Luca e seu vocabulário

postado em by Pablo Villaça em Luca & Nina, Variados | 17 comentários

Há alguns dias, quando minha amiga Fabiana esteve aqui em casa, Luca (que a adora) resolveu ensiná-la a desenhar o Homem-Aranha.

– Primeiro, você faz a cabeça. Desenha uma coisa redonda e vai "amagrando", "amagrando", até ficar com a forma certa.

Adorei o "amagrando". Aliás, é impressionante como as crianças têm facilidade em criar palavras novas que, de certa maneira, fazem um sentido danado.


 Esta relação de Luca com novas palavras, diga-se de passagem, constantemente traz resultados interessantes. Outro dia, por exemplo, ele perguntou:

– Como é mesmo aquela palavra que significa "cocô"?

– Merda.

– Ah, é. (pausa) Quando eu for ao banheiro, então, eu posso falar que vou "fazer merda"?


 E por falar em "merda", certo dia Luca soltou um "puta merda!" que me pegou de surpresa. Expliquei que aquilo era feio, era um palavrão. 

O tempo passou e, esta semana, estávamos jogando Super Trunfo quando, ao perder a carta principal (justamente o Super Trunfo), Luca exclamou:

– Puta!

– Hein?

– Puta! Puta!

– Luca, meu filho, não fale isso! É palavrão!

– Ué, papai, mas eu não falei "merda" depois…

Cena Misteriosa #10

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Clássicos | 12 comentários
O leitor Eduardo Menezes foi o primeiro a apontar Dinheiro do Céu (Pennies from Heaven) como a cena misteriosa #09. Dirigido por Herbert Ross em 1981, o filme parte de um conceito (concebido por Dennis Potter) inspirado: um melancólico retorno aos Estados Unidos da época da Grande Depressão em que os personagens ganham liberdade para externar suas frustrações, seus sonhos e medos através das músicas do período, que surgem dubladas pelo elenco. Filme triste como seu protagonista (Steve Martin, em seu primeiro papel "sério"), Pennies from Heaven conta com a fotografia maravilhosa do mestre Gordon Willis (O Poderoso Chefão) e um design de produção impecável, impressionando dos cenários aos figurinos. Além disso, o longa foi o primeiro a aproveitar, no Cinema, o passado de Christopher Walken na Broadway, utilizando muito bem seus dotes como dançarino. Para finalizar, é sempre um prazer ver Bernadette Peters, uma de minhas musas (e sei que ela não tem uma beleza convencional, mas o que posso fazer?), em cena.
 
Vamos à cena de hoje:
 

 

Problemas técnicos

postado em by Pablo Villaça em Variados | 36 comentários

No meio da tarde, meu notebook desligou sozinho. Achando que se tratava de um costumeiro superaquecimento, apertei o botão para religá-lo e, com um frio na barriga, li uma mensagem automática do Vista recomendando que a integridade do disco fosse checada. Iniciei o programa e, depois de quase uma hora, várias mensagens de "clusters inválidos" começaram a aparecer. Finalmente, quando a área de trabalho surgiu na tela, percebi que tudo estava terrivelmente lento. Liguei para o Alyson França, amigo de 14 anos e médico de todos os equipamentos que já possuí, e ele recomendou que eu fizesse mais algumas verificações. Com ele ao telefone, abri e fechei janelas e opções sobre as quais nunca tinha ouvido falar e depois de um tempo ficou claro que teria que levar o notebook até sua casa.

Coincidentemente, minha amiga Fabiana (que conheci quando foi minha aluna da primeira edição do curso de Linguagem e Crítica) estava aqui em casa e havia trazido seu notebook. Como praticamente não tem usado a máquina (ela está de férias no Brasil, já que está fazendo um curso de produção cinematográfica na Itália), insistiu para que eu ficasse com seu notebook até que o meu retorne. Não deve demorar; é praticamente certo que o problema é mesmo no HD. A questão é se é um problema lógico ou físico. Se for o segundo, terei que comprar outro amanhã. De todo modo, espero que tudo esteja resolvido até sexta-feira.

