Maratona Rob Schneider

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Twitter | 16 comentários

Já aviso que as próximas 5-6 horas trarão tweets sobre os filmes de Rob Schneider como parte da promessa que fiz de vê-los. Os links trazem capturas de tela relacionadas aos tweets.

E… Play.  http://t.co/WsZkE7Golg

Oh, boy. http://t.co/ZZTkid9nn4

Ok, eu ri do terceiro “thank you for last night”. Talvez não seja uma experiência tão ruim.

Mas é claro que Schneider ainda não tinha aparecido.

Aí Schneider apareceu e um golfinho mordeu o penis de um cara. Claro.

Maravilha. Uma “piada” envolvendo pedofilia.

Agora uma piada xenófoba. E outra objetificando mulheres. Enquanto Schneider fala sozinho.

Ok, cadê aquele golfinho? Preciso de uma mordida. Seria mais divertido, aposto.

HAHAHAHAHA. Piada sobre como asiáticos têm pênis pequenos! Que original!!!

Faltava uma piada homofóbica. Não falta mais.

Deveria ser proibido um filme com Rob Schneider usar uma música como Nights in White Satin.

Ah, Jeroen Krabbé. O que está fazendo nesse filme?

Mais piadas homofóbicas. Schneider não é só sem graça; é também um babaca.

Hahaha. Ele está usando uma peruca engraçada inspirada em Don King! Que hilário! Nunca ri tanto! http://t.co/74fYsZ9ecM

Segunda piada envolvendo asiáticos e penis pequeno. Porque a primeira foi tão boa.

Norm McDonald parodiando Robert Shaw em Tubarão. Gosto de McDonald, mas o texto é horrível.

Caretas. Se você não é Jerry Lewis, nem tente. http://t.co/knMtUCGq1j

Agora fazendo graça de uma mulher obesa. E a chamando de “baleia”. Uau.

Um gato abocanhou o penis de Eddie Griffin. Apenas para este gritar “Bad pussy!”. Inacreditável.

Schneider atacando quem critica a política externa dos EUA. E retratando todo estrangeiro como caricatura grotesca.

É por isso que detesto Adam Sandler e Rob Schneider. Comediantes sem graça são toleráveis; quando também canalhas, não dá pra perdoar.

O filme é tão picareta que uma personagem com traqueostomia que usa eletrônico para falar em certo momento fala sem usá-lo.

Mais homofobia. E quantos atores ruins. Alguém me mate.

Uma mulher com um penis no lugar do nariz e que espirra sêmen. Ah, o humor sofisticado de Rob Schneider.

Piada com anão. Claro.

Ah, promessa desgraçada. Ah, promessa sem jeito.

Trocadilhos com nome: Bundapopoulos. Nível Casseta & Planeta. Schneider seria PERFEITO para o grupo.

Uma ponta de Adam Sandler. Estava faltando. Oh, Deus.

TERCEIRA piada envolvendo asiáticos e penis pequeno.

Agora o filme diz que é preciso tratar as mulheres com sensibilidade em vez de encará-las como objeto. Depois de fazer isso por 80 minutos.

Opa, ainda deu tempo de encaixar uma QUARTA piada sobre asiáticos e pênis pequenos.

Fim do primeiro. Faltam dois. Não acho que vou conseguir.

Não tinha cena pós-créditos. Vamos ao segundo: http://t.co/gyrvXMsxp5

(Já perdi 9 followers.)

Um minuto de filme e Napoleon Dynamite come uma meleca.

Dois minutos e um personagem peida na cara de outro. Que maravilha de experiência, essa maratona.

Três minutos e uma piada envolvendo diarreia. Estes serão os 85 minutos mais longos da minha vida.

PQP, David Spade. Tudo pode ficar pior.

Outra “piada” envolvendo meleca.

Agora fazem piada com um garotinho obeso. Observem os padrões no “humor” de Schneider.

Segunda vez que um personagem peida na cara do outro. Em DOZE minutos de filme.

Assim como em Gigolô 2, o filme acredita que perucas podem gerar boas piadas. Mais padrões. http://t.co/3HdhZks83p

Agora “piadas” envolvendo nomes de personagens. Mais padrões. http://t.co/Jd1QDldVux

Jon Lovitz. PQP. A quadrilha está quase completa. Faltam Sandler e Kevin James.

Em Gigolô 2, Schneider leva um chute no saco. Em Benchwarmers, Spade leva pedrada no saco. Padrões.

Piada homofóbica. Rob Schneider é mesmo um AUTOR.

Benchwarmers tem um personagem que, quando irritado, aperta os mamilos dos outros. HILÁRIO. Estou com dores de tanto gargalhar.

Tim Meadows. Todos os refugos do Saturday Night Live estão no filme.

Um ator mirim pavoroso. Claro. Por que fazer algo que respeite o espectador?

UOU. O diretor dessa porcaria saltou o eixo umas 300 vezes agora numa única cena. Não sabe o BÁSICO de direção.

Mais uma piada homofóbica. Fuck you, Rob Schneider.

Há uma piada recorrente em Benchwarmers envolvendo Jon Heder arremessando tacos de baseball. Não funcionou na 1a vez e já repetiram umas 10.

Terceira piada homofóbica do filme. E eu sigo perdendo followers. #injustiça

Ha! Velhinhos frágeis são ridículos e engraçados! Vejam o velhinho com seu andador e falando bobagem. HAHA! http://t.co/3MjcTGS3iT

Pra mostrar que há muitas crianças empolgadas com o time, o diretor usa tela dividida. Mas vejam a preguiça: usa o mesmo cenário para varias crianças (reparem o fundo vermelho) e REPETE varias crianças só mudando o ângulo. Picaretagem. http://t.co/Hf3cLvknkI

Com quase UMA hora de filme, roteiro sugere segredo no passado do protagonista pela primeira vez. Uau. Que estrutura bem montada.

