Linhas Cruzadas

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Outro supercut que adorei.

Teoria, Linguagem e Crítica – 56a. Edição – Curitiba

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Logo no primeiro dia de aula, ganhei vinho e bombons. E a coisa só melhorou a partir daí.

Então, como podem imaginar, a semana com a turma em Curitiba foi excepcional: não apenas eram pessoas calorosas (e, sim, sei que esta não é a fama do curitibano, mas é o que aconteceu comigo) e divertidas, mas também extremamente participativas. Insights instigantes foram oferecidos pelos alunos, correções foram feitas sem o menor pudor (quando comentei “O Superman me incomoda por ser indestrutível. Quem pode vencê-lo?”, recebi imediatamente várias respostas apontando meu erro) e, de quebra, vivenciei algumas surpresas agradáveis nesta cidade que acho tão maravilhosa.

(Aliás, foi uma viagem tão produtiva que acabei publicando críticas todos os dias – e atribuirei parte da febre produtiva à turma.)

Como de hábito, entreguei um formulário ao final do curso para que os alunos comentassem e atribuíssem “pontos” à experiência, que incluía os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível). As notas das edições anteriores: 4,38 (quinquagésima-quinta); 4,40 (quinquagésima-quarta);  4,45 (quinquagésima-terceira);  4,43 (quinquagésima-segunda); 4,29 (quinquagésima-primeira); 4,44 (quinquagésima); 4,66 (quadragésima nona); 4,33 (quadragésima oitava); 4,48 (quadragésima sétima); 4,50 (quadragésima sexta); 4,56 (quadragésima quinta), 4,62 (quadragésima quarta), 4,51 (quadragésima terceira), 4,37 (quadragésima segunda), 4,39 (quadragésima primeira), 4,75 (quadragésima), 4,67 (Trigésima nona), 4,61 (Trigésima oitava), 4,62 (Trigésima sétima), 4,7 (Trigésima sexta), 4,53 (Trigésima quinta), 4,44 (Trigésima quarta), 4,58 (Trigésima terceira), 4,62 (Trigésima segunda), 4,54 (Trigésima primeira), 4,44 (Trigésima), 4,65 e 4,63 (Vigésima nona – Tarde e Noite), 4,49 e 4,47 (Vigésima oitava – Tarde e Noite), 4,48 (Vigésima sétima), 4,73 (Vigésima sexta), 4,51 (Vigésima quinta), 4,62 (Vigésima quarta), 4,57 (Vigésima terceira), 4,71 (Vigésima segunda), 4,64 (Vigésima primeira), 4,62 (Vigésima), 4,68 (Décima nona), 4,58 (Décima oitava), 4,20 (Décima sétima), 4,40 (Décima sexta), 4,62 (Décima quinta), 4,57 (Décima quarta), 4,47 (Décima terceira), 4,57 (Décima segunda), 4,76 (Décima primeira), 4,22 (Décima), 4,33 (Nona), 4,45 (Oitava), 4,07 (Sétima), 4,44 (Sexta) e 4,27 (Quinta). Estas avaliações incluem os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível).

As médias das notas foram:
Infra-estrutura: 3,67 
Conteúdo: 4,80
Didática: 4,85
Estrutura do curso: 4,61

Média geral: 4,48

Sem considerar o auditório, levando em conta apenas o curso em si, a média seria 4,75.

Para concluir, a foto tradicional de formatura:

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Brasil Bizarro

postado em by Pablo Villaça em Política | 2 comentários

Que Brasil bizarro, este atual: políticos acusados de todo tipo de crime desejam reduzir a maioridade penal para “coibir a criminalidade” enquanto posam de bastiões da ética para acusar os oponentes. Jovens vão às ruas pedindo a volta dos militares. Torturadores são abordados em busca de selfies. A nata paulistana bate panela “contra a corrupção”, mas mantém os utensílios nos armários da cozinha sempre que os acusados são do partido que governa seu estado. Um sujeito com histórico de envolvimento em escândalos preside o mesmo Congresso que tenta levar adiante o impeachment de uma governante cuja honestidade é reconhecida até mesmo por seus oponentes mais ferrenhos.

