelmente, o sujeito grita num tom raivoso:

– Vocês podem fechar a boca pra eu poder falar?!?!?

Recapitulemos: a sessão foi aberta na última hora, começou sem som, estava com a janela incorreta, trazia as cores completamente alteradas e não exibia legendas. E foi iniciada duas vezes. E, ainda assim, o gerente achou por bem mandar o público, naturalmente nervoso, calar a boca. Um verdadeiro diplomata.

É claro que sua atitude impensada (eufemismo para “profundamente estúpida”) só jogou gasolina na fogueira – e um homem de meia-idade chegou a descer os degraus até o gerente para encará-lo de perto, quase iniciando uma briga. Finalmente, depois de muita confusão (parte da qual registrei nesta foto – reparem a cor da túnica supostamente vermelha na tela), fomos informados de que a sessão prosseguiria.

Sem legendas.

Resultado: como a exibição do próximo dia 27 já encontra-se esgotada, as opções para assistir a Habemus Papam na Mostra se tornam limitadas. E quem deixou de conferir outros filmes para ver o novo de Moretti (como eu) fez uma aposta mal sucedida.

Os responsáveis pela Mostra precisam urgentemente fazer uma reunião de emergência para resolver este caos. A História da Mostra de São Paulo não merece a mancha na qual esta edição vem se transformando.

postado em by Pablo Villaça em Premiações e eventos

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