Ok, ri uma vez quando o sujeito apresenta carteira de identidade falsa dizendo que tem 12 anos.

Brian Doyle-Murray. Outro refugo do SNL (e irmão menos conhecido de Bill).

E como a piada da carteira de identidade funcionou, repetiram um minuto depois. Mas aí não dá.

Terry Crews. Nem ele funciona. E quando nem Terry Crews funciona, não há esperança.

Piada de anão. Assim como em Gigolô 2. A autoralidade de Schneider é inquestionável.

Com uma hora de filme, roteiro sugere segredo na vida do protagonista. Quinze minutos depois, revelam o segredo. Estrutura ZERO.

Outra piada de anão. Aliás, nem é piada. Apenas colocam um anão em cena e esperam que o espectador comece a rir.

Piada com Campo dos Sonhos. Ok, a questão agora é pessoal.

Caramba, estou sangrando followers. Rob Schneider é tóxico. Eu avisei para filtrarem a hashtag. Tsc.

“A vida é muito curta pra guardar rancor”, diz um personagem. Provavelmente se desculpando pelo filme.

“Também quero um anão”, pede um personagem. E alguém lhe entrega um como se fosse um objeto de cena.

O pior é que dá pra ver claramente que o ator anão se encontra desconfortável em cena. Terrível.

Segundo filme terminado. Falta um. Mas antes vou comer uns pães de queijo pra ver se o enjoo passa.

Vou de Big Stan, estrelado, produzido e DIRIGIDO por Rob Schneider. Antes do título aparecer, o filme já fez “piadas” racistas e misóginas. Um recorde. http://t.co/awEVEw2jpI

Assim como em Benchwarmers, a esposa de Rob Schneider em Big Stan insiste em ter filhos enquanto ele tenta evitar.

Porque mulheres são criaturas que só querem saber de bebês e de tentar tirar a liberdade dos pobres homens com os quais se casaram.

Ah, piada envolvendo estupro. Que assunto divertido.

E pelo terceiro filme consecutivo, “piadas” homofóbicas. Rob Schneider, o autor.

Os 15 primeiros minutos de Big Stan são dedicados quase exclusivamente a referências sobre estupro e sexo anal. Comédia 10!

Adivinhem só o que apareceu com 18 minutos de filme? Um ator anão. Três filmes consecutivos, três anões. Rob Schneider, o autor.

Jennifer Morrison e David Carradine. Pobrezinhos.

Ri mais lembrando de como o pobre David Carradine morreu do que dos três filmes vistos até agora. (Foi uma risada de pena, juro.)

Uau. Nem a infalível “That’s what she said” funciona quando saindo da boca de Rob Schneider.

Depois de 30 minutos de piadas sobre estupro, Rob Schneider passa simplesmente a gritar “Estupro!” várias vezes. Juro. Mesmo.

Vejam o cuidado de Schneider como diretor: nem se preocupa com a qualidade da mão falsa usada em cena. http://t.co/eJZLffaGZd

Sem qualquer motivo, Rob Schneider move a câmera para mostrar uma estátua chinesa. É tão ruim como diretor quanto como comediante.

Uau! Schneider bateu recorde agora. Num plano, ele diz “Why?”. Corta. O plano seguinte repete só o FINAL da pergunta “…ai”?

Nem a MIXAGEM de Big Stan presta.

E o pobre M. Emmet Walsh também está nessa merda.

NUNCA MAIS PROMETO NADA NESSA VIDA.

“Piada” envolvendo peido. Ha-ha-ha.

Não!!!! Scott “Hershel” Wilson, não!!!! :(((( Por que está nesse filme, Hershel?!?!

Poxa, Henry Gibson. Como é triste ver tanta gente boa nessa merda.

Rob Schneider não consegue fazer nem uma piada sobre a Cientologia, um alvo facílimo, funcionar. Que gênio.

Um nazista usa a palavra “crioulo” e Schneider o nocauteia pelo racismo. Em seguida, é atacado por e nocauteia uns 20 negros. Juro.

E nem se dá conta do racismo da cena que acabou de dirigir. Inacreditável.

Estava faltando a cena em que alguém é atingido no saco. Claro.

Ah, o velho e bom estereótipo racial. Big Stan tem tudo para o fã de Danilo Gentili.

70 minutos de filme e o papo ainda gira em torno de estupro. E agora tenta fazer piada com molestadores de criança. Juro.

O mais ofensivo é que Schneider faz um discurso sobre respeitar mulheres e gays. Enquanto fazendo piadas misóginas e homofóbicas.

“Bom discurso” “Você achou? Acho que deveria ter incluído uma piada ou duas”. Poderia ser um diálogo metalinguístico de Big Stan.

“Piada” envolvendo pedofilia. E, de novo, estupro.

Minha parte favorita de Big Stan: Rob Schneider levando uma surra. Se o filme tivesse só isso, seria perfeito.

90 minutos de filme alcançados. E adivinhem o que surge? Uma piada envolvendo tentativa de estupro!

Agora dois personagens apertam os mamilos um do outro. Tinha isso também em Benchwarmers. Schneider, o autor.

Rob Schneider fez Big Stan só pra poder aparecer como durão, aposto. As cenas de luta nem TENTAM fazer humor.

Ah, uma piada final envolvendo estupro. Por que o filme não foi intitulado apenas como The Rape?

E, com isso, termino de pagar minha promessa. Perdi 39 followers no processo. Peço desculpas aos demais.

A Carta

postado em by Pablo Villaça em Variados | 37 comentários

“A depressão é a mais persistente das amantes. Depois de anos e anos de convivência, ela parece ainda determinada a permanecer na vida de seu companheiro por mais que este a rejeite, a tema e a combata. Mesmo quando se afasta por um longo período, insiste em manter os olhos sobre o amado esperando qualquer sinal de hesitação para retornar e envolvê-lo num abraço inesperado, intenso e saudoso. Por outro lado, sua partida jamais é tão facilmente conquistada: ela se debate, se revolta e finge que vai apenas para voltar durante a madrugada e te surpreender quando, ao acordar, se descobrir abraçado a ela.

Abrir os olhos e constatar o retorno daquela amante é um choque que, de tão comum, deveria deixar de ser choque e se transformar em resignação – caso resignar-se não fosse também condenar-se.

‘Por que você quer dormir tanto?’, já me perguntaram inúmeras vezes. O que não entendem é que não quero dormir; apenas não quero permanecer acordado. Cada minuto de consciência são 180 segundos de dor – e se a matemática parece incorreta, é porque não conhece a lógica temporal da depressão.

‘Mas por que você se entrega?’ ‘Faça um esforço.’ ‘Olhe as coisas boas da vida.”

Não me entrego, faço e olho. A depressão não é uma escolha maior do que a orientação sexual. Ninguém escolhe ser hetero, homo ou bi; você olha para alguém e sente tesão. Ninguém escolhe ser deprimido; você se olha e sente-se vazio. Oco. Mas um oco inflamado, de carne viva, supurante.

As frases se tornam incompletas, mas revelam o mundo em sua insistência em transformar transitivos diretos em indiretos, em interromper sentenças que deveriam continuar. Não sei se, mas queria que. Ponto.

A própria vida, aliás, é repleta de pontuações. Já tive amores que foram vírgulas, reticências, pontos de interrogação ou exclamação. Todos doeram igualmente até que me convenci de que deveria buscar pelo calmo e definitivo ponto final. O ponto final não tenta chamar a atenção sobre si mesmo e nem complica, tentei me convencer. É forte, encerra a sentença, mas é sereno em sua simplicidade. Eu poderia passar algumas noites com dois pontos, sem dúvida, mas perseguia o ponto final. Que sempre ficava para o parágrafo seguinte, a página seguinte, o capítulo seguinte. E quando parecia surgir, logo revelava-se um ponto-e-vírgula que desafiava e feria.

Se a vida é um livro, como insistem alguns, tive páginas viradas, páginas iniciadas, páginas relidas e páginas arrancadas. Mas sempre me redescobria relendo passagens doídas e revisitando frases que considerava lidas e esquecidas.

Da mesma maneira, há amores que são incuráveis. Podem permanecer assintomáticos por um longo tempo, mas vez por outra entram em fase aguda novamente. Por um bom tempo, acreditei que estas reincidências ocorriam graças ao HIV da depressão, que me tornava imune a amores oportunistas, mas depois percebi que esta é uma síndrome comum a todos que já amaram.

Já a depressão é uma aflição ímpar. Muitas vezes, ao ver uma imagem particularmente melancólica retratada em preto-e-branco e exibindo figuras em um passado inespecífico, mas claramente dolorido, senti que haviam fotografado meu coração. Não sei se este é um sentimento comum e duvido que seja. Se for, lamento por todos; se não for, lamento por mim.

Caso ainda não tenha percebido, esta é uma carta de despedida. A assinatura que a encerrará é a de um suicida, a de alguém que não estará mais respirando quando você a ler. Os músculos empregados para grafá-la já se encontram rígidos e em breve serão destruídos pelo fogo do crematório.

Sim, eu sei. Que ato covarde. Não me iludo quanto a isso. Não me verá defendendo o suicídio como algo que exige “coragem”. O suicídio de um indivíduo deprimido não exige mais coragem do que a eutanásia de um paciente terminal. Pelo contrário, penitencio-me por minha covardia. Minha desistência diante da dor deixará, atrás de si, um rastro de novas dores. Mas como esta dor irá torturar outros que não eu, posso viver com isso. Com o perdão do mórbido trocadilho e do egoísmo reprovável.

Sempre encarei a vida como uma rua sem saída de mão única. E repleta de frequentes quebra-molas. Neste aspecto, digamos apenas que passei por um deles mais rápido do que deveria e quebrei algo fundamental para a continuação da jornada. Se a altura deste quebra-molas tornou-se maior em função da deficiência de um neurotransmissor específico ou de minhas fragilidades como indivíduo, não sei. Possivelmente uma combinação de ambas. Mas o estrago revelou-se irreparável. Cada novo quilômetro percorrido foi vencido às custas de um esforço avassalador. A depressão não tem pit-stop – ainda que, mantendo a metáfora atrapalhada, constantemente erga uma bandeira amarelada que grita para que todos ao redor do corredor acidentado caminhem mais devagar e prestem atenção à colisão.

As lágrimas constantes são, de certa forma, esta bandeira amarela. O choro, aliás, é um mecanismo curioso: por que nossos olhos vertem água quando estamos tristes? A explicação biológica é a de que as lágrimas provocadas por um choro dolorido trazem constituição química diferenciada, eliminado hormônios relacionados ao estresse e, consequentemente, aliviando o organismo daquele fardo em nível molecular. Já psicólogos encaram o choro como um pedido de atenção e socorro – algo corroborado por evolucionistas, que o estabelecem como um mecanismo empregado para deixar clara a submissão dos frágeis diante dos predadores, o que tornaria mais provável sua sobrevivência em função da falta de perigo sugerida pelo choro.