Mas, para mim, o mais inacreditável é perceber que, hoje, a direita tenta derrubar um governo cujo modelo econômico segue a mais pura cartilha conservadora enquanto a esquerda tenta proteger a mesma gestão que se afasta a passos largos de qualquer identificação ideológica com seus valores.

A política não é mesmo para amadores (ou para pessoas que valorizam a ideologia mais do que o pragmatismo). Ao escrever sobre o segundo turno das eleições, lembro-me de comentar que a polarização que estava ocorrendo poderia ter duas consequências: ou Aécio venceria e o projeto tucano que vendeu o país para interesses estrangeiros retornaria com força total ou Dilma seria obrigada a dar uma guinada à esquerda para preservar o apoio dos movimentos sociais e, consequentemente, sua governabilidade.

Tolinho.

O que eu não esperava é que Dilma vencesse e imediatamente passasse a adotar uma postura que os eleitores de Aécio certamente aplaudiriam caso não estivessem cegos de ódio. Já de cara trouxe figuras como Kátia Abreu para o governo, entregou a condução econômica do país ao diretor de um banco e passou a ignorar os mesmos movimentos de esquerda que foram decisivos em sua eleição.

A postura conciliatória de fazer acenos à direita (na realidade, uma flexão quase completa do ponto de vista econômico) não trouxe qualquer efeito para sua aceitação pelas elites e pelo tal rei Mercado. Ao contrário: a polarização se acentuou, manifestações de ódio se proliferaram e a irracionalidade se tornou parte recorrente do debate político.

“Treze anos de PT arruinaram o Brasil!”, dizem eles, ignorando que este período marcou a maior diminuição da desigualdade na História do país, a retirada do Brasil do mapa da fome, um crescimento econômico que trouxe investimentos de todo o mundo, que elevou o país à posição de 7ª maior economia do mundo (éramos a 13ª quando FHC deixou o governo) e que sobreviveu até mesmo à crise mundial de 2008, uma das piores de todos os tempos. (E isto é só o começo:http://diariodebordo.cinemaemcena.com.br//?p=4418)

“O PT quer implementar uma ditadura comunista!”, dizem eles, ignorando que a tal “ditadura” aparentemente nunca chega – mesmo depois de 13 anos e sucessivas vitórias nas urnas – e que chamar de “comunista” um governo cuja política econômica é conduzida por um banqueiro é um sinal de profunda ignorância ou de puro mau caratismo.

“Esse é o governo mais corrupto de todos os tempos”, dizem eles, ignorando que os maiores escândalos de corrupção (em termos de escala, de efeitos e de dinheiro envolvido) ocorreram nos anos FHC e que, ao contrário do que ocorre agora, nada foi apurado, ninguém foi julgado e muito menos punido. Aliás, este é o mesmo padrão ainda hoje: as mesmas empreiteiras que doaram dinheiro para a campanha de Dilma, levando sua campanha a ser investigada, doaram ainda MAIS à campanha de Aécio – mas aí, tudo bem, nada de errado. (Recentemente, ao ter mais uma irregularidade de suas contas de campanhas apontada, o PSDB alegou ter se “esquecido” de incluir um dado – e, de novo, tudo bem, nada de errado.)

Mas estas são as mesmas pessoas que insistem em falar da “fortuna” de Lulinha, que repetem o que sai na VEJA (a do boimate, do “racismo acabou” e da conta de Romário na Suíça) como verdade absoluta. São as mesmas que condenam Paulo Freire, reconhecido por todo o mundo, mas amam Mises, que escreveu que o luxo dos ricos e a desigualdade econômica são necessários para a evolução da sociedade.

São as mesmas pessoas que acusam o governo de ter impulsos ditatoriais, mas agem de forma fascista ao agredirem quem veste a cor vermelha, se diz de esquerda ou defende a manutenção da ordem democrática – e quando chamadas de “fascistas”, contrapõem dizendo que isto é ridículo, já que “fascismo só pode ser de esquerda”, numa demonstração tão profunda de ignorância histórica que a discussão se torna impossível.

No entanto, querem saber a pior parte? É constatar que boa parte do que eles gostariam de ver acontecendo num governo tucano já está acontecendo no governo Dilma. Claro que eles não enxergam isso, já que por trás do discurso “anti-corrupção” esconde-se a verdadeira razão para que gritem tanto ódio: a repulsa pelo PT (não por ser um partido de “corruptos”, mas por ser um partido nascido da esquerda) e por quaisquer ideais que preguem inclusão social.

