Lost S06E05

(Spoilers ahead.)

Então os números finalmente foram explicados. 

O quê? Não percebeu? Ou não ficou satisfeito? É, creio que era inevitável que muitos ficassem decepcionados com a explicação sobre os números, independentemente de qual fosse esta. De minha parte, creio que ela é suficientemente satisfatória para aplacar minha curiosidade: 108 números, 108 candidatos. Cada número, um grau no farol permitindo que Jacob monitorasse seu dono à distância. Os seis números mais importantes (4-8-15-16-23-42) são, obviamente, aqueles relacionados aos personagens-candidatos da série e cujos nomes já haviam sido listados lá no início, durante a segunda temporada – além de, claro, montarem uma seqüência que, somada, leva a 108, o que é elegante.

Assim, é natural que este episódio tenha sido escrito por Carlton Cuse e Damon Lindelof e dirigido por Jack Bender, já que, do ponto de vista da mitologia de "Lost", é um dos mais importantes justamente por responder a uma das questões mais fundamentais da série.

Dito isso, a idéia das dimensões paralelas, embora excelente em conceito, vem se revelando uma decepção. Porque o fato é que simplesmente não dou a mínima para a relação entre Jack e seu filho. E sabem por quê? Porque eu acabo de conhecer o personagem depois de cinco anos de série!

Esta é a falha básica das dimensões paralelas adotadas nesta sexta temporada: o que ocorre no universo no qual o Oceanic 815 não caiu é desinteressante e frágil, do ponto de vista dramático. Depois de investirmos todo esse tempo na série, queremos saber o que acontece com os personagens que conhecemos, não com aquelas versões recém-apresentadas. Oh, então Jack cruzou pelo japonês Dogen no recital do filho?! Hum. Três palavras: quem se importa?

Já a idéia de Claire como uma nova Rousseau é simplesmente estúpida. Claire jamais foi uma personagem particularmente interessante e, sinceramente, foi bom vê-la fora da série. O problema é que, ao trazê-la de volta, os roteiristas sentem a necessidade de justificar seu retorno, o que nos condena a passar mais tempo com a moça. Frustrante. Mas este nem foi o maior tropeço do episódio, já que a cena em que Jack e Kate se encontram ao acaso na floresta não só se revelou completamente descartável (e não há tempo a perder nesta sexta e última temporada!), como ainda soou simplesmente absurda.

Mas ao menos os números foram explicados. E isso, convenhamos, já é muita coisa.

P.S.: Vira e mexe, alguém comenta que Lost tem pendores racistas. Michael, Walt, Mr. Eko, Rose, Abbadon, Naomi… todos foram relegados ao esquecimento, a quase figurantes, ou simplesmente assassinados pelos roteiristas. Bom… com o que ocorre no episódio de hoje, os realizadores da série não ajudaram muito a própria defesa.

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê

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