Já minhas lágrimas são habitualmente reveladas quando estou sozinho. Não são, portanto, um mecanismo de sobrevivência; apenas uma constatação de minha falta de preparo para a mesma. Se eliminam químicos relacionados ao estresse, falham em descartar também aqueles ligados à autopiedade e ao desespero.

Ou talvez eu esteja sendo condescendente comigo mesmo. Muitos perderam pais, amores, carreiras e sobreviveram. Minha incapacidade de fazer o mesmo é um reflexo inclemente de meu caráter, temo.

O que me traz aos comprimidos que acumulei ao longo dos últimos dez meses e que, calculo, serão o bastante para me libertar. Há algo de belo nesta rima, convenhamos: a mesma química que me condenou irá possibilitar minha fuga. Não uma fuga graciosa ou elegante, reconheço. Ser descoberto como um cadáver frio num quarto de hotel em uma cidade distante é algo que exclui dignidade – e aqui aproveito para desculpar-me, penitente, à camareira ou ao gerente que, movidos pela inexplicável ausência de respostas, abriram a porta e se descobriram diante de um pedaço de carne antes ocupado por uma personalidade: espero que possam eventualmente esquecer o choque. Consolem-se sabendo que pouparam dor pior a um policial anônimo que eu intencionava levar a me assassinar diante da sugestão de estar armado e pronto a matá-lo.

Tsc.

Não pensem que não percebo a tolice de tudo que eternizei nos parágrafos anteriores. Percebo. E saibam que reli cada frase na esperança de que a vergonha por redigi-las me demovesse do que vem a seguir. Mas a dor é maior que o embaraço – e isto deveria ser o suficiente para que constatasse a dimensão do vazio que move minha mão até o frasco e deste à minha boca. Dez comprimidos. Vinte. Trinta. Quarenta. Se uma pílula garante oito horas de sono atipicamente tranquilo, cinco dezenas asseguram o fim do tormento que retorna assim que o sono chega ao fim. A escolha é óbvia, não?

A vida é como uma viagem de avião: sempre amei a decolagem, considerei o voo em si entediante e temi o pouso depois de ler que era a parte mais perigosa da jornada – e o paralelo é claro, já que a parte inicial de nossa passagem por este planeta é excitante e repleta de descobertas à medida em que vemos o mundo a partir de uma nova perspectiva que, com o tempo, se torna monótona e cansativa até culminar num desfecho que traz a possibilidade cada vez maior de uma destruição iminente e súbita.

A diferença é que, aqui, sou o único piloto e o único passageiro – e o compartimento de bagagens traz apenas malas e malas de memórias que insistem em corroer a fuselagem do avião, garantindo a impossibilidade de um pouso doce.

E o que me dói é saber é que há pessoas que amo esperando minha aterrisagem. A estes, peço sinceras desculpas e espero que compreendam que tentei, por mais de quatro décadas, encontrar uma maneira de me manter voando.

Lembrem-se, meus amores: saudade é algo que não se mata; se abraça.

Abracem-me. Abracem os risos que experimentamos, as graças que fizemos e as conversas que tivemos. Lembrem-se do meu rosto sorridente, não daquele que infelizmente viram na maldita caixa de madeira que emoldurou meu cadáver. Lembrem-se da minha voz, dos meus escritos, dos meus tweets, dos meus posts estúpidos no Facebook e de cada like que dei nas bobagens que vocês escreveram e que, sim, me divertiram por segundos passageiros.

E compreendam que eu teria permanecido presente caso enxergasse alternativa ao que farei assim que dobrar esta carta e acondicioná-la no envelope que será descoberto ao lado do meu cad…”

 

O toque do celular quebrou o fluxo da escrita.

Ele olhou para o aparelho e viu o retrato da filha mais nova que ilustrava seu contato. Por vários segundos, debateu internamente sobre atender ou não a chamada.

– Alô.

– Papai?

– Oi, meu amor.

– Tudo bem?

– … Tudo, princesa.

– Como está a viagem?

– … Como sempre.

– Liguei só pra dizer que te amo muito. E que estou com saudades.

Ele sentiu os olhos se encherem d’água, liberando a química do estresse e seu reconhecimento de vulnerabilidade.

– Também estou com saudades, meu bem.

Silêncio.

– Bom… era isso. Vejo você sábado, né?

– Papai?

– Sim, linda. Você me vê sábado.

– Então tá. Beijo.

– Um beijo.

Desligou o telefone.

Diante de si, quase 1.500 palavras de despedida e justificativas doloridas. E um frasco com 70 comprimidos.

Olhou para o teto do quarto do hotel e respirou fundo.

Seria tão fácil desistir. Tão fácil.

Ah.

Encostou o queixo no peito e fechou os olhos.

Merda.

Pegou as folhas de papel e, depois de quase rasgá-las, optou por dobrá-las e guardá-las no bolso interno do casaco. Cerrou o frasco que encontrava-se sobre a mesa, segurou-o com força e, depois de alguns  segundos, o retornou ao forro da maleta que sempre o acompanhava.

Concentrou-se no rosto dos filhos, embriagou-se e desmaiou sob o chuveiro.

Arte e Humanidade

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê, Variados | 13 comentários

A Arte pode ter natureza estética, pode ser pessoal ou ambas. A primeira tem, como foco, a experimentação com a linguagem e/ou com a plástica. A segunda se concentra na humanidade do artista e daquele que contemplará a obra criada. Criar é compartilhar. Sentimentos, ideias, ideologias, amores ou memórias, mas compartilhar. A mais pessoal das experiências pode ser surpreendentemente universal quando dividida com desconhecidos. Sofri por amor. Temi a morte. Estranhei o indivíduo no espelho. Odiei a mim mesmo.

Você também.

Um bom filme, um bom livro, uma boa música, um bom poema, uma boa peça, uma boa ópera, uma boa performance merecem este adjetivo por tocarem o outro. O que é estéril é esquecível; a boa Arte fecunda pensamentos, emoções e ideias. O sorriso da Gioconda é icônico não por ser antigo, mas por ser instigante. Ela sorri de mim, para mim ou comigo?

O artista se rasga por completo para a apreciação alheia. Expõe a mesma vulnerabilidade que todos tentamos esconder.

Mas há ramos na Arte e níveis de exposição. Um escritor, por exemplo, se expõe profundamente, mas à distância. Cada conto, crítica, livro ou roteiro que escrevo revela muito sobre mim, mas permaneço protegido pelo escudo desta tela ou do papel: fui ouvido sem ser visto. Tenho uma imensa cicatriz no abdômen e esta me constrange (embora represente a memória de minha quase morte), mas você não a enxerga. Acabei de expô-la, é fato, mas sem ter que erguer a camisa. Este é meu limite e, neste sentido, ter escolhido a escrita para me expressar é sintoma também de minha covardia.

Um ator não conta com esta proteção. Um ator expõe seu rosto e seu corpo ao lado de seus sentimentos. Vejo sua lágrima e entendo seu sofrimento. Enxergo suas rugas e reconheço sua mortalidade. O único filtro é o personagem, mas mesmo este habita um corpo real que está ali para nosso consumo. É preciso uma coragem infinita para se expor assim. E uma generosidade idem.

E há, claro, aqueles que se expõem na escrita e no corpo. Louis C.K. é um destes artistas.

Quando comecei a assistir a Louie, série escrita, montada, estrelada e dirigida por ele, esperei ver uma extensão de suas fabulosas performances como comediante stand-up. Esperava rir de experiências cotidianas que, trabalhadas no texto de um cômico talentoso, divertiriam com sua natureza prosaica e tola. Contudo, ao longo dos últimos quatro anos, Louie se tornou muito mais do que uma versão de sitcom; estabeleceu-se como um tratado filosófico sobre a condição humana. Sobre nossas fragilidades e nossas belezas. Sim, ri muito com Louie, mas também chorei. E, nesta quarta temporada, refleti muito sobre quem sou e como experimento certas ansiedades e sentimentos. Aliás, alguns episódios doeram tanto que, confesso, passei a temer pelo próprio Louis C.K.. “Não se mate, por favor”, me vi pensando ao final de certas cenas. E estava implorando isto ao artista, não ao personagem.

Não é à toa que, ao contrário de minhas explorações narrativas sobre Breaking Bad ou True Detective, me vejo com dificuldades de discutir Louie como experiência artística: ao falar sobre certo episódio desta temporada, por exemplo, me flagrei discutindo seus temas e as ideias inspiradas por estes, mal tocando em seus aspectos técnicos e narrativos – e agora, ao assistir aos dois episódios finais da quarta temporada, volto a me surpreender movido a escrever sobre… sentimentos.

Dividindo a cena com a excelente Pamela Adlon, C.K. converte esta hora final em um pequeno estudo sobre como nos entregamos ao outro quando nos apaixonamos e como expomos nossos medos justamente àqueles que detêm, naquele instante, o maior poder de nos ferir. Aliás, se há um tema que unifica este quarto ano de Louie é a busca pelo amor, pelo sentimento compartilhado, e os riscos que esta procura envolve – mas também suas recompensas. Há três ou quatro episódios, por exemplo, ao ter o coração partido pela namorada húngara que retornou ao seu país natal, Louie confidencia sua dor ao médico vivido de maneira estupenda por Charles Grodin e, em vez de ser consolado, ouve um discurso inesquecível sobre a beleza de um sentimento frustrado:

Dr. Bigelow (Grodin): Isto é que é amor. Sentir a falta dela e desejar morrer. Você tem tanta sorte; é um poema ambulante. Você preferiria ser algum tipo de… fantasia? É isso que você quer? Você não percebe que esta é a parte boa, que é isto que tem procurado esse tempo todo? Finalmente você conseguiu o que queria, este doce… pedacinho de amor. Doce, triste amor. E você quer jogá-lo fora. Você entendeu tudo errado.

Louie: Eu achei que esta fosse a parte ruim.

Grodin: Não! A parte ruim é quando você a esquece, quando você deixa de se importar com ela, quando deixa de se importar com tudo. A parte ruim ainda chegará, então aproveite seu coração partido enquando pode. Seu sortudo canalha, eu não tenho meu coração partido desde que Marilyn me abandonou, desde que eu tinha 35 anos de idade. O que eu não daria para ter meu coração partido de novo… Olha, eu não sei bem qual é seu nome, mas você deve ser a pessoa mais entediante que já conheci.”

Que passagem linda. E tão verdadeira. Sofrer por amor é viver. Há algo de terrivelmente comum na felicidade estável. Lembro de meus amores adolescentes e invejo meu eu de 15 anos de idade. Penso em nomes como Alessandra, Fernanda, Bruna, Laura, Luciana, Giovanna e Mariana e percebo que escrevia com mais vigor ao sofrer por elas. Todas marcaram de maneira diferente e permanecem comigo, mas aquela intensidade da dor por perdê-las dissipou-se. Percebo isto e me entristeço.