Mas nós, da esquerda, enxergamos a diferença. (Ao menos aqueles que não estão igualmente cegos pela própria retórica.) E o que vemos é o abandono de um projeto que trouxe resultados tão importantes nos últimos doze anos. Quando um governo de esquerda começa a pregar “austeridade”, arrocho, cortes em programas sociais e de educação e nem sequer discute a taxação de grandes fortunas… bom, é porque não é mais de esquerda.

Há algum tempo, escrevi que, embora a economia apresentasse problemas, estávamos longe da crise que a mídia anunciava em suas manchetes. E apontava, também, que esta crise poderia se tornar uma profecia auto realizada caso levasse o país a absorver uma narrativa de recessão, passando a agir de acordo com esta crença. Soma-se a isto uma política econômica que – seguindo os padrões históricos – decide punir da classe média para baixo em vez de exigir que os donos das grandes fortunas façam sua parte para combater o problema.

Repatriar bilhões sonegados? Não. Implementar a CPMF, que realmente impactaria apenas os que realizam transações de vulto? Não. (Aqui o governo até começou a tentar, mas desistiu em função de sua inépcia ao lidar com figuras como Cunha.) Aumentar impostos a partir de um certo patamar de patrimônio? Não. Taxar as igrejas? Claro que não. (Ao contrário: o Congresso de Cunha aumenta as isenções destas mesmas igrejas, que – vejam só – constantemente usam esta falta de taxação para sonegar impostos ao oferecer “bônus” para pastores ou atuar na lavagem de dinheiro. Um estratagema do qual o próprio Cunha é acusado de se beneficiar.)

A cada novo corte que o governo Dilma faz no social, me afasto mais. E realmente não consigo compreender como a presidenta pode caminhar na contramão do bom-senso, afastando os que a defendem e entregando seu governo nas mãos dos que a desprezam.

Quero um governo de esquerda – e, infelizmente, este não é o governo Dilma.

Porém – e aí reside o verdadeiro conceito de democracia – eu defenderei intensamente seu direito de chegar até o fim de seu mandato. Discordar de um governo (ou mesmo sentir-se traído ideologicamente por este) não é base para impeachment. Aliás, nem mesmo a mais pura incompetência serviria como justificativa para retirá-la do poder (não, não chego ser tão severo quanto sua competência).

Independentemente do que dizem os fascistas de plantão, que chamam o golpe de 64 de “Revolução” e apelidam Bolsonaro de “Bolsomito”, gente demais sacrificou a própria vida para trazer a democracia de volta. Respeitá-la é o mínimo que podemos fazer em troca.

Hell’s Club – O Lugar Onde os Personages do Cinema se Encontram

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A palavra “genial” é usada de maneira excessiva e normalmente incorreta.

Mas este vídeo é genial.

Os Olhos de Hitchcock

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Supercut que expõe a obsessão de Hitchcock pelo olhar de seus atores:

Ditadura Nunca Mais – #01

postado em by Pablo Villaça em Ditadura | 33 comentários

Ao que parece, muitos jovens hoje em dia simplesmente desconhecem o que foi a ditadura – é a única explicação para que carreguem cartazes pedindo sua volta ou peçam para tirar selfies com um torturador no meio da Paulista. Assim, creio ser importante resgatar alguns relatos que certamente desconhecem.

Como este, retirado do fundamental “Dossiê Ditadura: Mortos e Desaparecidos no Brasil (1964-1985)”.

000002Gastone Lúcia Carvalho Beltrão (1950-1972)

Nasceu em 12 de janeiro de 1950, em Coruripe (AL). Morta em 22 de janeiro de 1972. Militante da Ação Libertadora Nacional.

Estudou nos colégios Imaculada Conceição e Moreira Lima, em Maceió (AL), e concluiu o ensino médio no Rio de Janeiro, onde morava sua avó e onde iniciou sua militância política. Ainda jovem, visitava os presos comuns, levando roupas e alimentos.

Voltando a Maceió, em 1968, ingressou no curso de Economia da Universidade Federal de Alagoas, onde iniciou sua militância na JUC.

