Crônica de um Golpe Anunciado

Com a queda brutal de José "Zelig" Serra nas pesquisas (até o Datafoxlha foi obrigado a conceder um "empate"), a oposição entrou em desespero – especialmente ao descobrir que nada menos do que 25% dos que declaram intenção de voto no candidato dizem que votarão em quem Lula apoiar como sucessor (e inacreditáveis 10% dos "eleitores" de Serra acreditam ser ele o candidato de Lula). Em outras palavras: as chances de Dilma vencer no primeiro turno se tornam cada vez maiores.
 
Com isso, a primeira decisão dos demo-tucanos ("demo" é redutivo de "democratas", o nome que o PFL resolveu adotar depois de perceber que a denominação anterior já era sinônimo de corrupção moral) foi a de tentar impedir, de todas as formas,  que Lula participe mais ativamente da campanha, já que, assim, não poderia declarar seu apoio oficial a Dilma. Para isso, basta o Presidente espirrar que a oposição entra com recurso no TSE, que, seguindo a cartilha neoliberal, já aplicou quatro multas a Lula.
 
Enquanto isso, Serra aparece em programas eleitorais do DEM em vários estados – algo expressamente proibido pela Lei Eleitoral, que impede que um candidato use espaço de outro Partido na televisão – e nada é feito. Ao contrário: já está anunciado que ele aparecerá em programas futuros do DEM e do PTB e absolutamente nada é feito, mesmo com o PT entrando com queixas oficiais no TSE. E o incrível é que Roberto Jefferson, presidente do PTB, chegou a dizer com todas as letras que "a produção é do Serra. O programa é para o Serra, quem produz é ele". Inacreditável.
 
(E antes que eu alguém use a justificativa de Jefferson na entrevista para a "legalidade" da propaganda, copio o Tijolaço: "Não (é legal), não. O programa do dia 24 de junho é de propaganda partidária, não de
propaganda eleitoral,
como está claramente expresso na Instrição n° 131 do TSE, relatada
pelo Ministro Arnaldo Versiani. A convenção para a escolha de
candidatura é um ato eleitoral e é evidente que sobre sua divulgação
extra-partidária, de massa, aplicam-se as limitações da lei eleitoral,
por óbvio, mas também as da propaganda partidária comum.")
 
Porém, já temendo que nada disso bastará, a oposição, apoiada pela Velha Mídia reacionária, já começa a plantar as primeiras sementes de um golpe: em entrevista à Foxlha, a vice-procuradora-geral eleitoral Sandra Cureau, disse que a "quantidade imensa de coisas" que observou na campanha de Dilma a levam a apontar a possibilidade de indeferir o pedido de registro de sua candidatura ou mesmo de não diplomá-la caso eleita.
 
E o Noblat, primo pobre de Reinaldo Azevedo, imediatamente soltou em seu blog uma provocação, sugerindo que impugnar Dilma seria "um ato de coragem".
 
Desenha-se, assim, a primeira sugestão de um golpe no tapetão. Que, se confirmado, ao menos servirá para uma coisa: mais um "terrorista" nascerá em minha família.
 
Update: Para quem ficou com preguiça de clicar no último link e preferiu enviar email me condenando por declarar minhas "intenções criminosas": se a eleição for definida no tapetão, ignorando a vontade popular, é obrigação daqueles que defendem a democracia ir para as ruas e protestar. Fato.
postado em by Pablo Villaça em Política

78 Respostas para Crônica de um Golpe Anunciado

Adicionar Comentário