Assim, ver Louie se apaixonar por Pamela diante da câmera enquanto esta o desafia como homem, profissional e namorado é algo que me encanta. Vê-lo se abrir a ela com sua desajeitada declaração de amor me comove. Vê-la lutar contra os próprios bloqueios para explicar que não consegue verbalizar o que seu coração experimenta me toca.

Mas C.K. vai além. Há muitos episódios, ele explicou sua insistência em manter-se de camisa perto das namoradas, mesmo durante o sexo, por ter vergonha de seu corpo. Havia, ali, algo de claramente autêntico. C.K., o homem, é gordo e desajeitado. Sua sensibilidade e seu caráter não o tornam mais rijo ou musculoso. Doce ou não, sua barriga permanecerá flácida e caída. E ele seguirá embaraçado por isso.

Assim, ao vê-lo despir-se diante da câmera, testemunhei um artista que enfrentou sua maior insegurança para encontrar uma verdade universal. Um artista que se rasgou não só para me divertir, mas para me fazer refletir. E me vi comovido diante de sua coragem, de sua entrega, de sua sensibilidade e de sua honestidade.

Louie, nesta quarta temporada, deixou de ser apenas uma série; tornou-se uma terapia pública para seu criador e um espelho para seu público. Um espelho que refletiu um apelo por amor, compaixão e compreensão.

Refletiu, enfim, nossa humanidade.

Meu Pequeno Cinéfilo – Parte II

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Luca & Nina | 7 comentários

(Para conferir a Parte I, clique aqui.)

– Papai, fui ver um filme ali no Netflix, mas quando expandi a tela, ela ficou quadrada. Está estranho.

Fui ver do que se tratava e, surpreso, percebi que Deixe-me Entrar, rodado em lindo 2.35:1, estava sendo exibido num absurdo 1.33:1 no Netflix – o que, na prática, equivale a cortar mais ou menos 40% da imagem.

– O Netflix alterou a versão do filme. Mudaram a razão de aspecto. – expliquei, já ciente de que Luca, aos 11 anos, já cansou de me ouvir falar sobre formatos de tela.

– Mas por que eles fizeram isso? – perguntou o pequeno, com espanto.

– Não faço ideia.

– Que saco. – ele completou. – Assim nem vale a pena assistir.

Orgulho.

Meu Pequeno Cinéfilo (Não Mais Tão Pequeno)

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Cinema em seu máximo, Curso, Luca & Nina | 17 comentários

Neste sábado, gravei um videocast ao vivo com o objetivo de responder a perguntas dos leitores. (Para ver como foi, clique aqui: falo sobre distinção entre montagem e edição, recomendo livros sobre Cinema e falo de uma antiga promessa.) Depois de concluído o papo, repassei as várias perguntas enviadas através do Twitter e do próprio YouTube a fim de ver quais não haviam sido respondidas – e, entre estas, alguém indavaga qual era o filme favorito de Luca, meu filho de 11 anos de idade.

Esta era uma questão que eu não fazia ao pequeno há muito tempo. Porque as crianças, de modo geral, tendem a eleger como favoritos os filmes que acabaram de ver – ou quase. Nina, por exemplo, já elegeu Alice no País das Maravilhas, O Estranho Mundo de Jack, Como Treinar Seu Dragão, Frozen, A Bela Adormecida, Cinderela e diversos outros – e seu irmão, por sua vez, já se apaixonou por obras que vão de Os IncríveisAlien – O Oitavo Passageiro, passando por De Volta para o Futuro, A Casa MonstroTubarãoPredador (não necessariamente nesta ordem cronológica). Porém, aos 11 anos de idade, ele já assistiu a um número suficiente de filmes para começar a formar seu próprio gosto e, portanto, era hora de repetir a pergunta – cuja resposta me surpreendeu. Sem hesitar, ele disse:

– Cães de Aluguel.

Eu havia apresentado a ele a estreia de Tarantino na direção há meses. E não fazia ideia de que o longa havia provocado uma impressão tão forte no pequeno. Depois de conversarmos um pouco sobre sua escolha, ele perguntou se eu não podia apresentar a ele um novo trabalho do cineasta (eu vinha evitando por considerá-los todos violentos demais; Cães de Aluguel era, de certa forma, o mais contido, e ele também já havia conferido Kill Bill). Assim, como eu estava interessado em rever Bastardos Inglórios há algum tempo, saquei o blu-ray do filme e fomos conferi-lo.

E Luca, mais uma vez, adorou.

– Acho que o Tarantino é meu diretor favorito.

– Ele é um bom diretor para se ter como favorito, meu filho. – comentei. – Mas você descobrirá outros que vão tornar a disputa mais apertada.

A partir daí, fiz o que sempre faço quando assistimos juntos a algum filme: discuti a obra com ele. Falamos sobre os temas, sobre as liberdades históricas (e o que Tarantino queria dizer com estas) e, claro, sobre sua linguagem. E foi então que meu filho fez uma pergunta que me pegou completamente (e mais uma vez) de surpresa:

– Tem um grito no filme que o Tarantino sempre usa. Ele é estranho. Você já notou?

Ele estava falando, claro, do Wilhelm Scream, que em Bastardos Inglórios surge quando, no filme-dentro-do-filme, o personagem de Daniel Brühl mata um soldado aliado.

– Você… reparou o grito?