De acordo com a versão policial, foi morta em 22 de janeiro de 1972, na rua Heitor Peixoto, em São Paulo, “[…] após travar violento tiroteio com agentes dos órgãos de Segurança, no transcorrer do qual feriu três policiais, foi ferida e, em consequência, veio a falecer“. Sua mãe recebeu a informação de que algo acontecera à filha e foi até o DOPS/SP e, após muito insistir, conseguiu falar com o delegado Sérgio Paranhos Fleury, que inicialmente afirmou não se lembrar do caso, mas acabou por lhe dizer que a filha era uma moça muito corajosa e forte, e resistira até a última hora.

Gastone foi enterrada como indigente no Cemitério D. Bosco, de Peruss. A família teve de esperar três anos para obter autorização e trasladar seus restos mortais para Maceió.

Após a realização de pesquisa da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos nos arquivos do IML e da Polícia Técnica de São Paulo, foi possível desvendar parte da história de sua morte. De acordo com o registro oficial, o corpo de Gastone deu entrada no IML às 15h30 de 22 de janeiro de 1972. Suas vestes e objetos, conforme está escrito no verso da requisição de exame necroscópico, “[…] foram entregues ao Sr. Dr. Fleury“. O laudo necroscópico indica 13 ferimentos a bala, orifícios de entrada e saída, descrevendo fraturas no cúbito e rádio esquerdo, ossos do punho esquerdo e no terço superior do úmero direito. A resposta ao quarto quesito do laudo, em que consta a pergunta se a morte foi produzida por meio de veneno, fogo, asfixia, tortura ou por outro meio insidioso ou cruel, foi negativa.

Em todos esses documentos, Gastone está identificada com todos os dados corretos. No entanto, quando houve a divulgação da versão policial no jornal O Globo, de 25 de janeiro de 1972, três dias após a data oficial da morte, não há referência à sua identidade ou militância. No artigo citado, intitulado “Pistoleira Fere e Morre em Duelo com Policiais”, pode-se ler:

No ponto de ônibus, ao lado do assaltante João Ferreira da Silva, o Tião, perigoso marginal procurado, estava a jovem loura. Os três policiais da ronda se aproximaram para a captura, quando foram surpreendidos pela mulher, que sacou revólver da bolsa e abriu fogo. Dois policiais caíram baleados e o terceiro continuou na perseguição, pois seu comparsa desapareceu. 

Mais adiante na avenida, o agente alcançou a pistoleira que, novamente, resistiu à bala na iminência da prisão. Atingida por disparos dos policiais, ela faleceu a caminho do hospital.

Na escapada ela deixou cair a bolsa com documentos, que foi apanhada na rua pelo transeunte Adalberto Nadur. Este a entregou ao agente que estava no encalço da pistoleira. O policial embarcou em um táxi para localizar a mulher, mas esqueceu a bolsa no veículo. Um apelo por rádio foi feito ao motorista do táxi para que entregue a bolsa da mulher, na delegacia mais próxima de sua residência, pois somente com a devolução a polícia poderá identificar a morta através do documento ou pista.

As autoridades não divulgaram até agora os nomes dos três policiais envolvidos no tiroteio.

O Laudo da Perícia Técnica 8.355, localizado nos arquivos da Polícia Técnica de São Paulo, tem a seguinte informação:

Às 17 horas do dia 22 de janeiro de 1972, este Instituto de Polícia Técnica recebeu do Delegado de Polícia de Plantão no sexto Distrito policial, Del. Jácomo José Orselli, um comunicado, por telefone e, posteriormente, confirmado pela requisição de exame BOAD no. 42/72, na qual solicitava exame pericial em prédios da Rua Inglês de Souza, da Rua Basílio da Cunha, em veículo e em cadáver até então desconhecido.”

Segundo o relatório do Ministério da Aeronáutica, encaminhado ao ministro da Justiça em 1993, Gastone “[…] faleceu dia 22 de janeiro de 1972, após travar tiroteio com agentes de segurança em São Paulo”. O relatório do Ministério da Marinha registrou a mesma versão, sem citar a data, e assinala como local da ocorrência a avenida Lins de Vasconcelos. Os documentos encontrados no Arquivo da Polícia Técnica indicam a rua Heitor Peixoto como o local da morte, atestando a informação com várias fotos.

