Blog, twitter, etc, repensados

Eu não dou conta.

Eu simplesmente não dou conta.

Escrever é algo que faço desde sempre. Aos sete anos, escrevi meu primeiro "livro" – na realidade, uma historinha besta que ocupou 30 páginas de um caderninho, mas que para um garoto daquela idade tinha a dimensão de Os Lusíadas; aos 12, passei a editar o jornalzinho do Colégio Santo Agostinho 3; aos 15, escrevi um livro que, embora jamais tenha visto a gráfica, era suficientemente satisfatório para que eu percebesse que gostaria de colocar palavras no papel durante toda a vida.

Há alguns meses, escrevi no twitter algo como "Às vezes, lembro de como sonhava um dia poder ganhar a vida escrevendo e sinto uma vontade tremenda de voltar no tempo para compartilhar com meu eu jovem a boa notícia de que o sonho se realizará". Pois lembrei disso hoje e percebi mais uma vez como posso me considerar um felizardo: depois de largar a Medicina para investir num site de Cinema numa época em que a Internet engatinhava, eu tinha tudo para esborrachar a cara na parede da realidade. No entanto, quase 13 anos se passaram e aqui estamos nós. 

Sim, "nós". Porque, como digo sempre no curso, quem escreve quer ser lido. E consegui isso não só no Cinema em Cena, um dos mais acessados do gênero na web brasileira, mas também aqui no blog e no twitter. Mas não só isso: os leitores que me seguem há tanto tempo são, em sua maioria, extremamente carinhosos e gentis. Ler os cerca de 200 comentários deixados no penúltimo post é o suficiente para constatar isso, mas, como se não bastasse, recebi também uma imensa parcela de emails escritos com uma delicadeza ímpar. Emails longos, apaixonados e tocantes.

Da mesma forma, no Twitter, a manifestação geral foi de puro carinho, embora, aqui e ali, um ou outro tenha soltado um "tomara que se largue a crítica também" – e se certificado de incluir o "@pablovillaca" para que eu pudesse receber a ofensa em minha janela de mensagens pessoais (que gentileza, não?).

Porém, tão importante quanto este carinho é o fato de que eu simplesmente adoro escrever. Não sou um sujeito introspectivo que costuma ficar calado no dia-a-dia (e quem me conhece sabe que falo como um louco), mas manifestar-me pela escrita traz um prazer diferente, a sensação gostosa de estar selecionando cuidadosamente cada palavra para que a ideia possa ser manifestada com a máxima eficiência. Aliás, dizer que gosto de escrever é pouco – eu preciso escrever.

Nos últimos dois ou três dias, enquanto me neguei de forma masoquista estes espaços, senti que minha alma entupia. Via ou pensava algo que julgava interessante e logo começava a visualizar um post ou uma twittada. E então me lembrava de que estes veículos estavam fechados e sentia que ia explodir.

E é exatamente por isso que também concluí que parar de escrever sobre assuntos que me interessam ou incomodam, como política, religião e preconceito, seria uma estupidez. Não construí este espaço ao longo dos anos apenas para vê-lo ser pautado pelos interesses de alguns poucos insatisfeitos. Assim, se você não gosta desse tipo de tópico, minha sugestão é a de que concentre suas visitas no Cinema em Cena e no @cinemaemcena. Este blog e o perfil @pablovillaca são meus, pessoais, e neles falarei sobre o que bem entender. Justo, não? Afinal, como posso deixar de comentar a descoberta de que o PSDB está por trás de sites como "gentequemente" e "petralhas" – isto numa campanha na qual insistem em dizer que não são oposição ao Lula, que fez um bom governo, e na qual anunciam publicamente que não apelarão para baixarias? Como posso ignorar que Lula foi eleito pela TIME um dos homens mais influentes do mundo, mas que, embora encabece a lista, que não está em ordem alfabética, de idade nem nada assim, a Foxlha logo se encarregou em dizer que, embora esteja no topo, ele "não é o número 1" – num esforço claro de tentar diminuir a distinção alcançada pelo Presidente? Fosse um tucano na, sei lá, décima posição e o grupo Abril emplacaria manchetes do tipo "Serra entre os primeiros do mundo!". Como é Lula, porém, se matam na tentativa de tentar diminuir a honraria.

Não dá para ignorar estes temas. Minha família de "terroristas" (como diriam VEJA e Foxlha) lutou demais para que eu finalmente tivesse o direito de me manifestar publicamente e não vou jogar seus esforços e o de tantos outros "subversivos" no lixo apenas porque cansei de ler ofensas.

Assim sendo, peço desculpas pelo "drama" dos últimos dias. Um dos problemas de se ter um blog ou uma conta no twitter é esse: quando você é uma pessoa já de natureza impulsiva, corre o risco de desabafar publicamente quando alguns dias de reclusão seriam o bastante para esfriar a cabeça.

Cabeça já fria, mãos de volta ao teclado.

postado em by Pablo Villaça em Editorial, Twitter, Variados

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