– Reparei. É porque em Cães de Aluguel, quando o Sr. Pink está correndo na rua, eu tinha ouvido esse grito e achado muito exagerado. E aí, quando vi Kill Bill, no final do primeiro volume a Noiva mata um cara que grita do mesmo jeito. E hoje eu ouvi de novo.

Como pai, confesso, senti meu coração disparar de orgulho. E expliquei a ele a história daquele grito específico e mostrei a ele um clipe que costumo exibir nas aulas do A Arte do Filme: Forma e Estilo Cinematográficos, quando ilustro este efeito sonoro para os alunos. No entanto, Luca ainda tinha perguntas:

– Tá, mas por que o Tarantino usa em todo filme?

Isto nunca havia me ocorrido – e, de fato, nem sei se Tarantino usou o Wilhelm Scream em algum outro trabalho além destes três. Porém, a questão levantada por Luca me deixou feliz por denotar sua compreensão acerca de um princípio que tende a ser ignorado por boa parte dos espectadores: cada decisão tomada por um diretor, por menor que seja, tem um motivo. E ao perguntar por que Tarantino insistia em usar os gritos, Luca buscava uma explicação narrativa, mesmo sem ter consciência da natureza exata de sua inquietação.

Assim que pensei naquilo, porém, a resposta veio instantaneamente. Mas se há algo que aprendi como professor é que, muitas vezes, é melhor permitir que o aluno encontre a resposta sozinho do que entregá-la de bandeja. Com isso, perguntei:

– Lembra que papai já te explicou que todos os filmes do Tarantino são basicamente sobre uma coisa só?

– Lembro. Cinema.

– Hum-hum. E aí?

Ele me olhou por alguns segundos e sorriu.

– E aí que ele usa o grito porque acaba sendo uma brincadeira com Cinema e com a História do Cinema?

– That’s a bingo!

E lhe dei um beijo que certamente vai deixar sua bochecha com um roxo imenso.

Unboxing de Se7en

postado em by Pablo Villaça em Vídeos | 16 comentários

Melhor que uma ideia inspirada é uma ideia inspirada e bem executada. (via Anderson Galdino)

A Importância da História (ou “Eu Lembro”)

postado em by Pablo Villaça em Discussões, Política | 150 comentários

Em uma entrevista concedida há dois dias e cuja leitura recomendo fortemente, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, fez uma observação bastante interessante sobre a postura política de boa parte da população mais jovem:

“Imagina um jovem de 18 anos hoje. Ele não sabe o que foi a era pré-Lula. Até mais. 25 anos. Uma pessoa de 25 anos hoje, tinha 12, 13, quando o Lula tomou posse. O que eles sabem? Quer dizer, se colocou um desafio muito maior, mas temos de conversar com a população sobre o que se avançou. Até para se apropriar dessas conquistas, as pessoas têm de saber o que era o Brasil antes dessas oportunidades surgirem. É um desafio grande. Uma coisa é explicar para uma pessoa de 40 anos o que era o Brasil antes do Lula e outra para uma pessoa de 25, porque ela não viveu. Ela não viveu o desemprego, a inflação, o apagão, falta de oportunidade educacional.”

É uma reflexão fundamental. Como já apontei algumas vezes, tenho ficado chocado com a quantidade de jovens que vêm assumindo uma postura reacionária, claramente de Direita, enquanto regurgitam clichês retóricos típicos das classes economicamente dominantes. Mesmo quando tentam assumir uma postura apolítica (“Não existe mais diferença entre Esquerda e Direita no país”, “Não tenho partido; sou contra tudo que está aí”; “Todo político é ocrrupto”), fica fácil perceber que se trata apenas de uma fachada, já que todas as críticas que fazem dizem respeito ao governo federal – mesmo quando estão discutindo temas subordinados às administrações estaduais e municipais.

Mas, a partir do que ponderou Haddad, me vi movido a indagar se estes jovens são de fato reacionários (algo ainda mais estranho e triste na juventude) ou se apenas não se lembram de como era o Brasil pré-2002.

Porque eu lembro. Lembro do Plano Cruzado com suas donas-de-casa fiscais de preço; do confisco da bolsa; dos apagões de FHC e sua dependência do FMI. Lembro de quando FHC obrigou o país a racionar luz. Lembro da falta de oportunidades na educação pública. Da falta de universidades (que poderia ser pior; já que ele cogitou acabar com as públicas). Lembro da inflação (que tantos dizem que FHC controlou, mas que na realidade subiu descontroladamente no seu mandato).  Lembro da compra de votos pra reeleição (200 mil/deputado). Lembro dos grampos telefônicos na era FHC. Lembro do Engavetador-Geral da União, que, ao contrário do que ocorre hoje, não permitia que as denúncias fossem investigadas. Lembro do vexame da “festa” dos 500 anos. Lembro do 1,6 BILHÃO que FHC deu ao Marka/FonteCindam (e lembro do Cacciola). Lembro do filho de FHC e seu envolvimento com a EXPO 2000. Lembro do massacre no Eldorado dos Carajás. Lembro da dengue descontrolada. Lembro dos reajustes de 580% na telefonia. Lembro do PIB ridículo. Lembro dos mais de 2 BILHÕES de fraude na SUDAM de FHC. Lembro de FHC chamando aposentados de “vagabundos” E o povo brasileiro de “caipira“.

Lembro, enfim, muito bem de como era este país até 12 anos atrás. Esta é a questão: não falo tanto de política porque gosto. Ao contrário: me dá dor de cabeça, me faz perder leitores e me prejudica profissionalmente.

Eu falo tanto de política porque preciso. Tenho dois filhos. Não quero pra eles o Brasil no qual cresci. Não quero retrocesso. E é por esta razão, por saber que tenho tantos leitores jovens, que me sinto na obrigação de passar a eles um pouco do que vivi e testemunhei.

Isso não é ativismo político; é apenas ser responsável como cidadão.

 

Teoria, Linguagem e Crítica – 51a. Edição – João Pessoa

postado em by Pablo Villaça em Curso | 3 comentários

Este ano, visitei duas capitais pela primeira vez com os cursos: Aracaju e João Pessoa. Por um lado, é sempre um prazer conhecer alunos de novas cidades; por outro, produzir um curso pela primeira vez em um local inédito é sempre complicado – algo que ficou patente em função do local que abrigou as aulas e que deixou muito a desejar. Aliás, não foi à toa que resultou na menor nota já dada ao local usado para o curso, numa avaliação com a qual concordo plenamente com a turma, já que era um lugar realmente apertado e com um ar condicionado excessivamente barulhento.

Em contrapartida, foi uma imensa felicidade ver a sala lotada de cinéfilos empolgados e participativos (participativos até demais, diga-se de passagem, já que tive que me esforçar para controlar o tempo em função de tantas perguntas e insights). Da próxima vez em que for a João Pessoa, encontrarei uma sala que faça jus aos alunos.

Como de hábito, entreguei um formulário ao final do curso para que os alunos comentassem e atribuíssem “pontos” à experiência, que incluía os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível). As notas das edições anteriores: 4,44 (quinquagésima); 4,66 (quadragésima nona); 4,33 (quadragésima oitava); 4,48 (quadragésima sétima); 4,50 (quadragésima sexta); 4,56 (quadragésima quinta), 4,62 (quadragésima quarta), 4,51 (quadragésima terceira), 4,37 (quadragésima segunda), 4,39 (quadragésima primeira), 4,75 (quadragésima), 4,67 (Trigésima nona), 4,61 (Trigésima oitava), 4,62 (Trigésima sétima), 4,7 (Trigésima sexta), 4,53 (Trigésima quinta), 4,44 (Trigésima quarta), 4,58 (Trigésima terceira), 4,62 (Trigésima segunda), 4,54 (Trigésima primeira), 4,44 (Trigésima), 4,65 e 4,63 (Vigésima nona – Tarde e Noite), 4,49 e 4,47 (Vigésima oitava – Tarde e Noite), 4,48 (Vigésima sétima), 4,73 (Vigésima sexta), 4,51 (Vigésima quinta), 4,62 (Vigésima quarta), 4,57 (Vigésima terceira), 4,71 (Vigésima segunda), 4,64 (Vigésima primeira), 4,62 (Vigésima), 4,68 (Décima nona), 4,58 (Décima oitava), 4,20 (Décima sétima), 4,40 (Décima sexta), 4,62 (Décima quinta), 4,57 (Décima quarta), 4,47 (Décima terceira), 4,57 (Décima segunda), 4,76 (Décima primeira), 4,22 (Décima), 4,33 (Nona), 4,45 (Oitava), 4,07 (Sétima), 4,44 (Sexta) e 4,27 (Quinta). Estas avaliações incluem os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível).

As médias das notas foram:
Infra-estrutura: 2,62 (a menor até hoje; terei que encontrar uma nova sala de aula em João Pessoa mesmo)
Conteúdo: 4,86
Didática: 4,95
Estrutura do curso: 4,73

Média geral: 4,29.

Sem considerar o auditório, levando em conta apenas o curso em si, a média seria 4,85.

Para concluir, a foto tradicional de formatura:

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Videocast: O Problema do 3D no Cinema

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Videocast | 6 comentários

Cronologia de um Demagogo

postado em by Pablo Villaça em Política | 90 comentários

01/12/2011: Ronaldo aceita cargo no Comitê Organizador Local da Copa.

20/10/2011: Ronaldo celebra Copa 2014 no Itaquerão.

20/03/2012: Ronaldo: “A Copa do Mundo da FIFA é de todo o Brasil”.

10/10/2012: Ronaldo garante Brasil pronto pra receber a Copa 2014.

30/01/2013: Ronaldo pede para imprensa abraçar a Copa do Mundo.

05/11/2013: Ronaldo defende Copa de “protestos inventados” e enaltece progresso.

19/12/2013: Ronaldo minimiza desconfianças e vê Brasil acreditar no projeto da Copa 2014.

07/01/2014: Ronaldo diz que Copa está trazendo muitos benefícios ao país.

21/02/2014: “Copa é um grande negócio para o país”, afirma Ronaldo.

30/03/2014: Ronaldo está animado para a Copa de 2014.

01/05/2014: Ronaldo posta foto de apoio à candidatura de Aécio Neves.

23/05/2014: Ronaldo se diz envergonhado com preparação da Copa.

A propósito: de acordo com a Ernst & Young e a Fundação Getúlio Vargas, entre 2010 e 2014, o Brasil deverá arrecadar 16 bilhões com impostos deixados pela FIFA no Brasil (entre valores dos ingressos e eventos relacionados) – um valor consideravelmente superior ao que o governo federal gastou na reforma dos estádios. Ou seja, a Copa dará lucro ao país. Que coisa.

Update: Estão tentando vender a ideia mentirosa de que o governo federal isentou a FIFA de impostos sobre os ingressos. Errado. A FIFA ganhou isenção ao IMPORTAR itens para a infra-estrutura dos jogos, como uniformes e ônibus. Mas não foi só ela. As televisões brasileiras também ganharam isenção para importar equipamentos necessários para televisionar o evento. Não caiam nas falácias dos reacionários; eles ganham espalhando inverdades.