Em função das contradições nos documentos oficiais, o caso de Gastone foi submetido a exame do perito criminal Celso Nenevê.

Após a análise das fotografias, o perito constatou que Gastone tinha 34 lesões enquanto o laudo descrevera 13 ferimentos à bala com os respectivos orifícios de saída. O perito concentrou-se em duas lesões, uma na região mamária e outra na região frontal. Ampliou a foto da ferida na região mamária em 20 vezes. O legista original descrevera a lesão como resultante de “[…] tangenciamento de projétil de arma de fogo“. Nenevê constatou que, em vez de tiro, se tratava de uma lesão em fenda, produzida por faca ou objeto similar. E agregou que, dado o formato em “meia-lua“, o ferimento fora produzido com o braço levantado. A lesão estrelada na região frontal indica que o tiro foi disparado com a arma encostada, de cima para baixo. Essas duas lesões são totalmente incompatíveis com a versão de tiroteio, pois a lesão produzida por faca ou objeto similar requer proximidade entre agressor e vítima, e o tiro encostado na testa demonstra execução.

Nenevê concluiu o parecer ao afirmar que, considerando a requisição de exame ao IML e o relatório do local, em que é explicitado “tiroteio violento” em alusão às circunstâncias em que a vítima fora ferida; e considerando que no laudo de exame cadavérico o legista constata “[…] fratura de cúbito e rádio esquerdos, ossos do punho esquerdo e do terço superior do úmero direito“, entendeu o perito que, tanto o relatório de local como o laudo médico-legal não estabelecem pormenores que possibilitem compatibilizar as lesões descritas com as circunstâncias em que foi travado o aludido tiroteio. Salientou que Gastone, a partir do momento em que teve os membros superiores inabilitados, não ofereceria resistência armada.

As circunstâncias da morte não foram restabelecidas, mas a CEMDP reconheceu que Gastone, medindo 1,55m de altura e com 34 lesões, a maioria produzida por tiros, inclusive um à queima-roupa, além de facada, fraturas, lesões e equimoses por todo o corpo, não morrera no “violento tiroteio” atestado pelo DOPS, o IML e o PT, e sim depois de presa pelos agentes dos órgãos de segurança.

Em sua homenagem, a cidade de Maceió deu o seu nome a uma rua localizada no loteamento Parque dos Eucaliptos.

Referência: caso 238/96, na CEMDP.”

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Projeto Breaking Bad – Trechos dos Capítulos 2 e 3

postado em by Pablo Villaça em Cenas em detalhe, cinemaemcena, Séries de tevê | 1 comente

Abaixo, você confere breves trechos dos capítulos 2 e 3 do projeto Breaking Bad (para ter acesso aos textos completos, é só se tornar colaborador(a) do Cinema em Cena. Como? Clicando aqui!):

Capítulo 2:

(…)Num episódio marcado pelo humor – uma abordagem inteligente, já que suaviza a natureza sombria dos acontecimentos retratados -, a dinâmica entre Walt e Jesse começa se tornar cada vez mais clara, envolvendo as tentativas do primeiro de controlar a situação e a impaciência crescente do segundo ao ser tratado como subalterno (e é divertido notar a expressão de orgulho de Pinkman ao encontrar uma forma de prender Krazy-8 no porão). Da mesma maneira, o próprio vocabulário dos personagens ressalta as diferenças entre eles, sendo particularmente curioso como Walter procura diminuir a gravidade do que propõe ao sugerir “desincorporação química” para lidar com o corpo de Emilio, enquanto Jesse, numa postura quase infantil, tenta se livrar da tarefa ao dizer um comovente (mesmo que engraçado) “Sr. White, eu não sou bom com gente morta”. (E em uma discreta piada envolvendo odesign de produção e a cenografia, no início do episódio é possível perceber um cartaz na parede lateral da sala de aula que basicamente adianta o destino do ex-parceiro de Jesse ao trazer um esqueleto em um fundo roxo que exibe a palavra “decompose”.)