Mas é um saco. Uso computador há pelo menos uns… sei lá, 18 anos? Minha primeira máquina foi um PC 386 com monitor monocromático verde e HD de 12 MB. (Sim, você leu direito: 12 MB.) Ele rodava no DOS e até hoje me lembro de todos os comandos: "dir", "cd", "del", etc. Cansei de compactar arquivo RAR ARJ com comando do tipo "arj -s c:\docs\*.txt" ou algo no gênero. Para instalar um joguinho de corrida do tipo "Stunts", eram necessários 10 discos de 5 1/4 – cada um contendo 360KB. O disco de 3 1/2 (que continha 1,4 MB) ainda era coisa de outro mundo; ao comprar novas máquinas, tínhamos que perguntar: "Ela vem com o driver de disquete 3 1/2?". Modem? Pra quê, se nem os BBS existiam ainda? (Mais tarde, comprei um de 2.400kbps; as telas eram formadas linha por linha quando conectávamos). 

O que quero dizer é que sou macaco velho no que diz respeito à informática. Mas ainda assim, toda vez que tenho um problema técnico fico surpreso, frustrado e puto com a máquina, como se sua falha fosse uma questão pessoal.

Bale não bateu em ninguém

postado em by Pablo Villaça em Personalidades, Variados | 49 comentários
Que alívio para os fãs: a acusação contra Christian Bale foi apenas a de "agressão verbal". Isto me leva instantaneamente a desprezar sua mãe e sua irmã, que, em função de um bate-boca, não hesitaram em colocar a carreira do ator em risco justamente quando ele está no auge. É óbvio que as manchetes prejudicarão Bale (bater na mãe?!) e que elas sabiam disso. Que família triste.

Cena Misteriosa #09

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema, Clássicos | 21 comentários

(Uma pergunta: qual deveria ser a freqüência desta série?)

O leitor Rogério Vieira foi o primeiro a identificar Os Brutos Também Amam como a cena misteriosa #08. Dirigido por George Stevens em 1951 e lançado dois anos depois, Shane (seu título original) é um western que, apesar de contar com os tipos clássicos (o fazendeiro sob ataque; a esposa sofrida; o pistoleiro cruel; o latifundiário inescrupuloso; o herói rápido no gatilho; etc), é enriquecido pela complexidade psicológica com que desenvolve não apenas o protagonista, mas também sua relação com a família Starrett. Retratado por Alan Ladd como um sujeito de passado obscuro, mas com um óbvio desejo de encontrar um lugar calmo no qual possa fixar-se, Shane é, também, um homem que, de certa forma, parece buscar o conflito, envolvendo-se em situações que não lhe dizem respeito e que permitem apenas que ele possa voltar a usar suas armas.

Ambientado num período em que o Velho Oeste já estava sendo domesticado pelas leis mais rigorosas contra tiroteios, o filme é normalmente lembrado em função da encantadora performance do garotinho Brandon De Wilde (indicado ao Oscar e cuja morte precoce, aos 30 anos, roubou-lhe uma promissora carreira), mas o fato é que as atuações são sólidas de cima a baixo: Van Heflin, sempre intenso, encarna a firmeza de caráter – e a teimosia – de um homem que não quer acovardar-se diante da família; Jack Palance (também indicado ao Oscar) surge irônico e ameaçador num papel que lhe oferece apenas meia dúzia de falas; o eterno coadjuvante Elisha Cook Jr. comove com sua morte enlameada; Ben Johnson interpreta um capanga bem mais complexo do que imaginávamos inicialmente (é ele quem aparece na cena misteriosa, brigando com o herói); e minha musa Jean Arthur, aos 51 anos e em seu último papel no cinema antes da precoce aposentadoria, retrata com sensibilidade uma mulher que, mesmo claramente tomada pelo amor e pelo respeito ao marido, não consegue evitar uma óbvia atração pelo estranho que surge em seu rancho. Mas talvez a performance mais injustamente ignorada de Shane seja aquela oferecida por Emile Meyer, que, aos 41 anos, encarnou com perfeição o velho Rufus Ryker, oferecendo, no processo, um "vilão" que tenta agir razoavelmente, chegando a explicar, com bastante eloqüência, as razões que o levam a se considerar dono de todas aquelas terras.

