Interestelar e a Exploração Espacial

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Supercut.

Muitos Ones

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Não sou um grande conhecedor de teoria musical, o que me entristece. Eu gostaria de entender mais sobre estrutura melódica, interações de instrumentos na harmonia, influências e por aí afora, mas sou um completo leigo no assunto.

Uma das coisas que mais me fascinam, aliás, é observar como a mesma canção se transforma em tom, atmosfera e personalidade dependendo da versão e da persona artística de quem a executa – algo que podemos observar, na prática, ao compararmos as várias versões de “One”, composta por Harry Nilsson em 1968 e que se tornou particularmente célebre ao ressurgir na voz de Aimee Mann na trilha de Magnólia.

Abaixo, busquei colocar algumas das principais versões em ordem cronológica:  Leia mais

Quantas vezes os pais de Bruce Wayne terão que morrer?

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Supercut.

Dialogando com uma Coxinha

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Infelizmente, nem sempre a conversa é tão… produtiva. Às vezes, alguém se dá ao trabalho de criar um perfil falso só pra enviar isso:000ameaça

Analisando imagens e a diferença entre números e pessoas

postado em by Pablo Villaça em Política | 5 comentários

Como alguém que vive de analisar imagens, devo dizer que fiquei profundamente encantado com duas delas que vi nos últimos dias. A primeira aconteceu durante uma entrevista que Lula deu a Mino Carta: enquanto falava sobre como aqueles que antes só podiam viajar de ônibus agora conseguem pagar passagem de avião, Lula leva as mãos à cabeça numa empolgação tão grande, quase infantil, que expõe uma felicidade incontida diante da constatação. Isto me encantou especialmente porque sei como é raro (muito raro) ver alguém com a trajetória e a experiência dele ainda se mostrando capaz de se empolgar tanto com a alegria do homem do povo. (O momento está aos 8:35: https://www.facebook.com/video.php?v=709568759129502)

Já a imagem de Dilma foi uma foto na qual, durante um ato público, ela surge abraçada por uma senhora no meio da multidão. Aliás, “abraçada” não é o termo exato: a senhora em questão praticamente dá uma chave de braço em Dilma enquanto, com a mão livre, segura um celular para tirar uma “rousselfie”. (Quando vi a foto no Twitter, a legenda brincalhona dizia: “EU PAGO MEUS IMPOSTOS E A SENHORITA VAI TIRAR FOTO COMIGO SIM!!!”)

O que me cantou nesta foto (http://i.imgur.com/D4KERhj.jpg), aliás, nem foi a proximidade da presidenta com o povo – uma proximidade que vocês não vêm na outra candidatura -, mas um fato muito revelador: enquanto toma a chave de braço, Dilma… sorri. Não há medo ou desconforto em seu rosto, mas um sorriso por estar recebendo aquele gesto tão… firme… de carinho.

E são esses detalhes, que surgem na espontaneidade e no calor do momento, que revelam muito sobre Lula e Dilma e o tipo de líderes que são.

O que me traz a um segundo ponto.

Como alguns de vocês talvez saibam, sou filho e sobrinho de pessoas que lutaram contra a Ditadura. Cresci ouvindo as histórias das barbaridades cometidas naquele período contra jovens que lutaram para que hoje outros jovens tivessem a liberdade, inclusive, de ofender a presidenta usando termos incrivelmente baixos. Cresci vendo pessoas que eu amava carregando sequelas físicas, psicológicas e emocionais das torturas. E cresci também num país de desigualdades que trazia capas de jornais falando da fome, que era considerado um problema insolúvel, e exibindo fotos de crianças subnutridas e à beira da morte.

E lembro de minha mãe discutindo aquelas questões comigo e me ensinando algo que nunca esqueci: que, ao ler notícias falando de “milhares ou milhões de miseráveis e famintos”, nunca me esquecesse de que aquelas estatísticas representavam pessoas. Ela me ensinou que muitas vezes, quando a imprensa traz estes números, tendemos a nos esquecer de não são só números,

E é por isso que quando li a notícia de que o Brasil havia saído do Mapa da Fome da ONU pela primeira vez, chorei.

Chorei de alegria por saber que aquela não era mais a realidade de milhões e milhões de pessoas.

Chorei por saber que meus filhos vão crescer num país melhor do que aquele no qual cresci.

E chorei porque lembrei do que minha mãe me ensinou e percebi que se o Brasil mudou é porque finalmente tivemos, em Lula e Dilma, presidentes que sabem que por trás de cada estatística e de cada número há uma vida, uma pessoa, um brasileiro.

Carta Aberta a Quem Tem Menos de 25 Anos

postado em by Pablo Villaça em Política | 27 comentários

Uma Carta Aberta a Quem Tem Menos de 25 Anos Escrita por um Tio Preocupado (Não o “Tio” do Jornal Nacional, que é Daqueles Que te Constrangem nas Festas com um Papinho Preconceituoso, mas o Tio que Usa Tênis, Calça Jeans Puída e que te Constrange nas Festas Porque Insiste em Conversar com Seus Amigos Como se Fosse da Turma.)

Li esta semana que Aécio tem tido uma boa votação entre os jovens de 18 a 25 anos de idade e fiquei espantado. A juventude é a época do pensamento no coletivo, do idealismo, da generosidade. É a época em que tendemos a pensar mais no mundo do que no umbigo. É a época em que o sofrimento daquele mendigo pelo qual passamos na rua dói e sentimos o impulso de erguê-lo, de alimentá-lo, de agasalhá-lo. É só com o passar dos anos que começamos a tender a um foco mais individualista: pensamos nas nossas contas bancárias antes de fazermos uma doação. Nem todos passam por esta transformação (felizmente), mas a tendência geral é esta.

Assim, como é possível que tantos de nossos jovens já estejam iniciando a idade adulta com um pensamento tão conservador? O pensamento de que o “mercado” importa mais do que as pessoas? O pensamento de que o conteúdo do iPod é mais importante do que o conteúdo da alma (e uso alma como metáfora)? O pensamento de que poder escolher o tipo de iogurte é… nem sei como completar esta frase. Que tal… “minimamente relevante”?

E aí fiquei pensando. O que pode ter acontecido pra que esse conservadorismo aparente tivesse tomado conta da juventude? Seriam os novos jovens mais egoístas do que os da minha época?

Claro que não. A juventude respira generosidade se tiver permissão e contexto.

É isso. Faltam permissão e contexto.

Um tiquinho de paciência e já explico.

A falta de “permissão” vem da mídia e da despolitização. Os jovens abaixo de 25 anos cresceram com uma mídia cujo conservadorismo já resultou em críticas até do Reporters Without Borders (1) e que insiste em transformar qualquer denúncia, por menor que seja e por menos provas que tenha, em um escândalo inquestionável. Às vésperas da eleição de 1989, por exemplo, os jornais relacionaram o PT ao sequestro de Abílio Diniz, comprometendo a vitória da esquerda, mas mais recentemente, na última eleição presidencial, podemos encontrar um exemplo claro no caso Erenice Guerra, próxima de Dilma, que foi massacrada pela Globo e pelos jornais durante semanas, acusada de todo tipo de ato de corrupção imaginável. Erenice que depois foi, vejam só, inocentada. O mesmo ocorreu com o ex-ministro Orlando Silva. E com Luis Gushiken. E, ESTA SEMANA, com José Luis Dutra, que a Folha acusou numa matéria de ter sido “denunciado” por Paulo Costa apenas para, no dia seguinte, publicar uma pequena errata dizendo que haviam errado e que Dutra nada tinha a ver com o caso.