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 Não é coincidência, aliás, que Jesse apareça assistindo a um episódio de Os Três Patetas em certo momento, já que o roteiro de Gilligan inclui, nesteCat’s in the Bag…, piadas envolvendo humor físico (Jesse carregando o corpo de Emilio), humor de situação (o mal entendido inicial na conversa entre Skyler e Pinkman) e, claro, humor negro (o resultado da teimosia de Jesse ao lidar com o ácido). E mais: os realizadores também extraem graça do amadorismo de sua dupla central (como o pânico de Walt ao ver Krazy-8 na rua e o de Pinkman ao dizer “Por que diabos não o amarramos?”) e até mesmo da escolha das canções incidentais: quando Krazy-8 (Arciniega) vê seu captor e corre, sendo nocauteado ao trombar em uma árvore, ouvimos os seguintes versos de “You’re Movin’ Me”, de Clyde McPhatter, enquanto o rapaz é colocado, inconsciente, no carro do protagonista:

Baby, you knock me out

You know you’re movin me” 

Para completar, Gilligan claramente se diverte ao estabelecer como Walter não compreende o universo no qual está se metendo, já que acredita ser possível argumentar com um narcotraficante e assassino – um padrão de comportamento que se tornará recorrente, já que, ao longo das cinco temporadas, ele (sempre se julgando intelectualmente superior a todos) frequentemente agirá como se os que o cercam fossem estúpidos e susceptíveis aos seus poderes de persuasão (e muitas vezes estará certo).

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Capítulo 3:

Ainda assim, questões morais à parte, Walter já demonstra o pragmatismo marcante de sua personalidade ao finalmente concluir não ter mais opções – e, portanto, quando surge na porta que leva ao porão, já é retratado por Villalobos como um vilão mergulhado em sombras (e é interessante notar como, ao chegar no andar de baixo, ele se afasta da escada ainda oculto pela escuridão, como um monstro, embora mais cedo no episódio ali houvesse luz suficiente para iluminá-lo, como é possível perceber nas imagens abaixo).

E se o episódio não facilita o julgamento do espectador ao humanizar Krazy-8, a situação se torna ainda mais difícil graças à forma chocante com que sua morte é encenada: mesmo com cortes rápidos enquanto o rapaz e Walt giram em torno da coluna que mantinha o sujeito preso, a direção de Bernstein nos mantém próximos ao rosto do jovem enquanto a vida desaparece de seus olhos, tornando seu assassinato pessoal, quase intimista – e, com isso, a natureza cruel do ato do protagonista se torna inegável mesmo que este chore diante do que fez.

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O que nos traz ao desfecho do episódio e que poderia – para a sorte da família White (mas não para a nossa) – ter servido como encerramento da própria série ao mostrar Jesse chegando em casa e descobrindo que Walter havia limpado todos os vestígios de sua experiência com o mundo do crime. Assim, quando vemos o professor parado sobre uma ponte (representando, claro, a ligação entre seus dois mundos), percebemos que está refletindo justamente sobre que caminho seguir – uma ideia reforçada pelo belo plano que o traz contemplando duas pistas nas quais carros viajam em direções opostas.

Hollywood, Terra de Maiorias

postado em by Pablo Villaça em Cinema, cinemaemcena, Discussões | 12 comentários

Nesta quarta-feira, a USC divulgou um estudo preocupante sobre a falta de diversidade na representação dos filmes hollywoodianos – ou seja: aqueles com maior alcance em todo o planeta. Para tornar tudo ainda mais desesperador, o estudo restringiu-se a analisar os 700 filmes mais vistos entre 2007 e 2014 (ou seja: as 100 maiores bilheterias de cada ano).

Os achados não surpreendem, mas entristecem. Alguns dos que listei no twitter mais cedo:

Nesta significativa amostragem…

* 73,1% dos personagens com falas ou nomes eram brancos;

* apenas 30,2% das personagens com falas ou nomes eram mulheres;

* apenas DEZENOVE PERSONAGENS eram homossexuais. NENHUM trans.

Entre as cem maiores bilheterias de 2014…

* apenas 1,9% foram dirigidas por mulheres.

* apenas 4,9% traziam personagens latinos com nomes ou falas.

* NENHUMA foi protagonizada por uma mulher com mais de 45 anos.

Se isto já não fosse o bastante para me entristecer, logo comecei a receber mensagens de usários procurando JUSTIFICAR a predominância de homens brancos cis hetero diante (ao menos como personagens) e atrás das câmeras.