E não podemos nos esquecer, é claro, da maravilhosa fotografia de Loyal Griggs, que explora magnificamente bem as belíssimas locações.

Dito isso, segue a cena de hoje:

Arquivo X 2

postado em by Pablo Villaça em Novos filmes | 28 comentários
Acabo de voltar da cabine do filme. Não sou muito familiarizado com a série, já que assisti a pouquíssimos episódios, mas sei o suficiente para reconhecer o nome de Skinner e para saber o que são shippers. Além do mais, minha função é analisar um longa-metragem dentro de sua proposta cinematográfica – o que inclui, no máximo, situar este novo filme a partir do longa anterior, de 98 (que acho apenas razoável).
 
Como provavelmente já perceberam, não gostei muito do filme. Há bons elementos, é verdade: o diretor Chris Carter consegue estabelecer uma atmosfera de constante inquietação e a fotografia explora muito bem as paisagens cobertas por neve para mergulhar o espectador num clima de medo e insegurança. Infelizmente, os esforços são sabotados pelo roteiro a partir do instante em que a trama começa a ser resolvida, revelando absurdo atrás de absurdo numa história que me fez lembrar de uma bomba estrelada por Ray Milland em 1972 e cujo título só posso mencionar precedido de um aviso de spoiler (e guardo isso para a crítica). Aliás, é curioso: os aspectos sobrenaturais do filme soam críveis dentro do contexto da narrativa, ao passo que os elementos "científicos" ofendem pela estupidez. Para piorar, a dinâmica Mulder-Scully, embora funcione muito bem durante boa parte do tempo, acaba incluindo também elementos artificiais e diálogos pavorosamente ruins.
 
Mas escreverei com mais detalhes nos próximos dias.

Cavaleiro das Trevas MESMO

postado em by Pablo Villaça em Personalidades, Variados | 36 comentários

Confesso que, ao longo dos anos, me envolvi em uma parcela razoável de confrontos físicos. Entre os 18 e os 25 anos, principalmente, participei de mais brigas do que deveria, mas gosto de pensar que aprendi com a idade (mesmo que, há poucos meses, tenha novamente partido para cima de um vizinho que chamou Luca de "moleque" – mas aí devo dizer que o sujeito mereceu, já que, além de tudo, ele não tinha motivos reais para reclamar do pequeno). De modo geral, porém, os anos me ajudaram a ter mais auto-controle e hoje percebo ser capaz de manter a calma em situações que, há cinco ou seis anos, teriam me levado a agir de maneira extremada e irracional.

Dito isso, mesmo em meus anos de maior "instabilidade", bater em uma mulher sempre foi algo impensável. Neste ponto, sou mesmo antiquado e sigo a velha lição de que "numa mulher não se bate nem com uma flor". Assim, é óbvio que fiquei desapontadíssimo com a notícia de que o ator Christian Bale foi preso em Londres depois de ter sido acusado de agredir a mãe de 61 anos e a irmã de 40. Espero sinceramente que tenha havido algum mal-entendido, mas o fato da queixa ter sido feita pelas duas mulheres não é um bom sinal.

Há alguns dias, os atores Josh Brolin e Jeffrey Wright foram presos depois de se envolverem em uma briga de bar na cidade em que estão rodando W. Ali, porém, a situação era completamente diferente: os rednecks locais, partidários de Bush Jr., ofenderam os atores por acreditarem que o filme falará mal do presidente que tanto amam. E ainda usaram adjetivos racistas com relação a Wright, que é negro. Neste caso, reconheçamos, não há muita alternativa: esses caras só aprendem na base da porrada. E mesmo que não aprendam, ao menos serão punidos por sua imbecilidade.