Com isso, a mídia criou uma impressão de corrupção generalizada – mas só do lado que a interessa, já que sempre ignora qualquer denúncia contra a direita (cartel do metrô em SP, falta de planejamento da SABESP, mensalão tucano, compra de votos da reeleição de FHC, máfia dos sanguessugas, etc.). Aliás, quando noticia algo, é pra aliviar a barra: esta semana, o Jornal Nacional anunciou que a Procuradoria Geral da República arquivou denúncias contra Aécio no caso do aeroporto em Cláudio – mas deixou convenientemente de informar que a PGR disse apenas que não havia indícios de ilícito em esfera FEDERAL e que, por isso, encaminhou a denúncia pra Procuradoria Geral do Estado por ver indícios de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA por parte do governo de Aécio.(2)

Assim, como a juventude pode se sentir livre para defender o projeto do governo se este é constantemente rotulado pela mídia brasileira como “o mais corrupto da história”? Um governo que, vejam só, criou diversos mecanismos justamente para investigar, coibir e punir a corrupção? (3) Com isso, só resta a opção de defender a oposição, cujos desmandos são varridos para debaixo do tapete, embora sejam inúmeros, de vulto infinitamente maior e, ao contrário do que ocorre com o governo Dilma, JAMAIS investigados apropriadamente.(4)

Isto tem um nome: despolitização. A mídia atira termos como “bolivarianismo” e “Foro de São Paulo” na cabeça do público e passa a vê-lo reproduzi-los sem terem ideia do absurdo que dizem. Como aqueles que afirmam, sem hesitar, que o filho de Lula se tornou multimilionário e é dono da Friboi, duas mentiras que, de tanto serem repetidas, se tornaram mantra de vários eleitores da oposição.

Já o segundo elemento que torna nossa juventude conservadora é o contexto. Ou melhor: a falta de. Quem tem menos de 25 anos cresceu num país pós-Lula. E, assim, se acostumaram a um país com problemas infinitamente menores do que aqueles que eu vi ao crescer. É uma juventude que compreensivelmente quer melhorias constantes, mas à qual falta a compreensão de que 500 anos de injustiças não são corrigidos em apenas 12 anos. É uma juventude que nunca leu nas capas de jornal que a fome estava matando um número trágico de crianças, que não viu milhares de indivíduos com curso superior fazendo fila pra um concurso de gari numa época em que o Brasil era o 2o pais do mundo em DESEMPREGO, que não viu os juros dos bancos atingirem 79% ao ano, etc, etc, etc. (5)

Infelizmente, estes jovens não se lembram de como o Brasil era antes da era Lula-Dilma. Mas eu lembro. Lembro do Plano Cruzado com suas donas-de-casa fiscais de preço; do confisco da bolsa; dos apagões de FHC e sua dependência do FMI (6). Lembro de quando FHC obrigou o país a racionar luz (7). Lembro da falta de oportunidades na educação pública (8). Da falta de universidades (9) (que poderia ser pior; já que ele cogitou acabar com as públicas) (10). Lembro da inflação (que tantos dizem que FHC controlou, mas que na realidade subiu descontroladamente no seu mandato).(11) Lembro da compra de votos pra reeleição (200 mil/deputado). (12) Lembro dos grampos telefônicos na era FHC.(13) Lembro do Engavetador-Geral da União, que, ao contrário do que ocorre hoje, não permitia que as denúncias fossem investigadas.(14) Lembro do vexame da “festa” dos 500 anos.(15) Lembro do 1,6 BILHÃO que FHC deu ao Marka/FonteCindam (e lembro do Cacciola).(16) Lembro do filho de FHC e seu envolvimento com a EXPO 2000.(17) Lembro do massacre no Eldorado dos Carajás.(18) Lembro da dengue descontrolada.(19) Lembro dos reajustes de 580% na telefonia.(20) Lembro do PIB ridículo.(21) Lembro dos mais de 2 BILHÕES de fraude na SUDAM de FHC.(22) Lembro de FHC chamando aposentados de “vagabundos”.(23) E o povo brasileiro de “caipira“.(24). Lembro de como Aécio, ao contrário do que afirmou recentemente, votou contra o aumento real do salário mínimo.(25) Lembro de como Aécio sabotou CPI sobre a má gestão tucana da Petrobrás em 2001, que resultou no afundamento de uma plataforma.(26) Lembro de Armínio Fraga, que Aécio anunciou como seu ministro da Fazenda, dizendo que o salário mínimo está alto demais.(27) Lembro de quando Armínio era presidente do Banco Central e elevou os juros básicos de 37% para 45%.(28)

Lembro, enfim, muito bem de como era este país até 12 anos atrás. Esta é a questão: não falo tanto de política porque gosto. Ao contrário: me dá dor de cabeça, me faz perder leitores e me prejudica profissionalmente.

Eu falo tanto de política porque preciso. Tenho dois filhos. Não quero pra eles o Brasil no qual cresci. Não quero retrocesso. E é por esta razão, por saber que tenho tantos leitores jovens, que me sinto na obrigação de passar a eles um pouco do que vivi e testemunhei. Porque acredito na generosidade da juventude e acredito que, quando forem lembrados de como este país era e do que se tornou, votarão com a consciência de que, depois de 500 anos de miséria e fome, os últimos 12 anos viram uma redução de 75% na pobreza extrema (imaginem isso!)(29), viram o Brasil sair PELA PRIMEIRA VEZ do mapa da fome da Onu (30) e também viram nosso país ser premiado por três iniciativas públicas pela mesma ONU (31).

E trazer estas informações para nossos jovens, em vez de apenas bombardeá-los com factóides e denúncias que sempre parecem surgir magicamente nas vésperas da eleição, não é ativismo político; é apenas ser responsável como cidadão.

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FONTES:
1. http://articles.latimes.com/2013/mar/03/world/la-fg-brazil-hostile-media-20130304
2. http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/10/pgr-arquiva-representacao-contra-aecio-por-construcao-de-aeroporto.html
3. https://www.facebook.com/pablovillaca01/posts/576172119154685
4. http://top10mais.org/top-10-maiores-crimes-de-corrupcao-no-brasil/
5. http://fhcnao.blogspot.pt/2014/10/como-era-o-brasil-no-governo-do-psdb.html
6.http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u53074.shtml
7.http://www.ailtonmedeiros.com.br/o-racionamento-de-energia-na-epoca-de-fhc-segundo-a-veja/2013/01/14/
8.http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Educacao/Educacao-superior-em-Lula-x-FHC-a-prova-dos-numeros/13/16291
9.http://democraciapolitica.blogspot.com.br/2014/05/governos-pt-criaram-18-universidades.html
10.http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/05/15/fim-da-universidade-publica-fhc-obedeceu-ao-fmi/
11.http://diariodebordo.cinemaemcena.com.br//?p=3782
12.http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/palmeriodoria.html
13.http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_grampo_do_BNDES
14.http://socialistamorena.cartacapital.com.br/nos-tempos-do-engavetador-geral-refrescando-henrique-cardoso/
15.http://ocarlismo.blogspot.com.br/2012/10/acm-e-o-vexame-da-festa-dos-500-anos.html
16.http://www.midiaindependente.org/pt/red/2012/11/513752.shtml
17.http://www.dgabc.com.br/Noticia/160639/fhc-diz-que-gasto-de-rs-10-mi-em-hannover-e-modesto-?referencia=navegacao-lateral-detalhe-noticia
18.http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Eldorado_dos_Caraj%C3%A1s
19.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff120101.htm
20.http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/60/materia/4561
21.http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/desconstruindo-fhc
22.https://www.dgabc.com.br/Noticia/182029/fhc-extingue-sudan-e-sudene-mas-investigacao-continua-?referencia=buscas-lista
23.http://www2.uol.com.br/JC/_1998/1205/br1205n.htm
24.http://www.quemdisse.com.br/frase.asp?frase=60989
25.http://www.viomundo.com.br/denuncias/maximiliano-garcez-aecio-votou-sim-contra-aumento-salario-minimo.html
26.http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2014/10/aecio-forca-campanha-com-petrobras-mas-abafou-cpi-do-naufragio-da-plataforma-p-36-5393.html
27.https://www.youtube.com/watch?v=kIiHuNM-jl0
28.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi05039906.htm
29.http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2014/09/16/brasil-reduz-a-pobreza-extrema-em-75-diz-fao.htm
30.http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/sair-do-mapa-de-fome-da-onu-e-historico-diz-governo
31.http://www.onu.org.br/tres-iniciativas-brasileiras-vencem-premio-global-da-onu-de-servico-publico/

Festival do Rio 2014 Dia #08

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Abraço aos leitores Neylan, que foi extremamente gentil ao vir conversar comigo antes da sessão de “Solness, o Construtor”, e Maurício, que me cumprimentou afetuosamente no Espaço Rio.

Dito isso, peço perdão, mas não escreverei sobre os filmes de hoje. Não fiquei particularmente empolgado com nenhum dos três que vi e, como estou bem cansado (como verão no vídeo), optei por me dar esse mimo de ir dormir mais cedo. Em vez disso, falarei sobre os três apenas no vídeo mais abaixo:

28) Acorda, Nicole (Tu dors Nicole, Canadá, 2014). Dirigido e roteirizado por Stéphane Lafleur. Com: Julianne Côté, Claudia-Émilie Beaupré, Marc-André Grondin, Francis La Haye, Simon Larouche. (3 estrelas em 5) 

29) Campo de Jogo (Idem, Brasil, 2014). Dirigido por Eryk Rocha. (3 estrelas em 5) 

30) Solness, o Construtor (A Master Builder, EUA, 2014). Dirigido por Jonathan Demme. Roteiro de Wallace Shawn. Com: Wallace Shawn, Julie Hagerty, Lisa Joyce, Larry Pine, André Gregory, Jeff Biehl, Emily Cass McDonnell. (3 estrelas em 5)

Festival do Rio 2014 Dia #07

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Hoje foi o dia em que fui mais abordado por leitores – e, infelizmente, o cansaço me impede de lembrar os nomes de todos. Então, deixo um carinho para a Danielle, o Renato e os dois Vitors enquanto espero que os demais me perdoem pelo esquecimento.

E os filmes…

24) Bem Perto de Buenos Aires (Historial del miedo, Argentina, 2014). Dirigido e roteirizado por Benjamín Naishtat. Com: Jonathan Da Rosa, Tatiana Giménez, Mirella Pascual, Claudia Cantero, Francisco Lumerman, César Bordón, Valeria Lois, Elsa Bois, Edgardo Castro, Mara Bestelli.

A impressão que tive ao assistir a este Bem Perto de Buenos Aires é a de que o diretor estreante Benjamín Naishtat, impressionado com o clima criado por nosso Kléber Mendonça Filho em seu magistral O Som ao Redor e intrigado por seus temas, resolveu transformar em um longa-metragem a sequência de pesadelo na qual vemos uma multidão de miseráveis saltando os muros da classe média. Infelizmente, esta sua alegoria sobre as culpas e ansiedades da classe média alta surge como uma obra sem vida, foco ou profundidade, resultando num dos piores filmes que vi nesta edição do Festival do Rio. (1 estrela em 5)

 

25) Vietnã: Batendo em Retirada (Last Days in Vietnam, EUA, 2014). Dirigido por Rory Kennedy. Roteiro de Mark Bailey e Keven McAlester.

O cessar-fogo no Vietnã assinado por Nixon em janeiro de 1973 não foi, ao contrário do que muitos acreditam, o momento definitivo no qual os Estados Unidos perderam aquela guerra. Não, a derrota, muito mais trágica e embaraçosa, veio cerca de dois anos depois, quando as forças do Vietnã do Norte chegaram a Saigon enquanto os últimos norte-americanos no país fugiam desesperados para evitar caírem nas mãos dos inimigos.

O que este ótimo documentário reconta, porém, é uma pequena história de heroísmo em meio ao caos e que, mesmo não redimindo as ações do exército ianque naquele país, ao menos resgata e honra iniciativas individuais que resultaram em alguns milhares de vidas salvas.

Ancorado em depoimentos de fuzileiros, pilotos de helicóptero, refugiados vietnamitas e de figuras como Kissinger e McNamara, Vietnã: Batendo em Retirada parte do acordo assinado por Nixon e de como sua renúncia serviu de incentivo para que os norte-vietnamitas o quebrassem, abordando, então, os planos de evacuação concebidos pelo governo dos Estados Unidos e o completo despreparo no qual se encontravam quando chegou o momento de implementá-los.

Cientes de que os tanques do Vietnã do Norte entrariam em Saigon a qualquer momento, os funcionários da embaixada dos EUA iniciam manobras clandestinas, sem autorização de seus superiores, para retirarem seus contatos sul-vietnamitas do país, já que certamente seriam executados caso capturados – e é revelador como o congresso norte-americano se recusa, neste momento delicado, a liberar a verba fundamental para implementar uma evacuação em larga escala. Com isso, o embaixador Graham Martin (que havia perdido seu único filho durante a guerra e que, talvez por isso, parecia se recusar a aceitar a queda de Saigon) determina a retirada do maior número possível de refugiados com a ajuda dos helicópteros que deveriam transportar seus funcionários, recusando-se a abandonar a embaixada até que todos tenham sido levados dali.

Ilustrado por imagens de arquivo que indicam um exaustivo e excepcional trabalho de pesquisa feito pelos realizadores, o documentário parece trazer registros de praticamente todos os principais incidentes mencionados pelos entrevistados – da derrubada de uma árvore que tinha valor simbólico no centro da embaixada até a visão inacreditável de fuzileiros dos EUA empurrando helicópteros para fora do porta-aviões a fim de abrir espaço para que outros pudessem pousar com mais refugiados. Além disso, os entrevistados relembram passagens curiosas, como a determinação para que queimassem um milhão de dólares em espécie a fim de evitar que o dinheiro fosse tomado pelos norte-vietnamitas (uma tarefa que levou oito horas para ser completada) e a manobra heroica de um piloto sul-vietnamita que, depois de transportar sua família para um navio dos Estados Unidos, atirou seu helicóptero ao mar, saltando segundos antes do impacto (ele escapou com vida).

Ainda assim, apesar de todos os esforços humanitários feitos por aqueles indivíduos, Batendo em Retirada não consegue deixar de encerrar sua narrativa com a memória trágica daqueles que foram deixados para trás – especialmente dos 420 sul-vietnamitas (incluindo dezenas de crianças) que foram levados a acreditar que seriam levados para fora do país, permanecendo no pátio da embaixada aguardando por helicópteros que jamais viriam.

E encerrando a participação dos Estados Unidos naquela guerra da mesma maneira como esta começou: cruel e desastrosamente. (4 estrelas em 5)

 

26) O Estopim (Idem, Brasil, 2014). Dirigido e roteirizado por Rodrigo Mac Niven.

Basicamente, temos uma PM que pune boa parte da nossa população pelo inafiançável crime de pobreza. Tratando os moradores das favelas como insetos que podem ser esmagados por incomodarem os “cidadão de bem” com sua presença abjeta, as forças policiais – e aqui generalizo movido por estatísticas, não por preconceitos – parecem encarar as favelas e as periferias como um campo de batalha no qual qualquer indivíduo sem farda é um inimigo em potencial. É uma existência sofrida que nós, os privilegiados brancos de classe média (e daí pra cima), só podemos visualizar em pesadelos – e não sei o que faria caso tivesse que ver um policial apontando um fuzil na direção de meus filhos apenas com o propósito de me intimidar para não denunciá-lo.

Dirigido por Rodrigo Mac Niven, O Estopim é um documentário amplo e ambicioso que, partindo do desaparecimento do pedreiro Amarildo, em 14 de julho de 2013, faz uma análise da conjuntura política e social que gerou uma polícia cuja brutalidade corriqueira as classes mais favorecidas só passaram a testemunhar de fato quando foi dirigida aos manifestantes de junho de 2013 – e se os PMs agiram daquela maneira mesmo com as câmeras do mundo voltadas para suas ações, podemos apenas imaginar o que fazem nas favelas, sempre localizadas no ponto cego da mídia.

Incluindo entrevistas com cientistas políticos, delegados, advogados, ativistas de direitos humanos e líderes comunitários, o filme analisa desde a origem da lógica perversa do bater-e-torturar como recurso “investigativo” e punitivo durante a Ditadura até a situação aparentemente sem solução que temos hoje, que submete a população mais miserável a uma tortura psicológica (quando não física) constante – e é bastante sintomático que determinada operação protagonizada pelos policiais militares seja batizada de “Paz Armada”, num ato falho que, no paradoxo do nome, já reflete a visão da corporação.

Não é à toa, portanto, que o delegado que investigou inicialmente o desaparecimento de Amarildo revele, durante a projeção, que a pergunta que mais ouvia de amigos e parentes era se o pedreiro era ou não traficante, como se isto justificasse seu destino. Aliás, foi justamente por conhecer esta mentalidade propagada pela mídia e absorvida pelas classes dominantes que os responsáveis pela morte do sujeito imediatamente adotaram a estratégia de tentar criminalizá-lo, sendo auxiliados por grandes veículos jornalísticos que venderam a teoria de envolvimento da vítima com o tráfico enquanto ilustravam suas matérias com fotos que traziam Amarildo com ar ameaçador. Esta atitude irresponsável, criminosa, que equivale a um segundo assassinato, acaba servindo de respaldo para que aberrações como os Bolsonaros possam vomitar seus discursos de ódio – e um dos momentos mais revoltantes de O Estopim traz um discurso de Flávio Bolsonaro no qual vitimiza os PMs acusados de matar Amarildo ao mesmo tempo em que retrata o pedreiro como criminoso.

Fotografado com maestria por Neto de Oliveira, que mantém sua câmera sempre em movimento ao retratar os estreitos becos da Rocinha e que já inicia o longa com um plano plongé sensacional, o filme peca apenas por trazer desnecessárias recriações da tortura à qual Amarildo foi submetido, como se precisássemos desta encenação para constatarmos a barbaridade cometida. Mas isto é um pecadilho diante de todas as colossais virtudes do documentário, que, ao final, deixa clara nossa cumplicidade subentendida na tragédia, já que, de modo geral, todo favelado assassinado pela polícia acaba se tornando traficante postumamente, mesmo que não o fosse em vida.

E que boa parte da população aceite estas execuções como naturais, sendo as vítimas falsamente acusadas ou não, é sintoma de uma sociedade profundamente adoentada em sua alma. (5 estrelas em 5)

 

27) Sangue Azul (Idem, Brasil, 2014). Dirigido por Lírio Ferreira. Roteiro de Lírio Ferreira, Fellipe Barbosa, Sérgio Oliveira. Com: Daniel de Oliveira, Caroline Abras, Sandra Corveloni, Milhem Cortaz, Laura Ramos, Rômulo Braga, Matheus Nachtergaele, Paulo César Pereio e Ruy Guerra.

Sangue Azul é lindo, poético, profano, romântico, triste e mágico. Dirigido por Lírio Ferreira, o filme nos apresenta a personagens que sofrem sem ter muita certeza sobre por que doem tanto, mas que, nos intervalos do sofrimento, bebem, riem e se amam profundamente. Esta é uma obra apaixonada pelo universo que retrata, mesmo que este não seja igualmente valorizado por aqueles que o habitam – e o fato de chegarmos ao final da projeção com um irrefreável desejo de mergulharmos em suas águas mesmo que cientes da melancolia que experimentaremos é um testemunho da eficácia da narrativa.

Escrito por Ferreira ao lado de Fellipe Barbosa e Sérgio Oliveira, Sangue Azul tem um início felliniano ao trazer um circo sendo erguido com determinação por um grupo de artistas supervisionados pelo dono da empreitada, o ilusionista Kaleb (Pereio). Prestes a iniciar uma temporada em uma ilha “situada entre o Brasil e a África”, aqueles artistas desempenham seus números com amor e dedicação – e, entre eles, encontra-se Zolah (Oliveira), que, nascido ali, foi entregue ainda criança a Kaleb por sua mãe (Corveloni). Ao rever a irmã Raquel (Abras), porém, Zolah experimenta uma atração intensa (e, claro, proibida) que talvez explique os motivos que o levaram a ser abandonado na infância. Enquanto isso, os demais integrantes da trupe experimentam suas próprias mudanças durante o tempo que permanecem na ilha, cuja história é recontada pelo sábio Mumbebo (ninguém menos do que Ruy Guerra).

Rodado em Fernando de Noronha, o longa explora magnificamente bem as lindíssimas locações através da fotografia de Mauro Pinheiro Jr., que cria uma paleta de cores supersaturadas que ressaltam não só a geografia local, mas também os ótimos figurinos de Juliana Prhyston. Da mesma maneira, as cenas que retratam os números do circo devotam um olhar quase mágico àqueles artistas, ao passo que a bela trilha de Pupillo ajuda a construir uma atmosfera evocativa que vai do melancólico ao romântico em uma batida. Aliás, se há algo que Sangue Azul tem de sobra é amor por seus personagens, levando o espectador a desejar conhecer aquelas pessoas e a conviver com elas.

Centralizando a narrativa em torno do Zolah, o filme é beneficiado pela excelente performance de Daniel de Oliveira, que encarna o personagem como um indivíduo que encara o sexo como mecanismo de prazer imediato, mas também de fuga – e não é à toa que praticamente todas as cenas que o trazem transando com alguém (e são muitas) retratam o sexo de forma mecânica e nada romântica, já que esta postura reflete seu hábito de sentar-se sobre o canhão do qual é disparado em seu número, como se tivesse um falo imenso e impessoal entre as pernas. Emocionalmente retraído, Zolah é um homem com dificuldades de processar a dor de ter sido abandonado e de desejar a própria irmã – e, portanto, quando finalmente se entrega a um choro dolorido, este sai de forma desajeitada, em pequenas convulsões, como se o sujeito vomitasse sua dor em vez de expeli-la através de lágrimas. Em contrapartida, sua relação com Raquel revela uma vontade de pertencimento única, o que o leva a enfrentar sua maior fobia ao mergulhar (literal e metaforicamente) no universo da garota.

Enquanto isso, os companheiros do protagonista percorrem suas próprias trajetórias, desde o atirador de facas Gaetan (Nachtergaele), que se mostra cada vez mais instável, a Kaleb, cuja admiração pelo Johnny Strabler vivido por Marlon Brando em O Selvagem acaba por transformá-lo em uma aparição que, devidamente vestido em uma jaqueta de couro e surgindo em uma moto, acusa Zolah de evitar “mergulhar” (isto para não mencionar o fato de que, como os companheiros de Strabler, o circo de Kaleb altera a estabilidade da comunidade que visita – o que se torna evidente através da posição da câmera ao enfocar Raquel e o marido na cama, que se altera a cada cena até trazê-los de ponta-cabeça).

Criando aquele que talvez seja o casal gay mais improvável da História do Cinema brasileiro (Pereio e Cortaz), Sangue Azul ainda presenteia o público com uma das cenas mais lindas que a Sétima Arte produzirá em 2014: a dança-luta-sedução que Zolah e Raquel protagonizam sob a água em um longo plano no qual se abraçam, se afastam, se agarram e flutuam em meio à agua cristalina de Fernando de Norinha, dando vazão a um desejo proibido que, mais tarde, o velho Mumbebo reconhecerá em cada espectador ao encarar o público de forma cúmplice, mas levemente acusatória.

E certeira. (5 estrelas em 5) 

Festival do Rio 2014 Dia #06

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Um grande abraço aos meus alunos Melina Alvarez, Miguel e Luca, que vieram falar comigo durante os intervalos do festival.

Já os filmes…

20) A Vida Privada dos Hipopótamos (Idem, Brasil, 2014). Dirigido por Maíra Bühler e Matias Mariani.

A ideia inicial dos diretores Maíra Bühler e Matias Mariani era a de realizar um documentário sobre estrangeiros que se encontram nas penitenciárias brasileiras – um plano que a dupla alterou quando, durante a pesquisa, entrou em contato com o norte-americano Chris Kirk, cuja história atraiu a atenção dos cineastas a ponto de se tornar o centro do projeto.

E durante a maior parte de A Vida Privada dos Hipopótamos compreendemos a decisão: Kirk é um excelente contador de histórias e, surgindo sempre com um sorriso aberto e com os olhos grandes e claros exibindo uma alegria imensa de ser ouvido, parece realmente merecer o posto de protagonista de seu próprio filme. Explicando que sua trajetória rumo à prisão começou quando ouviu falar sobre os hipopótamos importados para a Colômbia por Pablo Escobar e que passaram a fazer parte do ecossistema local, Kirk explica que logo decidiu visitar aquele país quando, já em seu primeiro dia, conheceu a bela V., com quem iniciou um relacionamento turbulento que durou cerca de dois anos.

Neste ponto, Bühler e Mariani embarcam na narrativa de seu personagem, que passa a ditar os rumos da história – e, com isso, a maior parte da projeção é dedicada à passagem de V. pela vida do sujeito. Retratada como uma mulher misteriosa (algo ressaltado pelas fotos e vídeos que parecem prestes a revelar seu rosto, mas nunca chegam a fazê-lo), a garota parece envolver o ingênuo norte-americano e a manipulá-lo com maestria, sendo divertido perceber como, em retrospecto, Kirk se mostra atento aos sinais estranhos que o relacionamento gerava (algo que enlouquece seus amigos, que surgem assistindo à sua entrevista em certo ponto). Além disso, como já sabemos que história de Chris terminará na cadeia, sentimos uma ansiedade crescente com relação aos incidentes que o levaram até ali e que certamente devem envolver V., já que ela domina a narrat…

… não. O envolvimento da moça é, no máximo e com muita boa vontade, apenas periférico na prisão de Kirk. E, assim, a pergunta é: por que diabos passamos cerca de 60 minutos ouvindo histórias sobre a garota?

É precisamente isto que transforma A Vida Privada dos Hipopótamos em uma experiência tão frustrante apesar de prender nossa atenção e de criar uma boa expectativa em torno do protagonista durante boa parte do tempo: o documentário não só engana o público com sua estrutura como ainda não justifica a mudança no foco do projeto, já que, por melhor que Chris Kirk seja pra contar sua história, a verdade é que esta não se revela particularmente interessante no fina das contas.

No processo, claro, há passagens memoráveis (como sua reflexão acerca da futilidade de uma vida suburbana de classe média), mas, no final das contas, há sempre o fracasso final em fazer jus à expectativa que cria. Fã assumido de con artists (trapaceiros), Chris Kirk aparentemente aplicou um golpe perfeito ao sugerir que tinha algo na manga quando esta trazia apenas um vazio completo. (3 estrelas em 5)

 

21) Obra (Idem, Brasil, 2014). Dirigido por Gregorio Graziosi. Roteiro de Gregório Graziosi, Paolo Gregori e José Menezes. Com: Irandhir Santos, Júlio Andrade, Lola Peploe, Marku Ribas, Sabrina Greve, Marisol Ribeiro, Christiana Ubach.

Obra é uma meditação triste sobre reconstruções, recomeços e o peso do passado. É um filme com ritmo lento, estudado, que reflete a personalidade anestesiada de seu protagonista. É também um longa que usa a maravilhosa fotografia contrastada, com suas sombras duras e opressivas, para criar não só uma atmosfera melancólica, mas também ricos símbolos que desenvolvem seus temas de forma elegante. E, como se não bastasse, é também uma obra estrelada por Irandhir Santos, um dos melhores intérpretes de nosso Cinema.

Dirigido pelo estreante Gregório Graziosi com a segurança de um veterano, o filme acompanha o arquiteto interpretado por Santos enquanto este supervisiona um grande projeto erguido em terreno pertencente ao avô e acompanha a restauração dos afrescos de uma igreja importante em sua região. Prestes a se tornar pai, ele é acometido pela mesma hérnia de disco que atormentou seu pai e seu avô, passando a enfrentar também um dilema grave quando seu mestre de obra (Andrade) descobre doze ossadas enterradas no terreno que abrigará a construção.

A partir daí, Obra acompanha este protagonista de gestos lentos e natureza triste enquanto lida com a esposa, com o pai, com o funcionário e com a vida em passagens que constroem menos uma história e mais uma meditação acerca de nossas trajetórias no planeta, que, mesmo tão breves, se mostram tão conturbadas por ao mesmo tempo sustentarem a pressão de um passado individual e familiar e terem o dever de construir o suporte do futuro ao qual nos dirigimos. Não é à toa, por exemplo, que é justamente a coluna do arquiteto que acusa a maldição familiar, comprometendo sus movimentos e sua locomoção – e tampouco é acaso que sua esposa estrangeira, que carrega seu filho na barriga, tenha como profissão a investigação do passado da cidade, estudando sítios arqueológicos que a tornam mais apta a analisar a história local que seu marido, que tenta fugir desta.

Aliás, já nos primeiros minutos de projeção o sujeito aparece explicando a alguns alunos que algumas construções, por mais sólidas que pareçam, acabam tendo que ser demolidas quando o desgaste dos anos e a falta de planejamento compromete suas estruturas – um monólogo que, claro, é acompanhado de imagens de implosões projetadas sobre o corpo do próprio professor, que certamente se divide entre a atração do recomeço e a responsabilidade para com o passado.

Mas é mesmo a lindíssima fotografia em preto-e-branco de André Brandão que torna Obra tão memorável: mantendo o personagem de Irandhir Santos constantemente nos cantos dos quadros, que frequentemente também surgem com composições que ressaltam uma opressão cada vez maior (paredes que se estendem para o infinito, corredores estreitos, áreas escurecidas por estarem bloqueadas por alguma estrutura), o diretor de fotografia ainda concebe imagens esteticamente irrepreensíveis – e vários quadros vistos aqui poderiam ser impressos e emoldurados.

Estabelecendo também uma ótima rima visual entre os arranha-céus cobertos por névoas que abrem a projeção e a cidade já visível que a encerra, ilustrando a trajetória do arquiteto, Obra é um filme que faz jus à sua proposta ambiciosa.

Além disso, já falei que traz Irandhir Santos e, só por isso, merece destaque. (4 estrelas em 5)

 

 

 

22) Aloft (Idem, EUA/França, 2014). Dirigido e roteirizado por Claudia Llosa. Com: Jennifer Connelly, Cillian Murphy, Mélanie Laurent, Oona Chaplin, Peter McRobbie, William Shimell, Zen McGrath, Winta McGrath.

Como é possível que um filme protagonizado por duas atrizes tão lindas e competentes quanto Jennifer Connelly e Mélaine Laurent seja também tão tolo e desinteressante? Dirigido e escrito pela peruana Claudia Llosa (A Teta Assustada), o longa acompanha Nana (Connelly), uma viúva que, mãe de dois filhos, encontra-se atormentada pela doença grave que acomete o caçula. Buscando como último recurso a ajuda de um curandeiro, ela acaba sendo apontada por este como capaz de realizar suas próprias curas. Enquanto isso, numa narrativa paralela situada muitos anos depois, encontramos seu filho mais velho, Ivan (Murphy), que nutre imenso ressentimento pela mãe e decide acompanhar uma jornalista (Laurent) que pretende entrevistá-la.

Saltando de uma linha temporal a outra sem lógica aparente, Aloft não consegue sequer usar este batido recurso para criar alguma curiosidade com relação aos personagens, já que desde o princípio fica bem claro o que aconteceu e até mesmo o que acontecerá. Como se não bastasse, os personagens criados por Llosa são vazios e unidimensionais: Ivan é movido pelo ressentimento; Nana, pela dor do passado; Jannia, pelo desespero. Para piorar, nenhum de seus dramas pessoais é minimamente resolvido pelo roteiro, que até tenta incluir um plano de Ivan com expressão serena, mas sem se interessar em compreender como isto se tornou possível depois de uma conversa tão frustrante com a mãe.

Sem foco até mesmo ao discutir o conceito de cura sobrenatural que ele mesmo introduz, Aloft vale por um ou outro momento mais eficiente (como a jornada noturna sobre o lago congelado), mas nada que justifique o talento (e a beleza) do trio principal. (2 estrelas em 5)

 

23) Remake Remix Rip-off (Idem, Turquia/Alemanha, 2014). Dirigido por Cem Kaya.

Entre as décadas de 60 e 80, o Cinema turco chegou a atingir a incrível marca de cerca de 300 filmes produzidos por anos – obras que eram consumidas com paixão pela população e produzidas em tamanha abundância que as salas de exibição se limitavam a anunciar “filmes novos” na marquise, sem se preocuparem em informar os títulos. Por outro lado, durante boa parte da década de 70, a indústria local contava com apenas três roteiristas. Assim, como dar conta da demanda?

Simples: copiando sucessos norte-americanos. A partir daí, o diretor Cem Kaya, realizando um excelente trabalho de pesquisa, ilustra Remake Remix Rip-off com dezenas de obras que praticamente se limitam a variações de Drácula em Istambul, Tarzan em Istambul, Rambo em Istambul, O Exorcista em Istambul, E.T. em… mas vocês já entenderam. Trazendo entrevistas com diretores e atores da época (alguns dos quais nem se lembram de ter atuado em certos projetos, já que era comum um ator ter mais de 500 ou 1.000 filmes no currículo), Kaya pinta o retrato de uma indústria que ignorava completamente o conceito de direitos autorais, mas que, no processo, transformou a colagem e o plágio em uma arte em si mesma.

Despertando constantes gargalhadas através das cenas resgatadas destas produções (cowboys na Turquia?!), o documentário retrata também a dedicação e o amor daqueles profissionais pelo que faziam, sendo obrigados, pela falta de recursos, a improvisarem constantemente, criando dollies ao prenderem barras de sabão nos pés de estruturas que então deslizavam em estruturas molhadas ou mesmo roubando pedaços de celuloide que traziam sequências de longas norte-americanos que, então, eram inseridas em projetos locais. Além disso, basicamente todas as trilhas que embalavam estes filmes vinham de temas compostos por John Williams, Henry Mancini e Nino Rota – e o tema de O Poderoso Chefão, em particular, pode ser ouvido em centenas de projetos.

Resgatando também a importância do cineasta Yilmaz Güney para os Cinemas turco e o mundial (discuto sua carreira em meu curso “A Arte do Filme”, por sinal), Remake Remix Rip-off consegue nos fazer rir dos esforços de seus personagens sem com isso ridicularizá-los. Ao contrário: no processo, passamos a respeitar até mesmo a incorrigível picareta daqueles malucos apaixonados pela Sétima Arte. (4 estrelas em 5)

Festival do Rio 2014 Dia #05

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Em primeiro lugar, quero mandar um abraço carinhoso ao leitor Renê, que compartilhou comigo uma lembrança de seu avô Ali que me comoveu bastante.

Bom… mas vamos aos filmes.

16) Garota Exemplar (Gone Girl, EUA, 2014). Dirigido por David Fincher. Roteiro de Gillian Flynn. Com: Ben Affleck, Rosamund Pike, Carrie Coon, Kim Dickens, Tyler Perry, Neil Patrick Harris, Patrick Fugit, David Clennon, Lisa Banes, Missi Pyle, Casey Wilson, Sela Ward, Scoot McNairy.

A crítica já está no Cinema em Cena e pode ser lida aqui.

 

17) Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, EUA, 2014). Dirigido e roteirizado por Damien Chazelle. Com: Miles Teller, J.K. Simmons, Melissa Benoist, Paul Reiser, Austin Stowell, Nate Lang.

Imagine um filme que escalasse o sargento Hartman vivido por R. Lee Ermey em Nascido para Matar no lugar do Mr. Holland de Adorável Professor e terá uma ideia do que verá em Whiplash: Em Busca da Perfeição. Escrito e dirigido pelo jovem Damien Chazelle, de apenas 29 anos de idade (e também responsável pelo roteiro de – vá entender – Toque de Mestre), este longa representa uma experiência atípica ao levar o espectador ao riso com os excessos do mestre vivido por J.K. Simmons ao mesmo tempo em que provoca um profundo incômodo diante de seus métodos cruéis, conseguindo ainda, no processo, despertar uma discussão inesperada, mas relevante, sobre Educação e a fronteira entre incentivo e abuso.

Interpretado pelo excelente Miles Teller (que descobri em The Spectacular Now e que só melhora a cada novo trabalho), o jovem baterista Andrew Neyman tem o sonho de se tornar um dos maiores músicos de seu tempo. Para isso, consegue uma vaga no mais prestigiado conservatório do país e tenta atrair a atenção do regente mais célebre da instituição, o exigente e mítico Terence Fletcher (Simmons), que comanda uma banda de jazz considerada como berço de grandes profissionais. Aos poucos, porém, a disciplina militar mantida por Fletcher, que remete quase àquela do sargento Hartman já mencionado (com direito a um trompetista que, humilhado pelo condutor, chega mesmo a se parecer com o pobre soldado Pike de Nascido para Matar), começa a prejudicar o equilíbrio psicológico e emocional de Andrew, que passa a se dedicar aos ensaios de maneira quase autodestrutiva.

Explorando ao máximo um papel feito por encomenda para sua persona dominadora, J.K. Simmons praticamente se coloca entre os favoritos aos prêmios de atuação de 2014 ao encarnar Fletcher como um homem seguro de sua posição entre seus pares: ao entrar em um aposento, ele não abre as portas, mas as escancara como se um monarca estivesse invadindo a sala; ao selecionar um aluno para sua banda, anuncia a escolha como se concedesse o mais cobiçado dos prêmios; e ao conduzir os ensaios, trata seus pupilos com uma ferocidade que só se torna possível graças à certeza de que estes se submeterão aos abusos. Ao mesmo tempo, o Fletcher de Simmons é um homem capaz de demonstrar imensa sensibilidade, como ao chorar diante da execução perfeita de uma composição, e mesmo de gentileza, como ao conversar com a filha pequena de um amigo. Em contrapartida, suas interações com os alunos – e com Andrew, em particular – parecem sempre contar a semente de uma nova brutalidade, transformando até mesmo conversas aparentemente gentis em possíveis armadilhas psicológicas. Competente de maneira quase sobrenatural, Fletcher é capaz de identificar um instrumento levemente desafinado em meio a dezenas de notas e não hesita em protestar contra um erro grosseiro cometido por um músico ao ouvir apenas duas batidas.

Enquanto isso, Miles Teller evita a estratégia óbvia de converter Andrew em um herói típico ao mesclar sua natureza sonhadora com um toque excessivo de ambição e arrogância – e por mais que torçamos pelo sucesso do rapaz, não podemos deixar de notar como sua presunção se mostra danosa não só a ele mesmo, mas a todos que o cercam. Isto, claro, não compromete nossa admiração diante de sua dedicação absoluta ao instrumento, já que se entrega a sessões que cortam suas mãos sem levá-lo a interromper a prática. Com isso, a dinâmica que se estabelece entre Andrew e Fletcher é quase a de um casal disfuncional ou mesmo com componentes de sadomasoquismo, o que traz compreensíveis preocupações ao pai do garoto, vivido com doçura por Paul Reiser.

Ciente de que a natureza de brilhante improviso do jazz só é possível graças a muito ensaio e ao talento descomunal dos músicos, Damien Chazelle concebe as sequências musicais de Whiplash com uma linguagem mais comum em filmes esportivos, trabalhando com o montador Tom Cross para estabelecer uma energia intensa que acompanha os ritmos em cortes que revelam detalhes dos instrumentos, olhares e movimentos dos músicos, ações do condutor e as mãos frenéticas que executam cada nota.

Bem-sucedido também ao evitar que as ofensas disparadas por Fletcher tirem o espectador do filme, já que conseguem até provocar o riso sem que isto diminua o impacto que as palavras têm sobre os personagens (como deveriam ter, já que são recheadas de homofobia e racismo), Chazelle finalmente chega à discussão central de seu longa ao levar o público a rechaçar os métodos do condutor ao mesmo tempo em que reconhece sua eficácia em elevar os músicos a um nível diferenciado. “Não há duas palavras mais danosas do que ‘bom trabalho’”, afirma Fletcher em certo momento – e considerando que, de fato, boa parte dos grandes gênios já produzidos pela Humanidade fizeram sacrifícios pessoais que muitos de nós considerariam excessivos, não é absurdo imaginar que haja certa razão na lógica do sujeito, mesmo que questionemos seus extremos. Não que ele aja apenas por virtuosismo, já que também é capaz de atos de chocante mesquinharia e frieza – mas, ainda assim, é inegável que, nos momentos-chave, seu amor pela música se revela infinitamente maior do que a raiva que nutre.

Trazendo uma sequência final que conduz o espectador ao fade out final de maneira espetacular, levando-nos a deixar a sala de projeção com uma sensação de entusiasmo único pela música e pelo talento que testemunhamos, Whiplash é um filme que faz jus à própria ambição e que certamente merece os aplausos de reconhecimento que seu protagonista tanto cobiça. (4 estrelas em 5)

 

18) Corações Famintos (Hungry Hearts, Itália, 2014). Dirigido e roteirizado por Saverio Costanzo. Com: Adam Driver, Alba Rohrwacher, Roberta Maxwell, Jake Weber.

Corações Famintos é um drama familiar durante o qual, num dos momentos mais intensos, o protagonista grita para a esposa um desesperado “Nosso bebê está no percentil 7!” ao se referir ao peso da criança. Em um filme menos seguro, esta fala poderia soar ridícula como mote narrativo, mas o diretor Saverio Costanzo, auxiliado por seus dois excelentes atores principais, consegue fazê-la ecoar como uma afirmação tão grave quanto se o sujeito houvesse acabado de constatar que seu filho era, na realidade, fruto de uma inseminação demoníaca.

Apresentando-nos ao casal principal, Jude (Driver) e Mina (Rohrwacher), em uma cena que surge como o oposto do tradicional “Meet Cute” das comédias românticas norte-americanas, embora se revele bastante divertida, o roteiro gradualmente altera a atmosfera da narrativa para o drama até aterrissar num surpreendente clima de terror psicológico que sufoca o espectador ao lado daqueles personagens. E isto a partir de uma situação longe do sobrenatural: passando a sofrer de algum distúrbio psicológico durante e após a gestação, Mina se convence de que a melhor maneira de criar seu filho é através de uma alimentação “pura”, sem carnes, laticínios ou qualquer outro produto que não consiga passar por seu crivo materno guiado pelo instinto. Assim, à medida em que a criança começa a se tornar subnutrida, o pai do bebê dá início a estratégias cada vez mais desesperadas para alimentá-lo.

E Saverio Costanzo consegue a proeza de manter uma tensão crescente a partir desta situação aparentemente tão pouco cinematográfica por incríveis 110 minutos. Para isso, ele e o diretor de fotografia Fabio Cianchetti criam uma lógica visual inteligente, diminuindo a distância focal das grandes angulares até um ponto no qual os personagens parecem caminhar completamente deformados pelo apartamento sufocante concebido pela designer de produção Amy Williams. No início, estas grandes angulares já provocam algum desconforto ao serem empregadas em closes (algo que Tom Hooper provavelmente amaria – embora, aqui, haja uma razão narrativa para a escolha, ao contrário do que ocorre em seus trabalhos), mas gradualmente, enquanto vão se aproximando do efeito extremo do “olho de peixe”, já surgem alterando a percepção espacial em quadros mais abertos nos quais a câmera frequentemente é posicionada em um ângulo alto, tornando tudo ainda mais incômodo.

Enquanto isso, a montadora Francesca Calvelli costura as passagens seguindo uma lógica episódica, pontuando a projeção com fades que, quando surgem, já condicionam o público a esperar uma situação ainda pior na sequência seguinte, servindo simultaneamente para indicar a passagem do tempo e para ressaltar a urgência crescente do que vemos. Da mesma maneira, já no primeiro ato Costanzo planta pequenas sugestões de que algo atípico (resisto em dizer “sobrenatural”, embora esta seja a sugestão) está por vir ao trazer Mina tendo sonhos recorrentes que, claro, desempenham um papel claro na construção do filme.

Ancorado por duas atuações intensas de Adam Driver e Alba Rohrwacher, que conseguem estabelecer um amor tão real entre estas duas pessoas que acaba por dificultar as ações que se tornam necessárias quando a vida de um bebê começa a correr perigo, Corações Famintos é um filme incomum que constrói um tom opressivo de terror a partir de uma situação absolutamente realista – e, neste sentido, um título apropriado para a obra no Brasil poderia ser O Bebê de Roseréxica.

Mas com uma dieta vegana no lugar do Diabo. (4 estrelas em 5)

 

19) Mommy (Idem, Canadá, 2014). Dirigido e roteirizado por Xavier Dolan. Com: Anne Dorval, Suzanne Clément, Antoine-Olivier Pilon, Patrick Huard, Alexandre Goyette.

Em várias ocasiões, já manifestei minha admiração pelo jovem diretor canadense Xavier Dolan ao escrever sobre Eu Matei Minha Mãe e Amores Imaginários e ao comentar brevemente Laurence Anyways e Tom na Fazenda durante coberturas passadas de festivais. Aqui, porém, Dolan cria talvez o mais irregular de seus trabalhos ao apostar num recurso de linguagem como centro da narrativa e ignorar um equívoco básico na construção de seus personagens.

O equívoco: ao contar a história do jovem delinquente Steve (Pilon), Dolan comete um erro de cálculo grosseiro logo no primeiro ato da projeção ao trazer o rapaz estourando em uma série de explosões racistas e misóginas – e se até então conseguíamos rir dos excessos do tresloucado sujeito (e o propósito claro do cineasta é que possamos rir do rapaz), a coisa perde imediatamente a graça diante da feiura do que ocorre. (E embora eu não costume prestar atenção à reação da plateia ao analisar uma obra, aqui não pude deixar de notar como o público que lotava a sala na qual eu me encontrava passou imediatamente a adotar uma postura fria diante do personagem, devotando seus risos apenas à mãe vivida por Anne Dorval.)

A partir deste tropeço, Mommy se compromete irremediavelmente, já que ainda traz inúmeras passagens que se concentram precisamente no comportamento de Steve, cujas caretas, trejeitos e diálogos se tornam pesos mortos na projeção. Por outro lado, se a dinâmica entre Dorval e Suzanne Clément mantém certa graça necessária para que possamos continuar naquele triste universo por longos 134 minutos, esta não é suficiente para que aceitemos facilmente o efeito colateral representado por Steve.

Para piorar, o recurso de linguagem adotado como núcleo da obra por Dolan não é dos mais inspirados: se já havia flertado com o 1.33:1 em Laurence Anyways e com a mudança da razão de aspecto durante a projeção em Tom na Fazenda, aqui o cineasta decide combinar as duas ideias e radicalizá-las, filmando num extremamente incomum 1:1 e transformando a tela em um caixote no qual os personagens se amontoam desajeitadamente em composições que acabam favorecendo uma estética vertical que, em certos instantes, quase remete àquela dos vídeos rodados com o celular na posição incorreta.

Sim, é fácil compreender que o diretor quer, com isso, sugerir a falta de horizontes e a limitação que prende aqueles pobres indivíduos a uma realidade que insiste em frustrar seus sonhos e aspirações, mas, depois de um tempo, o recurso passa a soar mais como um truque barato do que como algo essencial à narrativa. Em contrapartida, no único momento em que a tela se abre em um arejado 1.85:1, Dolan cria a sequência mais linda do filme ao ilustrar a fantasia de futuro da personagem-título – uma passagem tão linda e eficiente que quase justifica as mais de duas horas que passáramos presos ao formato anterior, já que é o contraste entre as razões de aspecto que ajuda a ressaltar a natureza sonhadora do que vemos naqueles breves minutos.

O problema é que, em essência, Mommy é um filme repleto de “quases”. E Dolan é melhor do que isso. (3 estrelas em 5)