“Ah, mas as mulheres não vão tanto ao cinema!” (Errado: elas correspondem a cerca de METADE do público pagante:http://www.mpaa.org/…/MPAA-Theatrical-Market-Statistics-201…)

“Ah, mas os latinos não vão tanto ao cinema!” (Errado: eles correspondem a UM QUARTO do que Hollywood considera como “espectadores frequentes”: http://www.mpaa.org/…/MPAA-Theatrical-Market-Statistics-201…)

E o meu favorito: gente que atribuiu a ausência de produções estreladas por mulheres mais velhas entre as maiores bilheterias à FALTA DE QUALIDADE deste “tipo de filme”.

Oh, boy. Vamos ver alguns dos “excelentes” filmes estrelados por homens que ficaram entre as maiores bilheterias de 2014?

6.O Hobbit 3
7.Transformers 4
13.Godzilla
15.Tartarugas Ninja
21.Policial em Apuros
28.Uma Noite no Museu 3
30.300 2
35.O Céu é de Verdade
38.Busca Implacável 3
46.Tiras, Só que Não
47.Caçadores de Obras-Primas
49.Hércules
50: The Purge 2
52.Pense Como Eles Também
55.Deus não Está Morto
56.O Filho de Deus
57.Aviões 2
60.Drácula: A História Nunca Contada
61.Quero Matar Meu Chefe 2
71.Sobre Ontem à Noite
72.No Olho do Tornado
73.O Juiz
80.Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola
82. Winter, o Golfinho 2
83.Os Mercenários 3
85.Sex Tape
91.Atividade Paranormal 72
95.Três Dias para Matar
96.Livrai-nos do Mal

Ou seja: dizer que a falta de filmes estrelados por mulheres mais velhas se deve à “falta de qualidade” é estupidez e preconceito. É ÓBVIO que há um problema de falta de diversidade na produção mainstream. Uma falta de diversidade que não reflete a diversidade do público – como atestam as estatísticas de bilheteria que listei acima.

Isto é fato, não é “vitimismo” – uma expressão que, quando usada, 99,9% surge da boca ou do teclado de alguém privilegiado que NUNCA teve que enfrentar barreiras sérias na vida.

Não é difícil se colocar no lugar do outro. Aliás, fazer este exercício de empatia é algo fundamental e profundamente humano sobre o qual falei ao discutir a primeira temporada de Sense8, cuja diversidade na representação é mais um motivo para apreciá-la (meu texto está emhttp://diariodebordo.cinemaemcena.com.br//?p=4905).

Enfim. Para quem quiser conferir o estudo completo, o link é http://annenberg.usc.edu/…/Inequality%20in%20700%20Popular%….

True Detective – Segunda Temporada

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê | 19 comentários

A máxima felicidade que um personagem que habite um universo noir pode esperar são alguns minutos segurando a mão de uma quase estranha que divide seus dilemas enquanto ambos se encontram em um quartinho escuro, claustrofóbico e triste. Um sorriso no noir antece a tragédia; um suspiro de esperança prenuncia o pior destino possível.

Neste sentido, a segunda temporada de True Detective faz infinitamente mais jus ao gênero no qual se insere do que a primeira.

Não que seja melhor: a anterior, protagonizada por Matthew McConaughey e Woody Harrelson, era mais coesa e permitia um envolvimento maior por parte do público por se concentrar em um número menor de personagens, por ter uma trama (bem) mais simples e por sugerir elementos sobrenaturais que, em certos momentos, pareciam aproximá-la mais de Coração Satânico do que de Pacto de Sangue.

Em contrapartida, a história contada pelo criador Nic Pizzolatto em sua nova temporada parecia determinada a levar o próprio Raymond Chandler a balançar a cabeça e perguntar o que diabos estava acontecendo – Chandler que, vale lembrar, não soube responder quem havia matado determinado personagem em seu livro que inspirou À Beira do Abismo quando os roteiristas que o adaptaram (e um deles era William Faulkner!) ligaram para esclarecer a questão que também os confundia. Tramas complexas, portanto, fazem parte da alma do noir – e, mais do que isso, tramas que começam a partir de um incidente simples, mas que levam a repercussões cada vez maiores até que atingem um ponto no qual nem mesmo os personagens sabem dizer de que lado estão.

Como, por exemplo, o assassinato de um sujeito que, ligado ao prefeito de uma cidade corrompida, a especuladores imobiliários e a um ex-mafioso local, vira um cadáver com os olhos derretidos por ácido, o pênis estraçalhado por um tiro e sentado num banco no meio do nada. Para investigar o crime, um policial da cidade, uma de Los Angeles e um patrulheiro rodoviário são escalados em uma força-tarefa que aos poucos descobre ramificações que envolvem festas luxuosas frequentadas por milionários e prostitutas, a poluição proposital de terras antes produtivas para fins de especulação (uma subtrama com ecos de Chinatown), 5 milhões de dólares roubados de um bandido, um antigo roubo de diamantes que resultou na execução de um casal, o desaparecimento de uma bela imigrante, um antigo estupro e disputas entre mafiosos armênios, russos e mexicanos.

Complexo? Sim. Confuso? Por vezes. Mas nada que não tenha se tornado perfeitamente claro nos dois episódios finais.

A trama, no entanto, é o menos importante aqui; o essencial no noir é e sempre foi a atmosfera de desesperança, corrupção moral e tensão – e, também neste aspecto, True Detective volta a se destacar: frequentemente, os rostos dos personagens vividos por Colin Farrell, Vince Vaughn, Rachel McAdams e Taylor Kitsch pareciam sair do meio da escuridão que insistia em ocultar o resto de seus corpos. Suas vozes, saídas em sussurros que evocavam precaução e tristeza, recitavam diálogos que sugeriam a mesma construção clássica adotada no passado por personagens de Humphrey Bogart, James Cagney, Barbara Stanwyck, Fred MacMurray, William Holden, Lauren Bacall ou Robert Mitchum, que abandonavam qualquer pretensão de naturalismo em prol de figuras de linguagem sugestivas, elegantes e sempre impactantes.

Aliás, o quarteto principal desta temporada trazia o peso do mundo sobre os ombros: Colin Farrell, um ator cada vez mais fascinante, transformou seu Ray Velcoro em um homem incapaz de conviver com a constatação da própria podridão moral, conversando numa voz rouca que constantemente soava a cigarro, bebida e desilusão, ao passo que Vince Vaughn, presenteado com as melhores falas da temporada, superou um início problemático para se estabelecer como um dos pontos altos do projeto, criando um indivíduo que despertava nossa simpatia mesmo sendo (ou talvez por isso) o único a se assumir como criminoso desde o princípio. Enquanto isso, Rachel McAdams concebeu a policial Ani Bezzerides (uma referência clara a A.I. Bezzerides, roteirista de A Morte num Beijo) como uma mulher introspectiva, sempre reticente diante de qualquer homem e perfeitamente capaz de se defender em qualquer situação – o que conferiu aos seus momentos de fragilidade emocional um peso ainda maior. Para finalizar, Taylor Kitsch, preso à única subtrama que realmente parecia deslocada, se viu prejudicado por um personagem que, mesmo trágico do início ao fim, custou a se encaixar no restante da narrativa, o que prejudicou até mesmo sua saída da temporada, que deveria ter sido mais impactante do que foi.

Eficaz até mesmo ao trazer figuras aparentemente insignificantes que posteriormente se revelaram centrais à trama principal (outra tática recorrente dos bons policiais – não apenas do noir), esta nova temporada se diferenciou da anterior ao empregar o talento de vários diretores que, ainda assim, conseguiram manter a coesão do universo criado por Pizzolatto, resultando em cenas e sequências absolutamente memoráveis como a conversa entre Ray e Frank na cozinha, o fantástico tiroteio na rua, os encontros no restaurante embalados pela música da cantora solitária e, claro, aqueles que faziam referências orgânicas a clássicos do gênero como no plano abaixo, homenagem explícita a Crepúsculo dos Deuses:

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Com um desfecho infinitamente mais pessimista do que o da primeira temporada (que, temperamento de Rust Cohle à parte, foi até bastante positivo), a segunda temporada de True Detective enviou o espectador para fora daquele universo com a sensação de que o crime compensa, esperança é desperdício de energia e o amor só provoca dores e nada salva.

Com a sensação, portanto, de ter assistido a um noir impecável.

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Quarteto Fantástico – A Versão de 1994 (Legendada)

postado em by Pablo Villaça em Cinema | Comente  

Não sei se digo “de nada” ou “desculpa aí”.