Já Bale… enfim. Há esperanças de que a coisa não tenha sido tão ruim quanto parece, já que a polícia esperou vários dias para intimá-lo a comparecer à delegacia, já que não queriam interferir na estréia de Batman na Inglaterra – e se fosse algo realmente grave, não teriam agido assim. Será que desconfiam de que a mãe e a irmã do ator estejam mentindo por algum motivo? Dinheiro, talvez? 

Mas se Bale realmente agrediu as duas mulheres… canalha.

Presente ideal para um crítico bacana

postado em by Pablo Villaça em Variados | 14 comentários

(Observação importante: os links do blog realmente não estão funcionando no Internet Explorer 6. Sugiro a utilização do Firefox ou que façam o update do navegador para o Internet Explorer 7, que, diga-se de passagem, é bem melhor que o 6.)

Como não paro de receber emails apontando para este link, achei melhor postá-lo aqui para esclarecer que já o visitei. Trata-se de um site que vende o cartaz de O Poderoso Chefão totalmente criado a partir do roteiro integral do filme – uma idéia bacana e muito bem realizada. Só não entendo por que vocês insistem em adoçar minha boca com este link em vez de me presentearem com um cartaz destes, ora. Quanta maldade! Humpf. 

Cena Misteriosa #08

postado em by Pablo Villaça em Cena misteriosa, Cinema | 14 comentários

(Observação importante: os links do blog realmente não estão funcionando no Internet Explorer 6. Sugiro a utilização do Firefox ou que façam o update do navegador para o Internet Explorer 7, que, diga-se de passagem, é bem melhor que o 6.)

Parabéns ao Thiago Casimiro, primeiro a identificar a cena misteriosa 07 como tendo saído de Johnny Vai à Guerra (1971). Bom, ao descrever os objetivos desta brincadeira, expliquei que poderia incluir, aqui, filmes dos quais não gosto, mas que trazem elementos interessantes, dignos de elogios. Este é o caso de Johnny Got His Gun, único longa dirigido pelo brilhante roteirista Dalton Trumbo. Baseado no livro que o próprio Trumbo lançou em 1939, o filme estabelece uma rima narrativa com o recente O Escafandro e a Borboleta no sentido de também girar em torno de um protagonista enterrado no próprio corpo – porém, enquanto a história de Jean-Dominique Bauby celebrava a força do espírito humano, o drama do soldado Joe Bonham (vivido com sensibilidade pelo então estreante Timothy Bottoms) busca condenar a brutalidade da guerra e a estupidez dos velhos que mandam seus jovem para a morte estúpida e desnecessária.

Infelizmente, embora a mensagem seja válida, o longa não é dos mais sutis ao estabelecê-la, investindo em simbolismos óbvios e discursos simplistas. Além disso, muitos dos flashbacks/fantasias simplesmente não funcionam, surgindo enfadonhos e nada orgânicos (para piorar, Kathy Fields, que interpreta a amada do soldado, revela-se péssima atriz neste seu primeiro e último trabalho). E se os encontros de Joe com um Cristo vivido de maneira intrigante por Donald Sutherland surgem como destaques do filme, as seqüências envolvendo Jason Robards como o pai do protagonista são invariavelmente decepcionantes por apostarem em metáforas desinteressantes. Em contrapartida, a notória cena da masturbação e o desfecho da história merecem destaque pela coragem do diretor-roteirista.

(A propósito: uma refilmagem está sendo produzida. Ai, ai.)

A próxima cena será publicada amanhã, no fim da tarde. Já a de hoje…

 

Entrevista com Murilo Salles

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Novos filmes, Personalidades | 1 comente

Confiram, abaixo, a ótima entrevista que o Renato Silveira, co-editor do Cinema em Cena, fez com o cineasta Murilo Salles sobre o filme Nome Próprio: