Hackers da década de 80 e a série 24 Horas na década de 90

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê, Vídeos | 3 comentários

Como o Cinema retratava os hackers em atividade na década de 80? (Supercut)

Aliás, este vídeo me fez lembrar de outro, criado pelo College Humor, que mostra como seria o piloto da série 24 Horas caso tivesse sido produzido na década de 90:

Retórica vazia, egoísmo completo

postado em by Pablo Villaça em Política | 30 comentários

Hoje, um ex-aluno e leitor veio dizer, no Twitter, que “não consegue confiar no governo federal” e que este “não fez nada em quatro anos que inspirasse confiança”. Pedi que fosse mais específico em suas críticas, já que é impossível esclarecer o que quer que seja quando alguém se entrega a generalizações. A resposta dele? “As jornadas de junho comprovam” e pronto.

Suspiro.

Pra piorar, mesmo não apresentando um único argumento que sustentasse sua posição, ele imediatamente disse que eu defendia “cegamente” o governo. É o tipo de retórica mais canalha que existe: você ataca, ataca, ataca (mesmo sem argumentos); quando o outro defende, ELE é o “radical”, o “cego”.

Sabem qual é o problema desses coxinhas? Eles não podem dizer o que querem de verdade: “O governo pensa mais nos pobres do que em mim!”, então precisam ficar inventando desculpa. “Podia estar melhor”, “O ‘mercado’ não quer Dilma”, blablabla. Não sabem o que foi viver no Brasil na era FHC. Não sabem o que era o desemprego que levava gente com curso superior a fazer prova pra gari. Não sabem o que é ter que escolher entre almoço e jantar – com sorte. O que é um moleque de 9 anos ter que trabalhar pra ajudar em casa. Nao sabem o que era estudar numa universidade federal sucateada e sob ameaça constante de privatização. Não sabem o que era viver de um salário mínimo que não dava pra comprar UMA cesta básica (hoje compra mais de duas). Então ficam no “blablajornadasdejunhoblablamensalãofoiopiorcasodecorrupçãodahistóriablabla”.

Sejam honestos, porra! Digam: “PENSO SÓ EM MIM”.

Não falem de corrupção pra atacar um governo que fez o que FHC e o PSDB não fizeram e não fazem: permitiu investigação. É MUITO FÁCIL bancar o honesto quando se mantém a imprensa amordaçada. Foi só sair de MG que os podres de Aécio começaram a surgir. Aliás, surgir FORA de Minas, porque aqui os principais jornais continuam calados.

Estou cansado de ter que rebater retórica vazia. Como seria bom ter uma oposição que pensasse, que permitisse debate de igual pra igual. Em vez disso, tenho que passar raiva ouvindo gente falar de “mensalão” e perguntando “quando PT vai devolver dinheiro público”. QUE DINHEIRO PÚBLICO? MESMO aceitando que mensalão foi compra de votos (e não foi; foi caixa 2), não houve dinheiro público envolvido. Dinheiro público foram os 100 BILHÕES que a privataria custou ao nosso patrimônio. Mas isso esses idiotas preferem ignorar.

Chega uma hora em que isso começa a cansar.

Ok, eu oferecerei alguns argumentos, mesmo que ele não tenha conseguido:

PIB em bilhões de reais
2002 – 1.477
2013 -4.837
Fonte IPEA

Falências requeridas
2002 -19.891
2013 – 1.758
Fonte IPEA

Inflação
2002 – 12,53%
2013 – 5,91%
Fonte IPEA

Desemprego % mês dezembro
2002 – 10,5
2013 – 4,3
Fonte IPEA

Juros selic
2002-24,9%
2013-11%
Fonte IPEA

Divida pública % do PIB
2002-60,4%
2013-33,8%
Fonte ANDIFES

Salário mínimo em reais
2002- 364,84
2014-724,00
Fonte IPEA

Taxa de pobreza %
2002-34%
2012-15%
Fonte IPEA

IDH
2000-0,669
2005-0,699
2012-0,730
Fonte Estadao

Reservas cambiais em bilhões
2002-38
2013-375
Fonte IPEA Banco mundial

Gastos públicos saúde
2002-28bi
2013-106bi
Fonte orçamento federal

Gastos públicos educação
2002-17bi
2013-94bi
Fonte orçamento federal

Risco Brasil
2002-1.446
2013-224
Fonte IPEA

Economia mundial
2002-14a economia mundial
2013-6a economia mundial.

E mais: como lembrou um leitor, entre 1994 e 2002, houve apenas 48 operações da Polícia Federal; entre 2003 e 2012, houve 1.273 operações, com mais de 15 MIL presos. Em 2003, a Justiça Federal tinha 100 varas pelo país; em 2010, já tinha 513.

Às vezes, penso que Lula e Dilma não deveriam ter dado independência à PF e à Procuradoria-geral. Parece que o pessoal preferia antes, quando nada era investigado e ninguém era punido.

Mas nem seria necessário citar todos esses dados. Como lembrou outro leitor, só por ter reduzido a miséria no Brasil PELA METADE este governo já foi revolucionário e mereceria todos os aplausos do mundo.

Em vez disso, porém, sou obrigado a escutar retórica vazia, sem base e calcada no preconceito e no mais intenso elitismo.

E – VEJAM QUE BELEZA – AINDA ME PREJUDICO PROFISSIONALMENTE, perdendo leitores.

“Eu gostaria mais do Pablo se ele falasse só de Cinema”.

E eu seria mais feliz se pudesse fazê-lo. Mas sou cidadão em primeiro lugar. E me recuso a ficar calado e contribuir, por inação, para que o país retroceda nas mãos daqueles que por décadas só se preocuparam em encher os próprios bolsos e em ignorar as necessidades de uma população que merece muito mais do que só uma refeição miserável ao dia.

The Normal Heart e o mundo em 2014

postado em by Pablo Villaça em Filmes, filmes, filmes, religião | 6 comentários

Ontem, assisti a The Normal Heart, produção da HBO dirigida por Ryan Murphy e baseada na peça homônima de Larry Kramer. Infelizmente, é sintomático que um filme poderoso como este tenha sido produzido para a TV; Hollywood ainda se acovarda diante de temas como os tratados ali. Originalmente encenada em 1985, nos primeiros anos do pânico da AIDS, a peça foi oferecida a estúdios por mais de uma década sem que nenhum deles tivesse coragem de produzir uma versão para as telonas – e isto mesmo com Barbra Streisand, que detinha os direitos de adaptação e encontrava-se no auge da carreira, tentando viabilizar o projeto.

Assim como o excelente Minha Vida com Liberace (que também foi produzido pela HBO quando nenhum estúdio quis financiar o projeto), The Normal Heart é um filme franco sobre a homossexualidade e sobre como o preconceito permitiu que gays morressem aos milhares. Num mundo perfeito, ele seria exibido para os adolescentes nas escolas, servindo a dois propósitos simultâneos:

1) Mostrar como o amor entre duas pessoas do mesmo sexo é natural, doce e tão importante quanto o amor entre duas pessoas de sexos opostos; e

2) Para ilustrar como a incapacidade da sociedade em aceitar o item anterior leva ao descaso que custou e custa a vida de tantos.

Enquanto a AIDS era considerada um problema gay, praticamente nada se fez (o doc ACT UP – Unidos pela Raiva, embora falho, mostra isso bem). E o trágico é que estamos em 2014 e ainda há seres repugnantes como Bolsonaro, Feliciano e Malafaia que disseminam a intolerância e o ódio. E como provavelmente verão nos comentários abaixo, amar e/ou desejar alguém do mesmo sexo invariavelmente provoca respostas raivosas de religiosos que não sabem o que é empatia.

E são estes religiosos, donos de um moralismo deturpado que vê o sofrimento de gays como punição em vez de como a dor de um semelhante, que impedem que obras como The Normal Heart sejam apresentadas aos jovens que poderiam ser salvos por ela. E que barram qualquer iniciativa de humanizar aqueles que são por eles desumanizados.

Pois eu garanto que, se existisse, Deus abraçaria todo tipo de amor e rejeitaria todo tipo de intolerância, preconceito e ódio.

Mas ainda somos primitivos. Discriminamos quem ama e bombardeamos crianças por um pedaço de chão. Tudo em nome de credos irracionais.

Às vezes, bate uma imensa vergonha de nossa espécie.

Olhando para Você

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Curso, Vídeos | 12 comentários

O olhar para a câmera nem sempre tem um só significado no Cinema. Basicamente, podemos dividir estes olhares em três grupos principais:

1) Câmera subjetiva: a câmera assume a posição de um personagem; seu olhar é o olhar de alguém. Assim, quando um indivíduo em cena a encara, está, na realidade, encarando um personagem que se encontra no mesmo espaço que ele. Há tipos de subjetividade diferentes (algo que discuto no A Arte do Filme), mas esta é a mais simples do ponto de vista de linguagem: a perceptual.

2) O olhar para fora de campo: embora o personagem esteja encarando a câmera, esta não representa ninguém. Assim, a pessoa que olha na nossa direção está enxergando algo que se encontra em seu próprio universo diegético e que não podemos ver naquele momento. Algo, não alguém. (Se fosse alguém, claro, voltaríamos ao item 1.)

3) A quebra da quarta parede: o personagem que está olhando para a câmera não a enxerga; ele está, na realidade, encarando o espectador. Está vendo além de seu próprio universo diegético e se comunicando diretamente com o nosso mundo.

O supercut abaixo traz exemplos destes três tipos de olhares para a câmera.

 

(vídeo via Caio Berns)

Autópsia de um Boato

postado em by Pablo Villaça em Política, Variados | 99 comentários

Durante os últimos meses, a CBF (Central de Boataria do Facebook) espalhou imagens e textos apócrifos afirmando que o Brasil comprara a Copa como maneira de manter o povo artificialmente feliz e, assim, beneficiar (claro) a presidente Dilma Rousseff. Eram boatos patéticos, obviamente fabricados por uma direita que vem se especializando cada vez mais em disseminar o ódio e a desinformação através de perfis como “TV Revolta” e de uma rede de comentaristas pagos (informação da Foxlha de São Paulo) para povoar qualquer espaço interativo com ataques ao governo federal.

Pois bem: o Brasil perdeu. E feio. E agora?

Simples: espalhem boatos de que o Brasil vendeu a Copa. 

Nas últimas 24 horas, recebi o texto abaixo através de whatsapp, facebook e email. O mais inacreditável é que, em alguns casos, leitores me enviaram o texto perguntando se a “informação” ali contida poderia ser verdadeira. Por um lado, confesso que me espantei que alguém pudesse sequer cogitar que o texto fosse verídico, tamanha sua estupidez; por outro, preciso admirar o cuidado com que as informações foram construídas justamente para tentar convencer os mais ingênuos ao criar uma plausibilidade superficial e, principalmente, ao compreender os aspectos emocionais dos leitores-alvos – algo que analisarei logo abaixo apenas como um exercício para que possamos compreender melhor a lógica por trás deste gerador de boatos.

Primeiro, o texto:

“Talvez, isso explique a razão do jogador Maxwell ter declarado a seguinte frase: ‘Se as pessoas soubessem o que aconteceu na Copa do Mundo, ficariam enojadas’.

Todos os brasileiros ficaram chocados e tristes por terem sido eliminados a Copa do Mundo de futebol, no Brasil. Não deveriam. O que está exposto abaixo é a notícia em primeira mão que está sendo investigada por rádios e jornais de todo o Brasil e alguns estrangeiros, mais especificamente Wall Street Journal of Americas e o Gazzeta delo Sport e deve sair na mídia em breve, assim que as provas forem colhidas e confirmarem os fatos.

Fato comprovado: O Brasil VENDEU a copa do mundo para a Fifa. Os jogadores titulares foram avisados, às 13:00 do dia 08 de Julho (dia do jogo contra o Alemanha), em uma reunião envolvendo o Sr. José Maria Marin (na única vez que o presidente da federação brasileira compareceu a uma preleção da seleção), o Técnico Scolari e o Presidente da FIFA, Joseph Blatter. Os jogadores reservas permaneceram em isolamento, em seus quartos ou no lobby do hotel. A princípio muito contrariados, os jogadores se recusaram a trocar o hexa-campeonato mundial por sediar a Copa do Mundo em 2022 novamente.

A aceitação veio através do pagamento total dos prêmios, US$700.000,00 para cada jogador, mais um bônus de US$400.000,00 para todos os jogadores e integrantes da comissão, num total de US$ 23.000.000,00 vinte e três milhões de dólares) através da FIFA. Além disso, os jogadores que aceitarem o contrato com a empresa FPAR nos próximos 4 anos, terão as mesmas bases de prêmios que os jogadores de elite da empresa, como Cristiano Ronaldo e Messi.

Mesmo assim, William se recusou a jogar, o que obrigou o técnico ‘Felipão’ a escalar o jogador Bernard, dizendo que havia escalado o jogador do Chelsea no treino apenas para confundir os jornalistas alemães.

A sua situação só foi resolvida após o representante da FPAR ameaçar retirar seu patrocínio vitalício ao jogador, avaliado em mais de US$90.000.000,00 (noventa milhões de dólares) ao longo da sua carreira.

Assim, combinou-se que o Brasil seria derrotado durante o segundo tempo, porém a apatia que se abateu sobre os jogadores titulares fez com que a Alemanha, que absolutamente não participou desta negociação, marcasse, em sete falhas simples do time do país sede da copa.

O Sr. Joseph Blatter, presidente da Fifa, cidadão franco-suíço, aplaudiu a colaboração da equipe brasileira, uma vez que o campeonato mundial trouxe equilíbrio à copa do mundo e evitou que o Brasil se distanciasse das demais seleções.

Garantiu que a seleção canarinho teria seu caminho facilitado para o hexa-campeonato de 2018. Por gentileza passem esta mensagem para o maior número possível de pessoas, para que todos possam conhecer a sujeira que ronda o futebol! Desde, já agradeço, Um abraço.

FONTE: Gunther Schweitzer Central Globo de Jornalismo.”

Ai, ai.

Em primeiro lugar, a pergunta óbvia: quem é Gunther Schweitzer? Ele existe? Trabalha para a Globo?

Sim, existe. Não, não trabalha.

O nome de Schweitzer é conhecido dos fãs de futebol por ter sido associado à denúncia sobre a final de 1998 em um email espalhado durante a Copa de 2002. Ora, então Schweitzer certamente é alguém que conhece os bastidores do futebol e já vem tentando expor seus podres há anos, correto? Errado. O sujeito é um simples personal trainer que, em 2002, recebeu um email apócrifo com a denúncia e a passou pra frente, cometendo o equívoco de deixar sua assinatura automática ao fim do texto – o que bastou para que se tornasse um funcionário da “Central Globo de Jornalismo” e fonte extremamente confiável daqueles que acreditam em conspirações. Aliás, quem conta isso é o próprio Schweitzer nesta entrevistaque levei exatamente três segundos para encontrar através do Google.

Muito bem: desmascarada a “fonte”, vamos ao texto em si para que possamos perceber como a manipulação traz uma certa “ciência” em sua construção narrativa.

Apostando já na desconfiança natural que todos temos com relação à CBF e à FIFA, o texto tem início com uma citação – um recurso dissertativo clássico para estabelecer desde o início um tom de verossimilhança: se alguém disse algo publicamente, deve ser verdade. Em outra busca rápida no Google, é fácil perceber, contudo, que a tal fala é atribuída a jogadores como Maxwell, Leonardo, Thiago Silva, Cafu, Roberto Carlos ou qualquer outro que se encontre mais célebre no momento. Mas as aspas trazem ao texto um suposto peso de denúncia por parte de quem sabe o que fala – e este é o objetivo.

A seguir, o autor usa um recurso psicológico e emocional tão básico que, confesso, me espanta que a maior parte dos leitores não perceba sua artificialidade: ao dizer que “Todos os brasileiros ficaram chocados e tristes por serem eliminados da Copa”, o propósito óbvio é estabelecer uma conexão, um vínculo, uma cumplicidade com o leitor. “Veja, estou triste como você. Sou brasileiro como você. Nossas emoções foram manipuladas; sofremos sem precisar, meu amigo!”. Com isso, o autor traz o leitor para perto de si, como se dividisse não só sua dor, mas fosse também uma vítima inocente que, por acaso, descobriu o que realmente aconteceu – uma informação que ele agora compartilhará, de amigo para amigo, com você, permitindo que descubra também o que se passa por trás das cortinas.

“O que está exposto abaixo é a notícia em primeira mão que está sendo investigada por rádios e jornais de todo o Brasil e alguns estrangeiros, mais especificamente Wall Street Journal of Americas e o Gazzeta delo Sport e deve sair na mídia em breve, assim que as provas forem colhidas e confirmarem os fatos.”

Aqui há um misto de esperteza e profunda tolice. A “esperteza” é citar órgãos de imprensa conhecidos e respeitados, conferindo credibilidade à confidência (tudo bem que “dello” é grafado incorretamente, mas ignoremos). A tolice é tentar convencer o leitor de que este lerá “em primeira mão” algo que está sendo “investigado”. Ora, o princípio mais básico de uma investigação jornalística é o sigilo: apure, comprove e depois publique. Acreditar que uma investigação tão grave quanto esta seria publicada em forma de denúncia “em primeira mão” exige não só ingenuidade, mas desconhecimento total de como o jornalismo opera.

Por outro lado, é preciso aplaudir a construção da frase “assim que as provas forem colhidas e confirmarem os fatos”, já que esta planta, de maneira relativamente sutil, a ideia de que estamos lidando com fatos e de que é uma questão de tempo até que as “provas” os comprovem.

“Fato comprovado: O Brasil VENDEU a copa do mundo para a Fifa.”

Afirmação veemente. Não duvide. Está escrito, então é verdade. (Vocês se surpreenderiam com o número de pessoas que aceitam algo como verdade apenas porque leram.)

A partir daí, a “denúncia” traz detalhes da negociação – e ao envolver nomes como os de Marin e Blatter, que já despertam suspeitas em função das várias denúncias reais ligadas às suas ações, o texto pega emprestada a credibilidade das investigações verídicas feitas sobre ambos. E isto é de uma imensa canalhice, já que, por tabela, acaba fragilizando-as com a própria mentira.

Os elementos que se seguem beiram o ridículo: os reservas foram mantidos à distância, os titulares inicialmente se mostraram “muito contrariados” e… ah! Jogada ao acaso, quase que como um detalhe, a motivação para que vendêssemos a Copa: a possibilidade de sediarmos o evento novamente em 2022. Novamente o texto usa um escândalo real (a possível manipulação na eleição do Qatar como sede) para seus próprios objetivos, o que, de novo, é profundamente desonesto e ainda compromete a percepção pública acerca de denúncias reais que mereciam ser levadas a sério.

O texto, então, explica que cada jogador receberá 700 mil dólares para vender o jogo – e se considerarmos o salário médio da seleção, é divertido imaginar que os atletas aceitariam entregar a Copa por algo que, comparado aos seus ganhos normais, é quase uma esmola (daí a tentativa de tornar a coisa mais plausível através da oferta de um “contrato com a empresa FPAR”). O texto não se preocupa em explicar, porém, o que acontecerá com os jogadores que não “aceitarem o contrato”. Serão executados numa queima de arquivo?

Há, ainda, detalhes sobre uma possível recusa de William (jogando com a imagem de bom garoto que ele ganhou não só pela pouca idade, mas pelos comerciais de guaraná que narravam sua trajetória) e outras bobagens sobre como a “apatia” dos jogadores explicaria o placar final – o que, mais uma vez, é um recurso psicológico curioso ao trazer certo conforto aos torcedores inconformados com um resultado tão humilhante. “Claro que tinha que haver uma explicação para a goleada! O Brasil jamais perderia de sete a um!”.

A denúncia encerra com a “fonte” (cof-cof) e com um pedido para que as “informações” ali contidas sejam espalhadas. Não custa nada passar um email adiante, custa? Especialmente se este traz, no início, um “Será?” que indica que você não está comprando totalmente a ideia (claro que não! Você é um cético, é racional, questionador!), mas, como cidadão, acha importante repassar a denúncia.

O problema é que não é “importante”. Ao contrário: é extremamente prejudicial, tóxico, destrutivo. É contribuir para um clima de instabilidade que atrapalha o país como um todo, beneficiando apenas aqueles que têm a ganhar justamente com esta desestabilização. Ser cidadão não é “repassar denúncias”; é agir responsavelmente, como adulto, em vez de contribuir, através da própria apatia, para o projeto político de quem quer que seja.

E, na dúvida, vá ao Google. É fácil, te poupa do embaraço e te blinda contra a manipulação.

Passe esta mensagem para o maior número de pessoas. Desde já agradeço.

Fonte: Pablo Villaça, Cinema em Cena

A Taça Não é Nossa; a Copa, sim

postado em by Pablo Villaça em Política, Variados | 24 comentários

Difícil resistir a fazer um breve (mais ou menos) comentário sobre o jogo e suas absurdas repercussões. Em primeiro lugar, a reação de muitos no Facebook não foi de todo surpreendente, já que o perfil daquele espaço tende a ser mais conservador do que o do Twitter, por exemplo. Observo isso todos os dias: comentários idênticos feitos em um e outro são recebidos com apoio no Twitter e repúdio no Facebook e vice-versa.

Não, o que me espanta, de fato, é perceber um salto tão súbito na atitude de tanta gente. Pessoas que às 17h cantavam o hino e diziam ser brasileiras “com muito orgulho e muito amor”, que se mostravam orgulhosas da organização da Copa (que mostrou ao mundo inteiro nossa capacidade de sediar um evento deste porte), que balançavam bandeiras e celebravam o país e que, menos de duas horas depois surgiam queimando estas mesmas bandeiras enquanto afirmavam que era por vergonha da Educação, da Saúde, etc, etc.

O viralatismo surgiu com força em um texto medíocre, com toda pinta de ter sido escrito há muito tempo e estar apenas à espera de uma derrota, no qual o autor anônimo dizia que havíamos testemunhado a derrota da “malandragem” diante da “competência”. E que isto deveria ser uma lição para um país no qual a “malandragem” impera tanto que não é nem preciso “estudar para ser presidente”.

Vamos separar as coisas: a seleção brasileira perdeu. E feio. De forma vergonhosa. Houve, sim, despreparo. Até certa negligência. Mas estes meninos não são vilões – e nem mesmo Felipão ou Parreira são. Fracassaram. E envergonharam o país, mas não são vilões. Não merecem “repúdio”. E, acreditem, já estão se penalizando mais do que podemos imaginar. Dormirão hoje (se dormirem) com dor no peito e terão pesadelos – dos quais não acordarão pela manhã, que trará a consciência de que, sim, tudo aquilo aconteceu. Dito isso, compreendo a dor e a revolta como torcedor.

Mas como “brasileiro”? Ora, que revolta súbita é esta pela “Educação” que esperou convenientemente uma derrota da seleção para se manifestar? E é sério que querem usar como exemplo a Alemanha – onde o índice de analfabetismo é dez por cento e, portanto, bem maior que o do Brasil? (Até entendo: aprender aquela língua deve ser terrível!)

Ora, o Brasil acabou de aprovar uma medida para investir nada menos do que dez por cento do nosso PIB apenas em Educação! Apenas quatro outros países no mundo inteiro investem tanto – e nenhum tão grande quanto o Brasil.

E fora dos campos, o Brasil venceu a Copa. A imprensa internacional é unânime em dizer que esta é a melhor de toda a História – e as matérias não se limitam a falar dos jogos, mas da infra-estrutura, dos estádios, dos aeroportos que funcionaram (uma média de atrasos de 7,5% quando até 15% são considerados aceitáveis pela aviação em todo o mundo), da hospitalidade desse povo maravilhoso que se apaixonou pelos visitantes e inspirou a paixão destes.

A Copa foi tão bem sucedida que o próprio Aécio Neves, candidato da oposição, manifestou receio de que ela ajudasse a presidente nas eleições – e é justamente por isso que não fiquei surpreso ao perceber que Alvaro Dias, senador tucano, compartilhou o tal texto sobre nossa “malandragem”.

“MALANDRAGEM”? Fale por você, senador.

O Brasil não é perfeito e o governo federal tampouco. Mas não se esqueça de que o tal cara que foi eleito presidente “sem ter estudado” deixou o posto como o governante com a maior aprovação da História desse país. E que sua substituta gozava de igual aprovação até as manifestações de junho passado, que foram disparadas por um aumento nas passagens de ônibus que – vale lembrar – contavam com um subsídio do governo federal para que não fossem tão elevadas e que mesmo assim, por ganância das empresas, foram reajustadas.

Mas paro por aqui, pois sei que, nos dias de hoje, ninguém lê texto extenso ou que contenha dados que possam ser confirmados no Google. O texto que ganha compartilhamentos no Facebook e no Whatsapp é aquele curtinho, com ofensas e acusações sem prova e uma frase de efeito que, mesmo reduzindo o próprio leitor ao posto de “malandro”, é passado adiante pelo choque artificial que provoca.

Assim, publico este texto para mim mesmo. Como um lembrete de que, vergonhosos 7 a 1 à parte, essa Copa FOI DO CARALHO. AINDA ESTÁ SENDO.

E é um imenso motivo de orgulho para todos os brasileiros diante de todo o mundo. Mesmo para aqueles que, num impulso tolo e inexplicável, decidiram queimar a bandeira da pátria que lhes trouxe esse presente de Copa.

A Copa das Copas

postado em by Pablo Villaça em Variados | 2 comentários

Nesta Copa…

… a Costa Rica, considerada como a seleção que iria apanhar de todos os demais integrantes de seu grupo (que incluía três campões mundiais), terminou em primeiro lugar da chave e eliminou Itália e Inglaterra. E já chegou às quartas-de-final.

… a seleção de Camarões ameaçou não participar da competição caso não recebesse determinada quantia de sua federação.

… Gana e Argélia ameaçaram não jogar caso não recebessem prêmio de suas federações, o que resultou em aviões chegando ao país com milhões de dólares.

… a Holanda meteu 5 gols na Espanha logo na estreia de ambas as seleções.

… Portugal, Itália, Espanha e Inglaterra foram eliminadas logo na primeira fase, enquanto Grécia, Costa Rica, Nigéria e Argélia passaram.

… Argélia, Nigéria e Suíça deram uma canseira tremenda na Alemanha, na França e na Argentina no primeiro jogo do mata-mata.

… o Chile quase eliminou o Brasil nas oitavas, com uma bola no travessão a um minuto do fim do jogo e com duas defesas de pênalti de Júlio César.

… Luis Suárez, depois de se recuperar de uma lesão grave a algumas semanas da competição e com a ajuda do preparador que suspendeu o próprio tratamento de câncer para auxiliá-lo, simplesmente mordeu um jogador italiano e foi suspenso por quatro meses do futebol.

… James Rodriguez fez um golaço espetacular no Uruguai e levou a Colômbia às quartas pela primeira vez na História.

… O Uruguai foi eliminado no Maracanã por uma seleção que jogava com camisa amarela.

… os zagueiros brasileiros fizeram mais gols que o centroavante do time.

… Neymar teve uma vértebra fraturada e teve que sair da competição graças a uma jogada irresponsável (e mesmo desleal) de um jogador colombiano.

… David Luiz abraçou o jovem James Rodríguez após a eliminação da Colômbia e pediu que a torcida o aplaudisse enquanto este se encontrava em lágrimas.

… continua.

Maratona Rob Schneider

postado em by Pablo Villaça em Cinema, Twitter | 16 comentários

Já aviso que as próximas 5-6 horas trarão tweets sobre os filmes de Rob Schneider como parte da promessa que fiz de vê-los. Os links trazem capturas de tela relacionadas aos tweets.

E… Play.  http://t.co/WsZkE7Golg

Oh, boy. http://t.co/ZZTkid9nn4

Ok, eu ri do terceiro “thank you for last night”. Talvez não seja uma experiência tão ruim.

Mas é claro que Schneider ainda não tinha aparecido.

Aí Schneider apareceu e um golfinho mordeu o penis de um cara. Claro.

Maravilha. Uma “piada” envolvendo pedofilia.

Agora uma piada xenófoba. E outra objetificando mulheres. Enquanto Schneider fala sozinho.

Ok, cadê aquele golfinho? Preciso de uma mordida. Seria mais divertido, aposto.

HAHAHAHAHA. Piada sobre como asiáticos têm pênis pequenos! Que original!!!

Faltava uma piada homofóbica. Não falta mais.

Deveria ser proibido um filme com Rob Schneider usar uma música como Nights in White Satin.

Ah, Jeroen Krabbé. O que está fazendo nesse filme?

Mais piadas homofóbicas. Schneider não é só sem graça; é também um babaca.

Hahaha. Ele está usando uma peruca engraçada inspirada em Don King! Que hilário! Nunca ri tanto! http://t.co/74fYsZ9ecM

Segunda piada envolvendo asiáticos e penis pequeno. Porque a primeira foi tão boa.

Norm McDonald parodiando Robert Shaw em Tubarão. Gosto de McDonald, mas o texto é horrível.

Caretas. Se você não é Jerry Lewis, nem tente. http://t.co/knMtUCGq1j

Agora fazendo graça de uma mulher obesa. E a chamando de “baleia”. Uau.

Um gato abocanhou o penis de Eddie Griffin. Apenas para este gritar “Bad pussy!”. Inacreditável.

Schneider atacando quem critica a política externa dos EUA. E retratando todo estrangeiro como caricatura grotesca.

É por isso que detesto Adam Sandler e Rob Schneider. Comediantes sem graça são toleráveis; quando também canalhas, não dá pra perdoar.

O filme é tão picareta que uma personagem com traqueostomia que usa eletrônico para falar em certo momento fala sem usá-lo.

Mais homofobia. E quantos atores ruins. Alguém me mate.

Uma mulher com um penis no lugar do nariz e que espirra sêmen. Ah, o humor sofisticado de Rob Schneider.

Piada com anão. Claro.

Ah, promessa desgraçada. Ah, promessa sem jeito.

Trocadilhos com nome: Bundapopoulos. Nível Casseta & Planeta. Schneider seria PERFEITO para o grupo.

Uma ponta de Adam Sandler. Estava faltando. Oh, Deus.

TERCEIRA piada envolvendo asiáticos e penis pequeno.

Agora o filme diz que é preciso tratar as mulheres com sensibilidade em vez de encará-las como objeto. Depois de fazer isso por 80 minutos.

Opa, ainda deu tempo de encaixar uma QUARTA piada sobre asiáticos e pênis pequenos.

Fim do primeiro. Faltam dois. Não acho que vou conseguir.

Não tinha cena pós-créditos. Vamos ao segundo: http://t.co/gyrvXMsxp5

(Já perdi 9 followers.)

Um minuto de filme e Napoleon Dynamite come uma meleca.

Dois minutos e um personagem peida na cara de outro. Que maravilha de experiência, essa maratona.

Três minutos e uma piada envolvendo diarreia. Estes serão os 85 minutos mais longos da minha vida.

PQP, David Spade. Tudo pode ficar pior.

Outra “piada” envolvendo meleca.

Agora fazem piada com um garotinho obeso. Observem os padrões no “humor” de Schneider.

Segunda vez que um personagem peida na cara do outro. Em DOZE minutos de filme.

Assim como em Gigolô 2, o filme acredita que perucas podem gerar boas piadas. Mais padrões. http://t.co/3HdhZks83p

Agora “piadas” envolvendo nomes de personagens. Mais padrões. http://t.co/Jd1QDldVux

Jon Lovitz. PQP. A quadrilha está quase completa. Faltam Sandler e Kevin James.

Em Gigolô 2, Schneider leva um chute no saco. Em Benchwarmers, Spade leva pedrada no saco. Padrões.

Piada homofóbica. Rob Schneider é mesmo um AUTOR.

Benchwarmers tem um personagem que, quando irritado, aperta os mamilos dos outros. HILÁRIO. Estou com dores de tanto gargalhar.

Tim Meadows. Todos os refugos do Saturday Night Live estão no filme.

Um ator mirim pavoroso. Claro. Por que fazer algo que respeite o espectador?

UOU. O diretor dessa porcaria saltou o eixo umas 300 vezes agora numa única cena. Não sabe o BÁSICO de direção.

Mais uma piada homofóbica. Fuck you, Rob Schneider.

Há uma piada recorrente em Benchwarmers envolvendo Jon Heder arremessando tacos de baseball. Não funcionou na 1a vez e já repetiram umas 10.

Terceira piada homofóbica do filme. E eu sigo perdendo followers. #injustiça

Ha! Velhinhos frágeis são ridículos e engraçados! Vejam o velhinho com seu andador e falando bobagem. HAHA! http://t.co/3MjcTGS3iT

Pra mostrar que há muitas crianças empolgadas com o time, o diretor usa tela dividida. Mas vejam a preguiça: usa o mesmo cenário para varias crianças (reparem o fundo vermelho) e REPETE varias crianças só mudando o ângulo. Picaretagem. http://t.co/Hf3cLvknkI

Com quase UMA hora de filme, roteiro sugere segredo no passado do protagonista pela primeira vez. Uau. Que estrutura bem montada.

Ok, ri uma vez quando o sujeito apresenta carteira de identidade falsa dizendo que tem 12 anos.

Brian Doyle-Murray. Outro refugo do SNL (e irmão menos conhecido de Bill).

E como a piada da carteira de identidade funcionou, repetiram um minuto depois. Mas aí não dá.

Terry Crews. Nem ele funciona. E quando nem Terry Crews funciona, não há esperança.

Piada de anão. Assim como em Gigolô 2. A autoralidade de Schneider é inquestionável.

Com uma hora de filme, roteiro sugere segredo na vida do protagonista. Quinze minutos depois, revelam o segredo. Estrutura ZERO.

Outra piada de anão. Aliás, nem é piada. Apenas colocam um anão em cena e esperam que o espectador comece a rir.

Piada com Campo dos Sonhos. Ok, a questão agora é pessoal.

Caramba, estou sangrando followers. Rob Schneider é tóxico. Eu avisei para filtrarem a hashtag. Tsc.

“A vida é muito curta pra guardar rancor”, diz um personagem. Provavelmente se desculpando pelo filme.

“Também quero um anão”, pede um personagem. E alguém lhe entrega um como se fosse um objeto de cena.

O pior é que dá pra ver claramente que o ator anão se encontra desconfortável em cena. Terrível.

Segundo filme terminado. Falta um. Mas antes vou comer uns pães de queijo pra ver se o enjoo passa.

Vou de Big Stan, estrelado, produzido e DIRIGIDO por Rob Schneider. Antes do título aparecer, o filme já fez “piadas” racistas e misóginas. Um recorde. http://t.co/awEVEw2jpI

Assim como em Benchwarmers, a esposa de Rob Schneider em Big Stan insiste em ter filhos enquanto ele tenta evitar.

Porque mulheres são criaturas que só querem saber de bebês e de tentar tirar a liberdade dos pobres homens com os quais se casaram.

Ah, piada envolvendo estupro. Que assunto divertido.

E pelo terceiro filme consecutivo, “piadas” homofóbicas. Rob Schneider, o autor.

Os 15 primeiros minutos de Big Stan são dedicados quase exclusivamente a referências sobre estupro e sexo anal. Comédia 10!

Adivinhem só o que apareceu com 18 minutos de filme? Um ator anão. Três filmes consecutivos, três anões. Rob Schneider, o autor.

Jennifer Morrison e David Carradine. Pobrezinhos.

Ri mais lembrando de como o pobre David Carradine morreu do que dos três filmes vistos até agora. (Foi uma risada de pena, juro.)

Uau. Nem a infalível “That’s what she said” funciona quando saindo da boca de Rob Schneider.

Depois de 30 minutos de piadas sobre estupro, Rob Schneider passa simplesmente a gritar “Estupro!” várias vezes. Juro. Mesmo.

Vejam o cuidado de Schneider como diretor: nem se preocupa com a qualidade da mão falsa usada em cena. http://t.co/eJZLffaGZd

Sem qualquer motivo, Rob Schneider move a câmera para mostrar uma estátua chinesa. É tão ruim como diretor quanto como comediante.

Uau! Schneider bateu recorde agora. Num plano, ele diz “Why?”. Corta. O plano seguinte repete só o FINAL da pergunta “…ai”?

Nem a MIXAGEM de Big Stan presta.

E o pobre M. Emmet Walsh também está nessa merda.

NUNCA MAIS PROMETO NADA NESSA VIDA.

“Piada” envolvendo peido. Ha-ha-ha.

Não!!!! Scott “Hershel” Wilson, não!!!! :(((( Por que está nesse filme, Hershel?!?!

Poxa, Henry Gibson. Como é triste ver tanta gente boa nessa merda.

Rob Schneider não consegue fazer nem uma piada sobre a Cientologia, um alvo facílimo, funcionar. Que gênio.

Um nazista usa a palavra “crioulo” e Schneider o nocauteia pelo racismo. Em seguida, é atacado por e nocauteia uns 20 negros. Juro.

E nem se dá conta do racismo da cena que acabou de dirigir. Inacreditável.

Estava faltando a cena em que alguém é atingido no saco. Claro.

Ah, o velho e bom estereótipo racial. Big Stan tem tudo para o fã de Danilo Gentili.

70 minutos de filme e o papo ainda gira em torno de estupro. E agora tenta fazer piada com molestadores de criança. Juro.

O mais ofensivo é que Schneider faz um discurso sobre respeitar mulheres e gays. Enquanto fazendo piadas misóginas e homofóbicas.

“Bom discurso” “Você achou? Acho que deveria ter incluído uma piada ou duas”. Poderia ser um diálogo metalinguístico de Big Stan.

“Piada” envolvendo pedofilia. E, de novo, estupro.

Minha parte favorita de Big Stan: Rob Schneider levando uma surra. Se o filme tivesse só isso, seria perfeito.

90 minutos de filme alcançados. E adivinhem o que surge? Uma piada envolvendo tentativa de estupro!

Agora dois personagens apertam os mamilos um do outro. Tinha isso também em Benchwarmers. Schneider, o autor.

Rob Schneider fez Big Stan só pra poder aparecer como durão, aposto. As cenas de luta nem TENTAM fazer humor.

Ah, uma piada final envolvendo estupro. Por que o filme não foi intitulado apenas como The Rape?

E, com isso, termino de pagar minha promessa. Perdi 39 followers no processo. Peço desculpas aos demais.

A Carta

postado em by Pablo Villaça em Variados | 37 comentários

“A depressão é a mais persistente das amantes. Depois de anos e anos de convivência, ela parece ainda determinada a permanecer na vida de seu companheiro por mais que este a rejeite, a tema e a combata. Mesmo quando se afasta por um longo período, insiste em manter os olhos sobre o amado esperando qualquer sinal de hesitação para retornar e envolvê-lo num abraço inesperado, intenso e saudoso. Por outro lado, sua partida jamais é tão facilmente conquistada: ela se debate, se revolta e finge que vai apenas para voltar durante a madrugada e te surpreender quando, ao acordar, se descobrir abraçado a ela.

Abrir os olhos e constatar o retorno daquela amante é um choque que, de tão comum, deveria deixar de ser choque e se transformar em resignação – caso resignar-se não fosse também condenar-se.

‘Por que você quer dormir tanto?’, já me perguntaram inúmeras vezes. O que não entendem é que não quero dormir; apenas não quero permanecer acordado. Cada minuto de consciência são 180 segundos de dor – e se a matemática parece incorreta, é porque não conhece a lógica temporal da depressão.

‘Mas por que você se entrega?’ ‘Faça um esforço.’ ‘Olhe as coisas boas da vida.”

Não me entrego, faço e olho. A depressão não é uma escolha maior do que a orientação sexual. Ninguém escolhe ser hetero, homo ou bi; você olha para alguém e sente tesão. Ninguém escolhe ser deprimido; você se olha e sente-se vazio. Oco. Mas um oco inflamado, de carne viva, supurante.

As frases se tornam incompletas, mas revelam o mundo em sua insistência em transformar transitivos diretos em indiretos, em interromper sentenças que deveriam continuar. Não sei se, mas queria que. Ponto.

A própria vida, aliás, é repleta de pontuações. Já tive amores que foram vírgulas, reticências, pontos de interrogação ou exclamação. Todos doeram igualmente até que me convenci de que deveria buscar pelo calmo e definitivo ponto final. O ponto final não tenta chamar a atenção sobre si mesmo e nem complica, tentei me convencer. É forte, encerra a sentença, mas é sereno em sua simplicidade. Eu poderia passar algumas noites com dois pontos, sem dúvida, mas perseguia o ponto final. Que sempre ficava para o parágrafo seguinte, a página seguinte, o capítulo seguinte. E quando parecia surgir, logo revelava-se um ponto-e-vírgula que desafiava e feria.

Se a vida é um livro, como insistem alguns, tive páginas viradas, páginas iniciadas, páginas relidas e páginas arrancadas. Mas sempre me redescobria relendo passagens doídas e revisitando frases que considerava lidas e esquecidas.

Da mesma maneira, há amores que são incuráveis. Podem permanecer assintomáticos por um longo tempo, mas vez por outra entram em fase aguda novamente. Por um bom tempo, acreditei que estas reincidências ocorriam graças ao HIV da depressão, que me tornava imune a amores oportunistas, mas depois percebi que esta é uma síndrome comum a todos que já amaram.

Já a depressão é uma aflição ímpar. Muitas vezes, ao ver uma imagem particularmente melancólica retratada em preto-e-branco e exibindo figuras em um passado inespecífico, mas claramente dolorido, senti que haviam fotografado meu coração. Não sei se este é um sentimento comum e duvido que seja. Se for, lamento por todos; se não for, lamento por mim.

Caso ainda não tenha percebido, esta é uma carta de despedida. A assinatura que a encerrará é a de um suicida, a de alguém que não estará mais respirando quando você a ler. Os músculos empregados para grafá-la já se encontram rígidos e em breve serão destruídos pelo fogo do crematório.

Sim, eu sei. Que ato covarde. Não me iludo quanto a isso. Não me verá defendendo o suicídio como algo que exige “coragem”. O suicídio de um indivíduo deprimido não exige mais coragem do que a eutanásia de um paciente terminal. Pelo contrário, penitencio-me por minha covardia. Minha desistência diante da dor deixará, atrás de si, um rastro de novas dores. Mas como esta dor irá torturar outros que não eu, posso viver com isso. Com o perdão do mórbido trocadilho e do egoísmo reprovável.

Sempre encarei a vida como uma rua sem saída de mão única. E repleta de frequentes quebra-molas. Neste aspecto, digamos apenas que passei por um deles mais rápido do que deveria e quebrei algo fundamental para a continuação da jornada. Se a altura deste quebra-molas tornou-se maior em função da deficiência de um neurotransmissor específico ou de minhas fragilidades como indivíduo, não sei. Possivelmente uma combinação de ambas. Mas o estrago revelou-se irreparável. Cada novo quilômetro percorrido foi vencido às custas de um esforço avassalador. A depressão não tem pit-stop – ainda que, mantendo a metáfora atrapalhada, constantemente erga uma bandeira amarelada que grita para que todos ao redor do corredor acidentado caminhem mais devagar e prestem atenção à colisão.

As lágrimas constantes são, de certa forma, esta bandeira amarela. O choro, aliás, é um mecanismo curioso: por que nossos olhos vertem água quando estamos tristes? A explicação biológica é a de que as lágrimas provocadas por um choro dolorido trazem constituição química diferenciada, eliminado hormônios relacionados ao estresse e, consequentemente, aliviando o organismo daquele fardo em nível molecular. Já psicólogos encaram o choro como um pedido de atenção e socorro – algo corroborado por evolucionistas, que o estabelecem como um mecanismo empregado para deixar clara a submissão dos frágeis diante dos predadores, o que tornaria mais provável sua sobrevivência em função da falta de perigo sugerida pelo choro.

Já minhas lágrimas são habitualmente reveladas quando estou sozinho. Não são, portanto, um mecanismo de sobrevivência; apenas uma constatação de minha falta de preparo para a mesma. Se eliminam químicos relacionados ao estresse, falham em descartar também aqueles ligados à autopiedade e ao desespero.

Ou talvez eu esteja sendo condescendente comigo mesmo. Muitos perderam pais, amores, carreiras e sobreviveram. Minha incapacidade de fazer o mesmo é um reflexo inclemente de meu caráter, temo.

O que me traz aos comprimidos que acumulei ao longo dos últimos dez meses e que, calculo, serão o bastante para me libertar. Há algo de belo nesta rima, convenhamos: a mesma química que me condenou irá possibilitar minha fuga. Não uma fuga graciosa ou elegante, reconheço. Ser descoberto como um cadáver frio num quarto de hotel em uma cidade distante é algo que exclui dignidade – e aqui aproveito para desculpar-me, penitente, à camareira ou ao gerente que, movidos pela inexplicável ausência de respostas, abriram a porta e se descobriram diante de um pedaço de carne antes ocupado por uma personalidade: espero que possam eventualmente esquecer o choque. Consolem-se sabendo que pouparam dor pior a um policial anônimo que eu intencionava levar a me assassinar diante da sugestão de estar armado e pronto a matá-lo.

Tsc.

Não pensem que não percebo a tolice de tudo que eternizei nos parágrafos anteriores. Percebo. E saibam que reli cada frase na esperança de que a vergonha por redigi-las me demovesse do que vem a seguir. Mas a dor é maior que o embaraço – e isto deveria ser o suficiente para que constatasse a dimensão do vazio que move minha mão até o frasco e deste à minha boca. Dez comprimidos. Vinte. Trinta. Quarenta. Se uma pílula garante oito horas de sono atipicamente tranquilo, cinco dezenas asseguram o fim do tormento que retorna assim que o sono chega ao fim. A escolha é óbvia, não?

A vida é como uma viagem de avião: sempre amei a decolagem, considerei o voo em si entediante e temi o pouso depois de ler que era a parte mais perigosa da jornada – e o paralelo é claro, já que a parte inicial de nossa passagem por este planeta é excitante e repleta de descobertas à medida em que vemos o mundo a partir de uma nova perspectiva que, com o tempo, se torna monótona e cansativa até culminar num desfecho que traz a possibilidade cada vez maior de uma destruição iminente e súbita.

A diferença é que, aqui, sou o único piloto e o único passageiro – e o compartimento de bagagens traz apenas malas e malas de memórias que insistem em corroer a fuselagem do avião, garantindo a impossibilidade de um pouso doce.

E o que me dói é saber é que há pessoas que amo esperando minha aterrisagem. A estes, peço sinceras desculpas e espero que compreendam que tentei, por mais de quatro décadas, encontrar uma maneira de me manter voando.

Lembrem-se, meus amores: saudade é algo que não se mata; se abraça.

Abracem-me. Abracem os risos que experimentamos, as graças que fizemos e as conversas que tivemos. Lembrem-se do meu rosto sorridente, não daquele que infelizmente viram na maldita caixa de madeira que emoldurou meu cadáver. Lembrem-se da minha voz, dos meus escritos, dos meus tweets, dos meus posts estúpidos no Facebook e de cada like que dei nas bobagens que vocês escreveram e que, sim, me divertiram por segundos passageiros.

E compreendam que eu teria permanecido presente caso enxergasse alternativa ao que farei assim que dobrar esta carta e acondicioná-la no envelope que será descoberto ao lado do meu cad…”

 

O toque do celular quebrou o fluxo da escrita.

Ele olhou para o aparelho e viu o retrato da filha mais nova que ilustrava seu contato. Por vários segundos, debateu internamente sobre atender ou não a chamada.

– Alô.

– Papai?

– Oi, meu amor.

– Tudo bem?

– … Tudo, princesa.

– Como está a viagem?

– … Como sempre.

– Liguei só pra dizer que te amo muito. E que estou com saudades.

Ele sentiu os olhos se encherem d’água, liberando a química do estresse e seu reconhecimento de vulnerabilidade.

– Também estou com saudades, meu bem.

Silêncio.

– Bom… era isso. Vejo você sábado, né?

– Papai?

– Sim, linda. Você me vê sábado.

– Então tá. Beijo.

– Um beijo.

Desligou o telefone.

Diante de si, quase 1.500 palavras de despedida e justificativas doloridas. E um frasco com 70 comprimidos.

Olhou para o teto do quarto do hotel e respirou fundo.

Seria tão fácil desistir. Tão fácil.

Ah.

Encostou o queixo no peito e fechou os olhos.

Merda.

Pegou as folhas de papel e, depois de quase rasgá-las, optou por dobrá-las e guardá-las no bolso interno do casaco. Cerrou o frasco que encontrava-se sobre a mesa, segurou-o com força e, depois de alguns  segundos, o retornou ao forro da maleta que sempre o acompanhava.

Concentrou-se no rosto dos filhos, embriagou-se e desmaiou sob o chuveiro.

Arte e Humanidade

postado em by Pablo Villaça em Séries de tevê, Variados | 13 comentários

A Arte pode ter natureza estética, pode ser pessoal ou ambas. A primeira tem, como foco, a experimentação com a linguagem e/ou com a plástica. A segunda se concentra na humanidade do artista e daquele que contemplará a obra criada. Criar é compartilhar. Sentimentos, ideias, ideologias, amores ou memórias, mas compartilhar. A mais pessoal das experiências pode ser surpreendentemente universal quando dividida com desconhecidos. Sofri por amor. Temi a morte. Estranhei o indivíduo no espelho. Odiei a mim mesmo.

Você também.

Um bom filme, um bom livro, uma boa música, um bom poema, uma boa peça, uma boa ópera, uma boa performance merecem este adjetivo por tocarem o outro. O que é estéril é esquecível; a boa Arte fecunda pensamentos, emoções e ideias. O sorriso da Gioconda é icônico não por ser antigo, mas por ser instigante. Ela sorri de mim, para mim ou comigo?

O artista se rasga por completo para a apreciação alheia. Expõe a mesma vulnerabilidade que todos tentamos esconder.

Mas há ramos na Arte e níveis de exposição. Um escritor, por exemplo, se expõe profundamente, mas à distância. Cada conto, crítica, livro ou roteiro que escrevo revela muito sobre mim, mas permaneço protegido pelo escudo desta tela ou do papel: fui ouvido sem ser visto. Tenho uma imensa cicatriz no abdômen e esta me constrange (embora represente a memória de minha quase morte), mas você não a enxerga. Acabei de expô-la, é fato, mas sem ter que erguer a camisa. Este é meu limite e, neste sentido, ter escolhido a escrita para me expressar é sintoma também de minha covardia.

Um ator não conta com esta proteção. Um ator expõe seu rosto e seu corpo ao lado de seus sentimentos. Vejo sua lágrima e entendo seu sofrimento. Enxergo suas rugas e reconheço sua mortalidade. O único filtro é o personagem, mas mesmo este habita um corpo real que está ali para nosso consumo. É preciso uma coragem infinita para se expor assim. E uma generosidade idem.

E há, claro, aqueles que se expõem na escrita e no corpo. Louis C.K. é um destes artistas.

Quando comecei a assistir a Louie, série escrita, montada, estrelada e dirigida por ele, esperei ver uma extensão de suas fabulosas performances como comediante stand-up. Esperava rir de experiências cotidianas que, trabalhadas no texto de um cômico talentoso, divertiriam com sua natureza prosaica e tola. Contudo, ao longo dos últimos quatro anos, Louie se tornou muito mais do que uma versão de sitcom; estabeleceu-se como um tratado filosófico sobre a condição humana. Sobre nossas fragilidades e nossas belezas. Sim, ri muito com Louie, mas também chorei. E, nesta quarta temporada, refleti muito sobre quem sou e como experimento certas ansiedades e sentimentos. Aliás, alguns episódios doeram tanto que, confesso, passei a temer pelo próprio Louis C.K.. “Não se mate, por favor”, me vi pensando ao final de certas cenas. E estava implorando isto ao artista, não ao personagem.

Não é à toa que, ao contrário de minhas explorações narrativas sobre Breaking Bad ou True Detective, me vejo com dificuldades de discutir Louie como experiência artística: ao falar sobre certo episódio desta temporada, por exemplo, me flagrei discutindo seus temas e as ideias inspiradas por estes, mal tocando em seus aspectos técnicos e narrativos – e agora, ao assistir aos dois episódios finais da quarta temporada, volto a me surpreender movido a escrever sobre… sentimentos.

Dividindo a cena com a excelente Pamela Adlon, C.K. converte esta hora final em um pequeno estudo sobre como nos entregamos ao outro quando nos apaixonamos e como expomos nossos medos justamente àqueles que detêm, naquele instante, o maior poder de nos ferir. Aliás, se há um tema que unifica este quarto ano de Louie é a busca pelo amor, pelo sentimento compartilhado, e os riscos que esta procura envolve – mas também suas recompensas. Há três ou quatro episódios, por exemplo, ao ter o coração partido pela namorada húngara que retornou ao seu país natal, Louie confidencia sua dor ao médico vivido de maneira estupenda por Charles Grodin e, em vez de ser consolado, ouve um discurso inesquecível sobre a beleza de um sentimento frustrado:

Dr. Bigelow (Grodin): Isto é que é amor. Sentir a falta dela e desejar morrer. Você tem tanta sorte; é um poema ambulante. Você preferiria ser algum tipo de… fantasia? É isso que você quer? Você não percebe que esta é a parte boa, que é isto que tem procurado esse tempo todo? Finalmente você conseguiu o que queria, este doce… pedacinho de amor. Doce, triste amor. E você quer jogá-lo fora. Você entendeu tudo errado.

Louie: Eu achei que esta fosse a parte ruim.

Grodin: Não! A parte ruim é quando você a esquece, quando você deixa de se importar com ela, quando deixa de se importar com tudo. A parte ruim ainda chegará, então aproveite seu coração partido enquando pode. Seu sortudo canalha, eu não tenho meu coração partido desde que Marilyn me abandonou, desde que eu tinha 35 anos de idade. O que eu não daria para ter meu coração partido de novo… Olha, eu não sei bem qual é seu nome, mas você deve ser a pessoa mais entediante que já conheci.”

Que passagem linda. E tão verdadeira. Sofrer por amor é viver. Há algo de terrivelmente comum na felicidade estável. Lembro de meus amores adolescentes e invejo meu eu de 15 anos de idade. Penso em nomes como Alessandra, Fernanda, Bruna, Laura, Luciana, Giovanna e Mariana e percebo que escrevia com mais vigor ao sofrer por elas. Todas marcaram de maneira diferente e permanecem comigo, mas aquela intensidade da dor por perdê-las dissipou-se. Percebo isto e me entristeço.

Assim, ver Louie se apaixonar por Pamela diante da câmera enquanto esta o desafia como homem, profissional e namorado é algo que me encanta. Vê-lo se abrir a ela com sua desajeitada declaração de amor me comove. Vê-la lutar contra os próprios bloqueios para explicar que não consegue verbalizar o que seu coração experimenta me toca.

Mas C.K. vai além. Há muitos episódios, ele explicou sua insistência em manter-se de camisa perto das namoradas, mesmo durante o sexo, por ter vergonha de seu corpo. Havia, ali, algo de claramente autêntico. C.K., o homem, é gordo e desajeitado. Sua sensibilidade e seu caráter não o tornam mais rijo ou musculoso. Doce ou não, sua barriga permanecerá flácida e caída. E ele seguirá embaraçado por isso.

Assim, ao vê-lo despir-se diante da câmera, testemunhei um artista que enfrentou sua maior insegurança para encontrar uma verdade universal. Um artista que se rasgou não só para me divertir, mas para me fazer refletir. E me vi comovido diante de sua coragem, de sua entrega, de sua sensibilidade e de sua honestidade.

Louie, nesta quarta temporada, deixou de ser apenas uma série; tornou-se uma terapia pública para seu criador e um espelho para seu público. Um espelho que refletiu um apelo por amor, compaixão e compreensão.

Refletiu, enfim, nossa humanidade.