VEJA: Filhote Ideológico do DOI-CODI

Nojo.

Raiva profunda.

Vontade de socar.

Reações viscerais que eu gostaria de conseguir eliminar do meu temperamento, mas que simplesmente me dominam quando vejo canalhas como Reinaldo Azevedo, uma desgraça com genoma humano, tentando criar uma imensa controvérsia em cima de uma foto trocada.

Para quem não sabe, o site oficial de Dilma Rousseff exibia, em certo ponto da página, uma montagem que trazia três fotos: Dilma criança e na atualidade e, no meio destas, uma mulher em passeata contra a Ditadura. Pois bem: a mulher era Norma Bengell, não a candidata à sucessão de Lula.

Um erro? Sem dúvida alguma. Mas seria isto algo grave? Sim, seria – caso o site tivesse usado a imagem para passar a impressão de que Dilma Rousseff participou de protestos do tipo sem que isto fosse verdade, numa lógica do tipo "Hum… Dilma era revolucionária de mesa de bar. Nunca fez nada de fato. Falou muito, mas não fez nada. Não seguia o que pregava. Então vamos tentar enganar a população e usar uma dublê! Yes!".

No entanto, para uma direita desesperada em vender seu candidato (José Serra), qualquer factóide é útil para criar uma tempestade onde só existe orvalho. E assim, vira-latas raivosos como o colunista/blogueiro de VEJA foi acionado para criar posts nos quais usa a foto errada como desculpa para acusar Dilma de ser… stalinista!

Sim: aparentemente, usar a foto de Bengell no site é o equivalente ao costume de Stalin de apagar desafetos políticos de fotos oficiais para mudar a História. Claro que uma coisa não tem absolutamente nada a ver com outra, mas para o exército de imbecis que seguem as palavras de Azevedo como algo sagrado, é o bastante para que testemunhemos um espetáculo de ignorância e ódio nos comentários do blog do calhorda-mor. Tentar dizer que a imagem de Bengell no site de Dilma é uma "fraude" ou algo minimamente significativo seria o mesmo que alegar que o fato de Serra ter comentado o jogo do Santos em uma rádio paulista deveria ser investigado como uso da máquina estatal, já que a rádio em questão tem concessão pública. Besteira (mas que, em teoria, seria bem mais grave do que uma foto trocada).

Mas o que mais me espanta nisso tudo é perceber como a direita, representada com orgulho por VEJA, vem lutando para transformar a história pessoal de luta de Dilma Rousseff contra a Ditadura em algo "vergonhoso", "reprovável". Inventam ações das quais ela não participou, atribuem a ela papéis que não desempenhou e ignoram os atos reais e admiráveis que ela protagonizou naquele período trágico da história de nosso país. 

Para VEJA, os inúmeros torturados, mortos e desaparecidos graças às ações dos militares brasileiros são "terroristas", são homens e mulheres que mereceram o destino que tiveram. Afinal, de acordo com a irmã de sangue da VEJA, a Foxlha, aquele foi um período de "Ditabranda" – algo menor, sem conseqüência.

Claro que basta folhear o "Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)" (link) para ver que a única coisa "branda" nesta história toda é a concentração de humanidade e ética nestes veículos.

Já disse e repeti isso aqui várias vezes: venho de uma família que combateu os militares. Tive parentes presos e torturados – e estes tiveram grandes amigos que morreram nas mãos dos militares. Se ter combatido a Ditadura agora faz de alguém um "terrorista", bom…

… então devo dizer que sou membro orgulhoso de uma família de grandes terroristas.

postado em by Pablo Villaça em Política

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